Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Fome atinge mais de um quarto da população mundial
20 Outubro 2026 Assuntos da ONU
Em discurso, Volker Turk criticou a concentração de terras, o desperdício de alimentos e o uso da privação alimentar em áreas de conflito, defendendo reformas para fortalecer a proteção social.
O alto comissário dos Direitos Humanos da ONU, Volker Turk, advertiu nesta semana que mais de um quarto da população mundial enfrenta dificuldades para obter alimentos de qualidade.
Na 54ª Sessão Plenária do Comitê de Segurança Alimentar Mundial, CFS 54, Turk classificou a situação como uma tragédia evitável e afirmou que o problema principal não é a escassez de recursos no planeta, mas sim a negação dos direitos humanos.
Desperdício e desigualdade no campo
Segundo Turk, a quantidade global de alimentos é afetada por falhas estruturais e econômicas.
Um dos problemas apontados pelo chefe de direitos humanos é o desperdício. No mundo, um bilhão de refeições não é aproveitada diariamente nos lares.
Outro é a concentração de terras. Atualmente, 1% das fazendas controlam mais de 70% de toda a terra fértil disponível, excluindo pequenos agricultores, pescadores e pastores locais.
As mulheres agricultoras e povos indígenas também enfrentam barreiras na a falta de apoio governamental e de acesso à terra.
UN News O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk
Fome como tática de guerra
O alto comissário também destacou o impacto dos conflitos armados e da degradação ambiental na segurança alimentar global.
De acordo com ele, as guerras e o deslocamento forçado contribuem para crises agudas de fome em 12 dos 13 atuais locais críticos de conflito no mundo. Nesses casos, esses métodos são usados como táticas de guerra e de ataques direcionados a trabalhadores humanitários.
Além disso, milhões de hectares de terras agrícolas férteis são perdidos anualmente para a desertificação, agravado pelo uso predatório do meio ambiente.
Caminhos para mudança
Volker Turk defende a adoção de uma economia de direitos humanos fundamentada em proteção social, tributação justa e políticas agrícolas voltadas para a erradicação da pobreza.
O alto comissário concluiu pedindo aos governos pelo acesso equitativo à terra, à água e às sementes, pela proteção de defensores de direitos humanos e ambientais.
Outro apelo é em favor do cumprimento das regras do direito internacional humanitário para garantir que a fome não mais seja usada como tática de conflito.
A CSF 54 acontece até sexta-feira na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, em Roma. Com o tema “fazendo a diferença na segurança alimentar e nutrição”, o evento discute o programa de trabalho plurianual para 2028-2031
