Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Iêmen: Cerco à cidade de Taiz deixa civis sem água nem comida
20 Outubro 2026 Paz e segurança
Combatentes houthis sitiaram o local e fecharam rotas de abastecimento, em meio a retomada do conflito com forças do governo; ONU apela por entrada de ajuda humanitária para civis que estão em condições precárias; acúmulo de lixo pode gerar crise de saúde.
Mais de 250 mil pessoas já fugiram dos combates recentes no Iêmen. A situação é especialmente grave para os civis abrigados na cidade de Taiz, a terceira maior do país, onde o acesso está “praticamente bloqueado”.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que “o fechamento, pelos houthis, da única rota de abastecimento que liga Taiz a Áden está colocando civis em grave risco, bloqueando a ajuda humanitária e cortando o fornecimento de itens essenciais”.
Combates se aproximam de áreas densamente povoadas
Nesta terça-feira, ele fez um apelo aos combatentes houthis, que cercaram a cidade de Taiz, pedindo para que permitam a entrada imediata de ajuda humanitária.
Turk observou que 32 civis foram mortos em toda a província, incluindo 14 crianças e nove mulheres. Ele alertou para um aumento no risco de morte e ferimentos à medida que os combates se aproximam de áreas densamente povoadas da cidade.
A crise se instalou após a retomada, no mês passado, dos confrontos entre os combatentes houthis, formalmente conhecidos como Ansar Allah, e o governo internacionalmente reconhecido, sediado na capital Áden, pondo fim à relativa calma trazida pelo cessar-fogo de 2022.
© YPN-Ocha/Ahmed Basha Um pai segura seu filho em meio aos escombros de uma casa destruída na cidade de Taiz, no Iêmen
A água potável é praticamente inexistente
A situação em Taiz é particularmente preocupante porque o local abriga mais da metade das pessoas que foram recentemente desalojadas pela violência, que totalizam cerca de 120 mil iemenitas.
O representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no Iêmen, Akhil Iyer, disse que Taiz é certamente a principal preocupação no momento.
Ao descrever a situação no local, ele contou que as pessoas chegam a acampamentos ou comunidades já superlotadas, com pouca ou nenhuma comida, apenas com a roupa do corpo. A água potável é praticamente inexistente e as pessoas esperam em longas filas para encher suas garrafas.
Os combates crescentes e a escassez de combustível estão ameaçando os sistemas de água do Unicef que atendem cerca de 3 milhões de pessoas na província de Taiz, sendo que pelo menos 1,6 milhão delas são crianças.
Estoques de farinha quase esgotados
Falando da capital Áden, Iyer lembrou que a província de Taiz já enfrentava alguns dos níveis mais altos de insegurança alimentar do Iêmen, com 10 dos 16 distritos classificados em níveis de emergência.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos, WFP, os estoques de farinha de trigo nas áreas afetadas de Taiz estão quase esgotados.
Os combates em curso tornaram extremamente difícil e perigoso para as agências humanitárias chegarem às comunidades vulneráveis e entregarem combustível e outros itens essenciais.
© UNICEF/Ahmed Al-Basha A ajuda humanitária está sendo distribuída na província de Taiz, no Iêmen
Oxigênio acabando
O representante do Unicef adicionou que o lixo está se acumulando, principalmente na cidade de Taiz, devido à paralisação dos serviços de saneamento.
O resultado poderá ser uma emergência sanitária ainda mais grave num país que já enfrenta surtos de cólera e sarampo, juntamente com casos suspeitos de difteria e dengue.
Iyer declarou que, embora o Unicef tivesse preposicionado alimentos terapêuticos prontos para uso antes da escalada do conflito, os suprimentos não puderam ser distribuídos às unidades de saúde porque “todas as rotas estão fechadas”.
O porta-voz da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tarik Jasarevic, informou que 12 hospitais em Taiz tinham combustível suficiente para aproximadamente quatro dias. Os cilindros de oxigênio necessários estão em “déficit diário”. Além disso, 115 dos 127 medicamentos essenciais têm estoque suficiente para cerca de uma semana ou menos.
