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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
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Os especialistas presentes num painel de alto nível do Banco Africano de Desenvolvimento (www.AfDB.org), na quarta-feira, 27 de maio, afirmaram que sistemas financeiros mais sólidos e integrados serão fundamentais para ajudar África a mobilizar financiamento para o desenvolvimento em grande escala num contexto global fragmentado.
Moderada por Hassatou N’Sele, Vice-Presidente para as Finanças e Diretora Financeira do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, a sessão reuniu responsáveis de instituições financeiras, autoridades de supervisão e reguladoras, banqueiros centrais e especialistas em direito e financiamento do desenvolvimento de África e de outros continentes.
A sessão foi um dos quatro eventos de partilha de conhecimento organizados no âmbito dos Encontros Anuais de 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento, que decorrem em Brazzaville, na República do Congo.
Sob o tema ‘Fortalecer e Consolidar os Sistemas Financeiros e a Agência de África num Mundo em Mudança’, os oradores analisaram como mobilizar mais financiamento interno para o desenvolvimento para o continente.
N’Sele convidou Nobumitsu Hayashi, Governador do Banco Japonês de Cooperação Internacional, para abrir o debate com lições da experiência asiática. “O Japão é um parceiro consistente e de longo prazo para o desenvolvimento em África”, afirmou.
Hayashi considerou que a recuperação financeira do Japão após a Segunda Guerra Mundial e a recuperação da Ásia da crise financeira da década de 1990 sublinharam a importância da integração financeira regional, de mercados internos fortes e de mercados de obrigações em moeda local, apoiados por mecanismos de garantia de crédito.
“Estamos a realizar uma grande integração financeira, porque (esta é) o verdadeiro motor do crescimento económico sustentado nos países asiáticos”, afirmou Hayashi.
O debate centrou-se na forma como os parceiros de desenvolvimento podem ajudar a construir sistemas financeiros nacionais integrados, como os instrumentos de seguro e garantia podem desbloquear capital a longo prazo e como as reformas legais e regulatórias podem fortalecer a arquitetura financeira de África.
Os oradores também apontaram a Nova Arquitetura Financeira Africana para o Desenvolvimento (NAFAD) do Banco Africano de Desenvolvimento como uma iniciativa oportuna para ajudar a colmatar o défice anual de financiamento ao desenvolvimento de África, estimado em 400 mil milhões de dólares.
Membros do painel:
Dieudonné Fikiri Alimasi, primeiro vice-governador do Banco Central da República Democrática do Congo; Michel Dzombala, vice-governador do Banco dos Estados da África Central (BEAC); Ngueto Tiraïna Yambaye, diretor-geral e diretor executivo do Fundo Africano de Garantia e Cooperação Económica (FAGACE); Manuel Moses, Diretor Executivo da Seguradora Africana de Comércio e Investimento para o Desenvolvimento (ATIDI), Kalidou Gadio, Copresidente da Prática EUA-África na DLA Piper, EUA; Cedrick Motetcho, Diretor de Desenvolvimento de Negócios do Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA); e Carlos Lopes, Professor Honorário da Escola Nelson Mandela de Governação Pública na Universidade da Cidade do Cabo.
Principais conclusões:
Sobre a estabilização do quadro macroeconómico:
Dieudonné Fikiri Alimasi afirmou que a restauração da confiança nas moedas locais depende da estabilidade macroeconómica, incluindo a estabilidade cambial, a par de uma adoção mais rápida da tecnologia para melhorar a penetração bancária e acelerar a inclusão financeira.
Sobre o papel dos Bancos Centrais:
Michel Dzombala afirmou que os bancos centrais da região da CEMAC podem desempenhar um papel catalisador na mobilização de financiamento para as instituições financeiras regionais.
Sobre a mudança da perceção do risco:
Ngueto Tiraïna Yambaye afirmou que as instituições africanas devem trabalhar em conjunto de forma mais estreita para alterar a perceção do risco por parte dos investidores, salientando que os fundos de garantia africanos existentes ainda cobrem apenas uma pequena parte das necessidades de financiamento.
Sobre a Nova Arquitetura Financeira Africana para o Desenvolvimento (NAFAD):
Manuel Moses afirmou que África dispõe de recursos significativos que podem ser melhor mobilizados e que a NAFAD oferece um quadro para organizar esses esforços de forma mais eficaz a partir do próprio continente.
Sobre a remoção de barreiras:
Kalidou Gadio apelou a reformas para eliminar as restrições legais e regulamentares que limitam a utilização de capital, incluindo fundos soberanos, e afirmou que mercados mais profundos e unificados serão essenciais para ampliar o investimento.
Sobre as parcerias:
Cedrick Motetcho afirmou que as parcerias devem ser tratadas como uma forma prática de trabalhar, em vez de uma aspiração, permitindo que as instituições avancem mais rapidamente e utilizem as ferramentas de financiamento disponíveis de forma mais eficaz.
Sobre a reforma de políticas para apoiar a mobilização de recursos:
Carlos Lopes afirmou que as políticas macroeconómicas e financeiras devem fazer mais para apoiar a transformação estrutural e utilizar melhor o capital interno de longo prazo, incluindo os fundos de pensões.
Para concluir, N’Sele pediu aos membros do painel que identificassem as ações mais importantes a avançar antes dos próximos Encontros Anuais. Concordaram que o desafio de África não é a falta de recursos, mas a urgência de os mobilizar de forma mais eficaz.
“África tem o que é preciso, tem todos os ativos necessários para transformar as suas economias”, afirmou Alimasi.
Para ver a sessão, clique aqui (https://apo-opa.co/430tdAX).
Para mais informações sobre os Encontros Anuais de 2026 e para acompanhar as sessões, clique aqui (https://AM.AfDB.org).
Distribuído pelo Grupo APO para African Development Bank Group (AfDB).
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