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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual mostra o papel essencial da conexão e do entendimento entre povos através de suas criações artísticas e de sua memória; no país africano de língua portuguesa, data celebra riqueza das línguas locais e a luta para manter o recurso à disposição de todos.
Assinalar o património audiovisual é reconhecer a própria espinha dorsal da identidade e da história de uma nação. Neste Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual, as Nações Unidas destacam o papel conciliador da memória de um país para promover conexão entre seus cidadãos e outros povos.
Em Moçambique, o arquivo sonoro, fílmico e documental carrega as vozes, as imagens e as transformações socioculturais do país, enfrentando, no entanto, desafios estruturais profundos na sua preservação.
Fundos para digitalizar e rádio
A ONU News em Maputo, ouviu especialistas que no seu dia a dia tem o contato com patrimônio audiovisual. A necessidade de infraestruturas apropriadas e a falta de fundos para digitalização são alguns dos elementos comuns apresentados pelos intervenientes.
Cristiano Tsope é chefe do Departamento de Arquivos da mais antiga estação de rádio no país, a Rádio Moçambique. Ele cita que o património audiovisual é indispensável para resgatar a identidade de um povo.
“Se nós quisermos resgatar, por exemplo, o estilo de vida dos moçambicanos em diferentes contextos, temos já o arquivo como base. Pensemos, por exemplo, o arquivo sonoro, o exemplo das línguas, a dinâmica das línguas. A língua é viva, não é? Como se fala certas línguas, mesmo o próprio português, hoje em dia, não é como se falava há 10 anos. Então, o arquivo permite resgatar essas dinâmicas socioculturais de uma nação e também permite projetar, na perspectiva histórica, o que se pode esperar nos tempos que vêm.”
Do analógicos à corrida digital
A Rádio Moçambique detém um património de valor incalculável para a memória coletiva do país. Dados da estação indicam que o acervo conta com mais de 100 mil discos de vinil, mais de 10 mil bobinas e mais de 10 mil cassetes.
Para salvaguardar este vasto material contra a degradação temporal, a instituição está a executar um processo de digitalização sistemática, fundamentado em critérios estritos de prioridade.
A necessidade de infraestruturas específicas, assim como equipamento para digitalização e conservação do patrimônio audiovisual é um desafio global.
Estúdios e cinema
“Aqui em Moçambique, são raros os casos em que temos um edifício preparado para arquivo, para acolher documentação arquivista. E, então, esta questão de infraestrutura acaba comprometendo o processo de conservação dos documentos, porque? O fato de coabitar os documentos com os arquivistas ou os técnicos, isso é um problema. Cria-se uma certa umidade no setor. Pode parecer que não existe, mas a nossa presença nesta sala, nós transpiramos e tudo o mais, isto põe em causa a integridade dos documentos.”
O desafio tecnológico estende-se aos suportes de gravação. Alcídio Amaral é diretor da divisão de audiovisual e cinema no Instituto Nacional das Indústrias Culturais. Ele destaca os avanços da digitalização com vista a recuperar parte do arquivo após o incêndio que em fevereiro de 1991, consumiu os laboratórios, os estúdios de som, o armazém de distribuição, equipamentos de produção e boa parte dos filmes, no Instituto Nacional do Cinema, INC.
Urgência em Parcerias
Com parcerias como da Unesco, Cinemateca Portuguesa, a digitalização ocorre em fases. Atualmente contam com apoio da cooperação espanhola que lançou esperança para continuação da digitalização no Instituto Nacional das Indústrias Culturais.
“Neste momento está-se a fazer a avaliação das películas em bom estado e a segunda fase do projeto entrará na reabilitação do próprio arquivo, e ela praticamente não reúne as melhores condições necessárias para a conservação das películas. Vai ter uma reabilitação, uma construção de uma cinemateca, de um acervo, praticamente, que possa ter umas condições condignas para a conservação da película, porque uma película bem conservada até 500 anos leva.
Dinâmica da evolução
Apesar dos esforços, Alcídio Amaral recorda que toda digitalização é um processo oneroso e a mesma deve acompanhar a dinâmica da evolução tecnológica.
”A primeira digitalização é Betacam, que digitalizou toda a coleção do Kuxa Kanema, que é a relíquia que nós temos no nosso arquivo. São 405 edições. Mas o formato ficou em desuso. Tivemos que passar para outro formato digital, que foi o Blu-ray. Acredito que, a cada ano que passa, o melhoramento da imagem, do som, da película, ela já está muito evoluída. O suporte anterior tem algumas dificuldades.”
O Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual este ano comemora se sob o lema “Sua Janela para o Mundo”.
Distribuído pelo Grupo APO para UN News.
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