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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
Agências apontam que a fiscalização e o acesso a capacetes certificados podem salvar vidas de forma rápida e a baixo custo; é necessária determinação para agir em larga escala e com urgência. Para a ONU, os acidentes de viação são uma pandemia silenciosa e a liderança política pode quebrar esse ciclo.
A Comissão Econômica para a África, ECA, considera fundamental reformular a segurança rodoviária como um investimento que protege o capital humano e apoia o crescimento da economia.
A ideia surge numa altura em que as ocorrências diárias de acidentes de viação no continente transformam famílias e sobrecarregam comunidades e sistemas de saúde, exigindo medidas urgentes face à rápida urbanização e ao aumento da motorização.
Moto-táxis
Inverter esta trajetória requer a combinação adequada de vontade política, investimentos e ações coordenadas. Para a ECA, abordar a segurança rodoviária não é apenas um imperativo moral, mas uma necessidade econômica que visa proteger vidas, preservar o capital humano e salvaguardar as conquistas do desenvolvimento.
No Ruanda, a parceria entre a ECA e a Federação Internacional do Automóvel ajudou a levar a regulamentação nacional e a capacidade de testes da fase de compromisso para a de implementação, tornando o programa de capacetes um exemplo concreto.
Exemplo a seguir
Para o chefe da Divisão de Desenvolvimento do Setor Privado e Finanças, Robert Lisinge, o Ruanda demonstrou que a mudança é possível: “Um padrão único, um selo de certificação e uma fiscalização consistente estão a transformar a realidade, oferecendo um modelo que o resto do continente pode seguir.”
O sistema de certificação garante que os capacetes disponíveis no mercado cumpram as normas das Nações Unidas.
Um inquérito apurou que 98,7% dos motociclistas e passageiros usavam capacete no Ruanda, mas apenas 71% os utilizavam corretamente, e mais de um terço dos capacetes em uso apresentavam danos visíveis.
O registo de mortes no trânsito por 100 mil habitantes é de cerca de 11,6 no país, enquanto a média continental é de cerca de 19.
Prestação de contas
Segundo especialistas, a certificação e a fiscalização são fatores que transformam o uso do capacete numa proteção real, e a consequente alteração da procura do mercado por capacetes certificados demonstra que a oportunidade de fabrico local já está a concretizar-se.
A ECA mostra-se disposta a promover a aprendizagem entre pares, ligando agências de segurança rodoviária, organismos de normalização e ministérios das Finanças para que o que funcionou num país oriente a implementação noutro.
As ações incluem elevar a segurança rodoviária na agenda de desenvolvimento de África, ajudar a colmatar lacunas de financiamento e impulsionar a implementação.
Para a comissão, o progresso não deve ser medido apenas pela redução de mortes e ferimentos; os capacetes, que custam cerca de US$ 20, representam uma solução simples e eficaz, capaz também de estimular o fabrico local e criar oportunidades de mercado no continente.
Medidas de proteção
Incluir dois capacetes na compra de qualquer motociclo pode reduzir de forma significativa o número de mortes e ferimentos. Em paralelo, sistemas de dados mais robustos e monitorização regional serão cruciais para garantir um impacto real.
Estima-se que os acidentes rodoviários consumam entre 3% e 5% do rendimento anual de muitos países africanos. A situação está a drenar a produtividade, sobrecarregando os sistemas de saúde e atrasando o desenvolvimento; a saída seria encarar a segurança rodoviária como uma prioridade econômica central.
As ocorrências ceifam mais de 1,2 milhão de vidas por ano em todo o mundo, deixando milhões de feridos, sendo a principal causa de morte entre os jovens em África.
Distribuído pelo Grupo APO para UN News.
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