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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
- A resolução apresentada pelo Togo, com o apoio da União Africana, apela à utilização de projeções cartográficas de área igual nas escolas, instituições, meios de comunicação social e plataformas digitais. As organizações Speak Up Africa (www.SpeakUpAfrica.org) e Africa No Filter, que lançaram a campanha “Correct the Map” (Corrigir o Mapa), congratulam-se com uma mudança histórica, passando da defesa de causas para a ação institucional a nível global
Na sexta-feira, 4 de setembro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a resolução “Corrigir o mapa: reequilibrar a representação cartográfica global e promover uma representação mais equitativa das regiões do mundo”, por 164 votos a favor, 1 contra e 6 abstenções. Apresentada pela República do Togo com o apoio da União Africana, a resolução incentiva os governos, as instituições de ensino, as organizações internacionais, os meios de comunicação social e as empresas tecnológicas a adotarem projeções cartográficas de área igual, tais como a projeção “Equal Earth” (Terra Igual), sempre que a verdadeira dimensão dos países e dos continentes seja relevante.
“África ocupa um lugar central neste século, mas o mundo continua a vê-la através de um instrumento concebido para a navegação do século XVI, com metade do seu tamanho real. Essa discrepância entre a realidade e a sua representação tem um custo na forma como África é ensinada, noticiada, abordada nas negociações e alvo de investimentos. Esta resolução transfere o ónus da prova para aqueles que pretendem manter a distorção. A nossa tarefa agora é garantir que a sala de aula, a redação e o ecrã acompanhem a votação.”
Fara Ndiaye, Diretora Executiva Adjunta da Speak Up Africa
Esta votação marca a primeira vez que os governos de todo o mundo reconheceram coletivamente que a projeção de Mercator, a imagem padrão do planeta há quase cinco séculos, deturpa a dimensão relativa dos continentes. Concebida em 1569 para a navegação marítima europeia, a projeção de Mercator preserva os ângulos em detrimento da área, apresentando África com cerca de metade da sua escala real, ao mesmo tempo que amplia a Europa e a América do Norte. Num mapa de Mercator, África e a Gronelândia parecem ter tamanhos semelhantes; na realidade, África é cerca de catorze vezes maior.
As organizações Speak Up Africa e Africa No Filter lançaram a campanha “Correct the Map” para combater esta distorção e apelar à utilização de mapas que reflitam as verdadeiras dimensões de África nas salas de aula, nos meios de comunicação social e na vida pública. Mais de 11.000 cidadãos aderiram ao movimento ao assinarem a petição “Correct the Map”, juntamente com educadores, investigadores e parceiros de todo o continente e de além-fronteiras. A campanha recebeu o apoio formal da União Africana em junho de 2025, graças à liderança e ao empenho da Vice-Presidente, Sua Excelência a Embaixadora Selma Malika Haddadi, o que transformou uma exigência cívica numa posição política continental, antes de o Togo a ter levado à Assembleia Geral.
“A Speak Up Africa foi criada com base na convicção de que os africanos devem liderar os debates que moldam o futuro de África. Esta votação representa a concretização dessa convicção na cena mundial: uma campanha africana, apoiada pela União Africana, levada a cabo por um governo africano e aprovada pela esmagadora maioria das nações do mundo. A representação e o desenvolvimento não são prioridades concorrentes. Agradecemos a todos os Estados-Membros que votaram a favor de um mapa mais justo e estaremos presentes nas negociações para o que se seguir.”
Yacine Djibo, Diretora Executiva da Speak Up Africa
As organizações Speak Up Africa e Africa No Filter prestam homenagem ao Professor Robert Dussey, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Togo, que levou a resolução de Lomé ao plenário da Assembleia Geral e defendeu a causa junto dos Estados-Membros. Dirigindo-se à Assembleia antes da votação, o professor Dussey afirmou: “Um mundo justo começa com um mapa justo.”
As organizações Speak Up Africa e Africa No Filter prestam igualmente homenagem ao Professor Carlos Lopes, da Universidade da Cidade do Cabo, promotor da campanha “Correct the Map”, cujo empenho foi fundamental para mobilizar a União Africana e investigadores de todo o continente em prol de um mapa mais justo, conferindo à campanha o peso intelectual de que necessitava no caminho para Nova Iorque.
