Post

Renda e escolaridade definem impacto das doenças crônicas no Brasil

Renda e escolaridade definem impacto das doenças crônicas no Brasil

Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Renda e escolaridade definem impacto das doenças crônicas no Brasil
21 Outubro 2026 Saúde

Estudo inédito da OMS alerta que a desigualdade socioeconômica e geográfica é o principal obstáculo no combate às enfermidades nos países lusófonos; a situação condiciona desde a prevenção até o tratamento de acordo com renda, gênero e localização.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, lançou a primeira análise em escala mundial para mensurar como dados socioeconômicos, de gênero, idade e localização geográfica determinam o diagnóstico, o tratamento e os fatores de risco associados às Doenças Não Transmissíveis, DNTs.
O levantamento utiliza dados dos sistemas de saúde da última década sobre quatro categorias de doenças crônicas: câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias crônicas.
Desigualdade no diagnóstico e tratamento
O relatório “Estado da Desigualdade – Doenças Crônicas e seus fatores de risco” analisa o impacto destas enfermidades nos países lusófonos. O Brasil destaca-se ao ilustrar como o rendimento e a escolaridade geram disparidades internas.
Os estados brasileiros com maior Índice de Desenvolvimento Humano concentram mais casos de diabetes em homens. Além disso, a obesidade cresceu mais em populações desfavorecidas entre 1975 e 2019, e o consumo de bebidas açucaradas em jovens, homens e idosos de menor renda.
Já em Portugal, assim como em países como Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Escócia, a pesquisa identificou uma associação positiva entre o nível socioeconômico dos bairros e o consumo regular de frutas e vegetais, demonstrando como o contexto local e o desenvolvimento econômico influenciam os fatores de risco e os hábitos alimentares.
Para os demais países de língua portuguesa, o documento recorre a inquéritos internacionais para avaliar fatores como tabagismo, inatividade física, hipertensão e obesidade.
O líder da equipe de monitoramento de desigualdades em saúde da OMS, Ahmad Reza Hosseinpoor, afirma que o estudo é a primeira tentativa de mensurar desigualdades no tipo de enfermidades e seus fatores de risco em escala global.
OMS/Opas/Sebastián Oliel As doenças crônicas matam mais de 15 milhões de pessoas todos os anos na faixa de 30 a 70 anos.
Populações menos escolarizadas
O relatório aponta que, em nações de baixa e média renda, por exemplo, populações menos escolarizadas enfrentam mais dificuldades no diagnóstico e na gestão de doenças como hipertensão e diabetes.
Nesses países, mulheres mais pobres registram menores taxas de adesão a exames preventivos e o consumo de tabaco é alto entre os homens.
Para a OMS, a vulnerabilidade social afeta desde a prevenção primária até o tratamento de condições crônicas.
Principais fatores de vulnerabilidade
As constatações do relatório sobre comunidades rurais revelam que elas sofrem maior exposição à poluição do ar doméstico, devido ao uso de combustíveis poluentes para cozinhar, enquanto populações urbanas registram maior exposição à poluição atmosférica exterior.
Jovens adultos com hipertensão são diagnosticados e tratados com menor frequência do que adultos mais velhos; o sedentarismo aumenta com a idade e a obesidade concentra-se na faixa dos 40 aos 70 anos.
O estudo também aponta que a taxa de desemprego está diretamente ligada à de sedentarismo. 
Pessoas com deficiência enfrentam obstáculos físicos e estruturais na prevenção e no tratamento, enquanto migrantes deparam-se com barreiras linguísticas, financeiras e administrativas para acessar serviços básicos.
Transformando políticas públicas
A OMS também publicou um documento de orientação política para estabelecer estratégias que acelerem o cumprimento das metas globais de saúde.
O diretor do Departamento de Dados, Saúde Digital e Inteligência Artificial da agência, Alain Labrique, afirma que as informações ajudarão os países a adaptar políticas públicas, identificar lacunas na cobertura e avaliar o progresso das medidas.
Entre as recomendações aos governos estão a melhoria da cobertura universal, a remoção de barreiras financeiras e geográficas na atenção primária e o envolvimento direto de pessoas que vivem com as doenças crônicas na formulação das políticas de saúde pública.

MIL OSI