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Comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) pede ação global para evitar nova crise no Sudão do Sul

Comissão da Organização das Nações Unidas (ONU) pede ação global para evitar nova crise no Sudão do Sul

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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –

A Comissão dos Direitos Humanos da ONU no Sudão do Sul solicitou que os Estados-membros, parceiros regionais e internacionais adotem medidas para assegurar a paz no país, independentemente do calendário eleitoral. 

Segundo a Comissão, o acordo político estabelecido em 2018 para evitar uma nova guerra está se desmantelando, colocando em risco a população civil e a transição democrática.

Golpe constitucional

A presidente da Comissão, Yasmin Sooka, afirmou na 3ª Comissão da Assembleia Geral da ONU que as eleições não podem servir de justificativa para a anulação do Acordo de Paz Revitalizado de 2018.

De acordo com as declarações de Sooka, o próximo pleito é um pretexto de um acordo já negociado que equivale um golpe constitucional através de reformas legislativas, concentrando a toda a autoridade no presidente.

Independentemente do resultado, o Sudão do Sul continuará a precisar de um acordo político inclusivo, de proteção para os civis e de instituições capazes de prevenir mais violência, argumenta a presidente da Comissão.

Exclusão da oposição

O presidente Salva Kiir dissolveu o governo de transição, o Parlamento Nacional e as assembleias estaduais em 22 de setembro de 2026, destituindo o vice-presidente e instaurando uma administração interina que responde diretamente à presidência. 

O chefe de Estado é o candidato do partido no poder e supervisiona o processo eleitoral, enquanto o primeiro vice-presidente, Riek Machar, está detido e o seu partido e outros da oposição são impedidos de concorrer.

Foram registrados bombardeios aéreos e ofensivas terrestres nas regiões do Alto Nilo e Jonglei com milhares de combatentes sem um comando unificado.

O membro da Comissão Barney Afako reforça que o principal desafio do país é a elaboração de um processo legítimo que não promova políticas de exclusão.

Transição política

Segundo o especialista Carlos Castresana Fernández, o desvio de recursos públicos priva a população de serviços essenciais e enfraquece as instituições. 

Ele defende a criação do Tribunal Híbrido para o Sudão do Sul pela União Africana, além do apoio a processos de justiça locais e à preservação de provas.

O fim imediato das hostilidades e dos ataques contra a população civil e a garantia de acesso humanitário estão entre as prioridades apontadas pela Comissão para o Sudão do Sul. 

O órgão também destacou a necessidade da atuação conjunta da ONU com a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, Igad, para restaurar a governança inclusiva.

Sooka ressaltou que a população do país deve cobrar atuação conjunta dos Estados-membros e parceiros regionais para restaurar o diá. e proteger a transição política do país.

Distribuído pelo Grupo APO para UN News.

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