Porque é importante
Os mapas moldam a perceção, e a perceção molda as decisões. Um continente que parece pequeno é mais facilmente considerado marginal na diplomacia, no investimento e nas prioridades globais. África é o segundo maior continente em termos de superfície terrestre e população e, até 2050, uma em cada quatro pessoas no mundo será africana. O continente ocupa um lugar central nas questões determinantes deste século: clima, energia, comércio, demografia, segurança e inovação. A iniciativa “Correct the Map” defende que a forma como o mundo imagina África deve corresponder à realidade.
A distorção não se limita à África. A projeção de Mercator reduz o tamanho aparente de toda a faixa equatorial, incluindo a América do Sul, o Sul da Ásia e o Sudeste Asiático. As projeções de área igual, como a “Equal Earth”, que preservam as verdadeiras proporções dos continentes, mantendo simultaneamente as suas formas familiares, estão disponíveis gratuitamente e são amplamente utilizadas em contextos científicos e educativos.
O que se segue
Na sequência da votação, as organizações Speak Up Africa e Africa No Filter irão centrar-se na implementação em cinco áreas:
- O sistema das Nações Unidas: aplicar a resolução aos seus próprios relatórios, publicações e materiais destinados ao público, para que os Estados-Membros e as organizações internacionais disponham de um modelo a seguir.
- Educação: colaborar com os ministérios da Educação, a começar pelos Estados-Membros da União Africana, com vista a integrar mapas de área igual nos programas curriculares, nos manuais escolares e nos materiais didáticos.
- Meios de comunicação e edição: envolver as redações, as editoras e os órgãos editoriais na adoção de projeções precisas sempre que a dimensão relativa das regiões for relevante.
- Plataformas digitais: exortamos as empresas tecnológicas a alterarem as configurações predefinidas dos mapas nos casos em que a verdadeira escala dos continentes é relevante, reconhecendo que a maioria das pessoas hoje em dia conhece o mundo através de um ecrã.
- Acompanhamento dos progressos e prestação de contas: monitorizar a adoção de projeções de área igual por parte de governos, instituições, meios de comunicação social e plataformas digitais, destacar os primeiros a adotar esta prática e documentar os progressos ao longo do tempo.
Os parceiros pan-africanos têm um papel direto no que se segue. A Speak Up Africa e a Africa No Filter convidam os ministérios da Educação, os órgãos de comunicação social, as editoras, as universidades e as organizações da sociedade civil de todo o continente a manifestarem a sua adesão aos mapas de área igual, a partilharem materiais e lições e a serem reconhecidos como pioneiros nesta iniciativa. Convidamos os parceiros que pretendam aderir à fase de implementação a contactarem a campanha através do endereço abaixo indicado.
A votação
- A favor: 164, incluindo todos os Estados-Membros africanos presentes, o Reino Unido, a França, a Alemanha, o Canadá, a China, a Rússia, a Índia, o Japão, a Austrália e o Brasil.
- Contra: 1 (Estados Unidos).
- Abstenções: 6 (Estónia, Geórgia, Lituânia, República da Moldávia, Sérvia, Ucrânia).
Distribuído pelo Grupo APO para Speak Up Africa.
As entrevistas estão disponíveis em inglês e francês. Está disponível, mediante pedido, uma versão em francês deste comunicado, imagens da votação e gráficos comparativos entre as projeções de Mercator e Equal Earth
Contacto para a comunicação social:
Fara Ndiaye
Diretora Executiva Adjunta da Speak Up Africa
fara.ndiaye@speakupafrica.org
+221 33 822 49 22
Sobre a Speak Up Africa:
A Speak Up Africa é uma organização sem fins lucrativos dedicada à defesa de causas, sediada no Senegal. Fundada em 2011, a organização tem como objetivo impulsionar a liderança, promover mudanças políticas e sensibilizar para o desenvolvimento sustentável em África nas áreas da saúde, da equidade e da educação. A Speak Up Africa lidera, em conjunto com a Africa No Filter, a campanha “Correct the Map”. www.SpeakUpAfrica.org
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