Post

Geoeconomia: o que é e o que significa para o desenvolvimento?

Geoeconomia: o que é e o que significa para o desenvolvimento?

Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Geoeconomia: o que é e o que significa para o desenvolvimento?
20 Outubro 2026 Desenvolvimento econômico

Governos têm implementado medidas para disputar setores inovadores e cruciais;  utilização de instrumentos econômicos cresce; texto cita PIX do Brasil. 

A geoeconomia está tornando o comércio global e o acesso aos mercados mais seletivos. 
Isso tem reconfigurado a dependência financeira entre países, empresas e comércio. 
Mudança de paradigma 
Uma dinâmica que altera a trajetória para o desenvolvimento sustentável.
As regras que definem as parcerias comerciais estão se transformando, destaca o novo relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad.
O documento descreve esta mudança de paradigma através do conceito de geoeconomia, uma prática baseada na utilização de instrumentos econômicos para atingir objetivos estratégicos.
Setores cruciais e regras 
Nos últimos anos, governos de todo o mundo têm recorrido, cada vez mais, a restrições comerciais, subsídios, regras de investimento e controlos tecnológicos para disputar setores considerados cruciais.
A lista inclui os semicondutores, as infraestruturas de inteligência artificial, bem como novas tecnologias de energia limpa. O comércio continua a ser global, no entanto, a sua geografia está sendo alterada.
Novas ligações comerciais
As considerações geoeconômicas influenciam cada vez mais as decisões das empresas sobre onde adquirir bens, estabelecer redes de produção e investir.
Por sua vez, as relações estratégicas, a localização e as perceções de fiabilidade continuam a ganhar importância, a par dos custos e da eficiência.
À medida que o comércio entre alguns grandes parceiros diminui, surgem novas ligações, com as empresas a diversificarem os fornecedores e a produção.
No entanto, a integração numa cadeia de abastecimento global não significa necessariamente captar uma parcela significativa do seu valor, alerta o relatório.
A República Democrática do Congo, por exemplo, produziu cerca de 73% do cobalto extraído a nível mundial em 2025. No entanto, os produtores de capital nacional foram responsáveis por apenas 1% da produção nacional, evidencia o relatório.
Adobe Stock/Erberto Zani O cobalto é extraído em Rubaya, no leste da República Democrática do Congo, uma área controlada por uma milícia
Chance para economias emergentes 
A Unctad destaca que a mudança geoeconómica pode criar oportunidades para que as economias em desenvolvimento se tornem fornecedores alternativos, polos industriais ou centros de ligação regional.
Segundo a agência, estes países podem atuar como âncoras regionais, conectando mercados e promovendo a cooperação nas áreas do comércio, da tecnologia, das infraestruturas e das finanças.
O relatório destaca a partilha de infraestruturas públicas digitais pela Índia, a expansão do sistema de pagamentos instantâneos do Brasil, o sistema conhecido como PIX, pela América do Sul e o Sistema Pan-Africano de Pagamentos e Liquidação, que está a ajudar a ultrapassar as barreiras aos pagamentos transfronteiriços.
Cooperação para novos entendimentos
A Unctad destaca o potencial dos acordos regionais e da cooperação Sul-Sul, na medida em que podem ajudar a preservar o acesso aos mercados e a simplificar as regras de origem, bem como a facilitar a celebração de acordos globais.
A agência acrescenta que as economias em desenvolvimento necessitam de apoio para satisfazer requisitos complexos de mercado, incluindo normas, certificação, rastreabilidade, alfândega digital e conformidade regulamentar.
Sem estas capacidades, as empresas correm o risco de ser excluídas dos mercados por não conseguirem cumprir as regras, apesar de serem competitivas, conclui a publicação. 

MIL OSI