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DIA  DAS  MÃES – Entre  missões  e  abraços:  a  maternidade  na  rotina  das  mulheres  da  Força  Aérea  Brasileira

DIA  DAS  MÃES – Entre  missões  e  abraços:  a  maternidade  na  rotina  das  mulheres  da  Força  Aérea  Brasileira

Source: Republic of Brazil 2

A farda, o compromisso com a missão e a disciplina fazem parte da rotina das mulheres da Força Aérea Brasileira (FAB). Mas, por trás de cada função exercida com precisão, existe também um outro papel, silencioso, intenso e cheio de significado: o de ser mãe.

Neste Dia das Mães, a FAB destaca histórias de mulheres que vivem diariamente o desafio de conciliar a carreira militar com a maternidade. Não se trata de equilíbrio perfeito, mas de escolhas constantes, adaptações e, acima de tudo, presença, mesmo quando a distância se impõe.

Uma trajetória construída com valores

Com 36 anos de carreira na FAB, a Major-Brigadeiro Médica Carla Lyrio Martins reúne, na própria história, a experiência de quem construiu uma trajetória sólida na vida militar sem abrir mão da maternidade. Mãe de Bruna, de 30 anos, e João Pedro, de 28, ela destaca o papel dos valores institucionais nesse caminho.

“A disciplina, o espírito de corpo, o profissionalismo, o respeito mútuo e a dignidade impulsionam tanto a progressão na carreira quanto o crescimento pessoal”, afirma.

Para ela, esses mesmos princípios também contribuem para a permanência e o fortalecimento da presença feminina na Força. A cultura militar, segundo a Oficial-General, valoriza a família e reconhece a importância dessa rede de apoio na construção de equipes fortes e coesas.

“Concilio com diálogo, carinho e compartilhamento de responsabilidades, fazendo o que é possível diante de cada momento. A carreira militar é dinâmica, oferece oportunidades e reconhece o valor da família”, destaca a militar.

Organização, Comando e maternidade

Para a Tenente-Coronel Aviadora Adriana Gonçalves Reis, conciliar a maternidade com a carreira militar exige organização, apoio e capacidade de adaptação. Comandante do 7° Esquadrão de Transporte Aéreo – Esquadrão Cobra, a Oficial destaca o planejamento como essencial no dia a dia. “Não é fácil. O que mais me ajuda é organização. Tento planejar bem minha rotina, do trabalho à logística de casa. Com uma filha pequena, qualquer detalhe faz diferença”, afirma.

Segundo a militar, o maior desafio é conciliar o tempo e lidar com a sensação de estar dividida. “Como Comandante de unidade aérea, eu sei que minhas decisões impactam diretamente operações e pessoas e isso exige presença, atenção e, muitas vezes, disponibilidade além do previsto. Conciliar com o desejo de estar presente na vida da minha filha nem sempre é fácil”, diz.

Apesar disso, ela destaca as conquistas. “Estar no Comando de uma unidade estratégica é uma grande realização. E, como mãe, saber que sou referência para minha filha é ainda mais especial”, completou. 

“Aprendi a estar inteira onde estou”

Para a Major Médica Evelyn Mattiuso, a maternidade não veio com respostas prontas e nem com a promessa de equilíbrio. Veio com aprendizados diários. Em uma rotina marcada por plantões, missões e responsabilidades, ela encontrou na organização e na consciência das escolhas uma forma de seguir. “Aprendi a estar inteira onde estou”, resume. No hospital ou em serviço, é médica militar por completo. Em casa, com as filhas, procura viver uma maternidade presente e inteira, feita de atenção, afeto e pequenos momentos que viram memórias.

“Nem sempre é fácil. Há dias em que o cansaço pesa. Em outros, a ausência cobra seu preço. A culpa materna aparece, especialmente quando precisa estar longe. A gente sente que está devendo em algum lugar”, admite.

Ainda assim, são os pequenos gestos que ressignificam tudo. “O orgulho das minhas filhas ao me verem de farda é algo que me emociona muito”, conta. É nesse olhar que ela encontra força e a certeza de que está ensinando, pelo exemplo, valores que vão acompanhar suas filhas por toda a vida.

Planejamento, disciplina e instinto materno

A Sargento Especialista em Serviços Administrativos Tatiane Machado representa outra face dessa realidade: a de quem vive intensamente diferentes fases da maternidade ao mesmo tempo. Ela é mãe de uma filha de 25 anos, de um casal de gêmeos de 2 anos e avó de uma bebê de 11 meses.

Para ela, a maternidade é uma das maiores dádivas, mas também uma missão que exige preparo. “A maternidade é uma das maiores bênçãos concedidas por Deus às mulheres. Contudo, conciliá-la com as exigências da carreira na FAB requer dedicação, disciplina e suporte familiar”, afirma.

Com gêmeos, os desafios se multiplicam e o ideal de perfeição dá lugar à adaptação. “Com gêmeos, a régua da perfeição quebra no primeiro mês. A FAB ensina a planejar a missão com efetivo e recurso limitados. Em casa é igual. São duas frentes de combate, e o planejamento vira instinto materno”, relata a Graduado.

