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São Tomé e Príncipe lança Iniciativa Resilands pela resiliência climática e proteção

São Tomé e Príncipe lança Iniciativa Resilands pela resiliência climática e proteção

MIL OSI –

Source: Africa Press Organisation – Portuguese –

Os alvos são os mais vulneráveis em meio a previsões de um forte El Niño; país africano quer blindar comunidades e infraestruturas com sistemas de alerta precoce e gestão de riscos; projeto com apoio do Fundo Verde para o Clima quer responder a desastres como as graves inundações de 2021.

Neste momento em que se prevê o impacto de um forte fenômeno El Niño, São Tomé e Príncipe deu um passo decisivo para proteger suas comunidades e obras públicas contra o agravamento das mudanças do clima.

Durante a rodada de consultas nacionais que marcou o lançamento do projeto Resilands, neste mês de outubro, o país avançou no fortalecimento da gestão de riscos e na implementação de alertas preventivos.

Resposta imediata diante de ameaças

A ONU News conversou com o especialista António Palazuelos, na Armênia, onde participa da Conferência de Biodiversidade das Nações Unidas, COP17. O perito em Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids, destacou que a iniciativa busca criar capacidade de resposta rápida diante de emergências.

“Agora, estamos a prever que esta situação meteorológica com o El Niño, que segundo as previsões, pode ter um impacto muito negativo na nossa sub-região, exige a tomada de medidas urgentes e aceleradas. O próprio ministro afirmou que esta é uma prioridade de Estado para o país. Portanto, é preciso reforçar o sistema de alerta e melhorar as infraestruturas para que sejam resilientes ao clima. Não vale a pena construir qualquer tipo de estrada, ponte ou prédio. A construção tem de ter condições que permitam resistir a cheias e a eventos climáticos extremos. Daí falarmos de infraestrutura resiliente às alterações climáticas. Caso contrário, sempre que isto acontecer, vai estragar tudo, criando não só perdas materiais, mas também imateriais.”

O especialista citou tempestades, inundações e deslizamentos de terra entre as ameaças enfrentadas pelo projeto, que é financiado pelo Fundo Verde para o Clima e executado pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a África, ECA.

O Resilands reúne nove países-membros da Comissão dos Estados Insulares Africanos para o Clima, integrando nações atlânticas como Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial e São Tomé e Príncipe, além de países do Oceano Índico.

Formato multissetorial

Liderada pelo Ministério das Finanças e pelo Departamento de Planejamento de São Tomé e Príncipe, a iniciativa atua com as áreas de Meio Ambiente, Economia Azul, Proteção Civil e Negócios Estrangeiros, além de universidades e da sociedade civil.

O processo de consulta permitiu criar uma Carteira Nacional de Projetos Climáticos prioritários. 

O objetivo é destravar financiamentos de grande escala para infraestruturas resistentes e serviços de informação meteorológica, preparando o arquipélago para evitar a repetição de cenários dramáticos como os vividos em 2021.

Consideradas as piores das últimas três décadas, as inundações de cinco anos atrás deixaram vítimas fatais e rastros de destruição. A tragédia destruiu três pontes estratégicas, incluindo o acesso ao aeroporto, isolou comunidades e deixou a capital submersa sob água e lama.

“Falamos de adaptação, de mitigação, mas também são muito importantes as perdas e danos e ter um fundo de compensação para isso. Porque estes países pequenos não têm essa capacidade de dar resposta. Daí que, finalmente, se criou o fundo de resposta para perdas e danos, o que é um grande feito dos países que têm lutado para que exista um financiamento específico para fazer frente a essas perdas e danos, além de outras medidas que podem existir, como os seguros paramétricos e outras maneiras de mitigar esse impacto. Mas isso tem um custo que, às vezes, os países não podem se permitir, porque não têm essa capacidade financeira para sempre fazer frente.”

Diante do colapso no centro urbano, nas habitações e nos serviços, as Forças Armadas foram mobilizadas para o socorro. O país foi incapaz de responder sozinho ao desastre, decretou estado de calamidade e fez um apelo por ajuda internacional.

Preservação dos ecossistemas

Além de reforçar a segurança física da população e reduzir perdas causadas por eventos extremos, a estratégia impulsiona a Economia Azul e o acesso a novos mecanismos globais de financiamento ambiental.

Com o avanço de tratados globais, como o Acordo sobre a Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional, Bbnj, e o crescimento dos mercados de biocréditos, São Tomé e Príncipe ganha força para expandir a proteção de suas áreas marinhas e florestais.

Para António Palazuelos, a nova iniciativa garante que a preservação da natureza traga benefícios diretos para as comunidades locais. 

Essas populações atuam como verdadeiras guardiãs da biosfera, transformando o respeito cultural e ancestral pelo meio ambiente em um modelo prático de desenvolvimento e adaptação climática.

Distribuído pelo Grupo APO para UN News.

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