Entre fardas, mamadeiras e despedidas rápidas, Tatiane constrói, dia após dia, uma trajetória feita de esforço, afeto e propósito. “A sua farda será o primeiro livro dos seus filhos: mais do que palavras, é o exemplo que forma. E não há escola mais poderosa do que a família. Na prática, a FAB e o lar não competem, se fortalecem e aprendem juntos”, ressalta.

Rede de apoio e inspiração na carreira militar

A Sargento Especialista em Controle de Tráfego Aéreo Larissa Valente destaca que a rotina de escalas, madrugadas e feriados tornou essencial uma rede de apoio familiar e institucional. “Ser mãe e ser militar não são papéis incompatíveis. Ambos exigem entrega, responsabilidade e compromisso e uma boa rede de apoio”, disse.

Atuando como Controladora de Tráfego Aéreo, afirma que a maternidade fortaleceu habilidades importantes para a profissão, como resiliência, tomada de decisão e administração do tempo. Ela também considera uma conquista servir de exemplo para a filha. “É possível ocupar espaços de liderança sem abrir mão do afeto e do cuidado familiar”, afirmou.

A militar ainda incentivou mulheres que desejam seguir carreira militar. “Não tenham medo de ocupar esse espaço. A presença feminina nas Forças Armadas é importante e necessária”, concluiu.

Equilibrando o “caos” com amor e propósito

A Sargento Especialista em Eletricidade e Instrumentos Tânia Gabriela de Borba Marinho conhece bem os desafios dessa jornada dupla. Para ela, conciliar a carreira militar com a maternidade exige mais do que organização: exige rede de apoio, resiliência e a capacidade de lidar com um cotidiano, muitas vezes, imprevisível.

“É um exercício constante de dedicação e disciplina”, explica. Entre escalas, demandas profissionais e a criação do filho, ela aprendeu que o equilíbrio não é algo fixo, mas construído dia após dia. “A gente precisa saber coordenar o ‘caos’ e, ao mesmo tempo, evitar se cobrar demais”, reflete.

Entre os momentos mais difíceis, está a ausência. Perder ocasiões importantes ou até pequenas rotinas do dia a dia do filho é uma realidade que pesa. “Às vezes, você precisa priorizar o trabalho mesmo quando queria estar ali, presente”, conta. 

Por outro lado, as conquistas dão sentido à escolha. Voltar de uma missão com a sensação de dever cumprido é motivo de orgulho. E, acima de tudo, existe a certeza de estar sendo exemplo.

“Meu filho está vendo uma mãe forte, disciplinada e independente. Isso também é uma forma de cuidado e amor”, afirma.

Quando a missão também educa

As histórias da Major-Brigadeiro Carla, da Tenente-Coronel Adriana, da Major Evelyn e das Sargentos Tatiane, Larissa e Gabriela, mostram que a maternidade, dentro da FAB, vai muito além das palavras. Ela se revela no cotidiano, nas escolhas difíceis, na ausência que ensina e na presença que transforma, todos os dias, de forma concreta.

No dia a dia, os filhos crescem observando de perto o exemplo das mães: responsabilidade, coragem e compromisso deixam de ser apenas conceitos e passam a fazer parte da rotina da casa. Mesmo nos momentos de maior desafio, é nesse olhar atento das crianças que muitas dessas mulheres encontram sentido para seguir.

Mais do que ensinar, essas mães também aprendem com o tempo, com os filhos e com a própria vida. E, nesse processo, constroem uma referência silenciosa, mas poderosa: a de força que acolhe, de equilíbrio possível e de determinação que inspira.

Sem esperar o momento perfeito

Entre diferentes gerações e trajetórias, há uma certeza em comum: não existe momento ideal para conciliar maternidade e carreira. “Ele não existe”, reforça a Major Evelyn.

A Sargento Tatiane concorda e deixa uma mensagem para quem sonha em trilhar esse caminho: “Se o seu sonho tem continência e choro de bebê, não desista nunca dele. A FAB não vai te pedir para escolher entre o choro e a divisa. Você vai precisar de disciplina, amor e coragem, além de um bom planejamento” afirma Sargento Tatiane.

“Ser mãe não te limita dentro da carreira militar, pelo contrário, te fortalece em muitos aspectos, como responsabilidade, resiliência e capacidade de adaptação. Portanto, não abram mão dos seus sonhos. É possível servir ao país com excelência e, ao mesmo tempo, construir uma família com amor e presença”, ressalta a Tenente-Coronel Adriana.

Neste Dia das Mães, a Força Aérea Brasileira celebra essas mulheres que vivem entre partidas e reencontros, entre a missão e o abraço, mostrando que, mesmo diante dos desafios, é o amor que sustenta todos os voos.

Feliz Dia das Mães a todas as mães do Brasil e da FAB.

Clique aqui e assista ao vídeo em homenagem às mães.

Fotos: FAB

MIL OSI