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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
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Farid Ghezali, Secretário-Geral da Organização Africana de Produtores de Petróleo (APPO), subirá ao palco da African Energy Week (AEW) 2026, que decorrerá de 12 a 16 de outubro na Cidade do Cabo. Ghezali lidera o organismo pan-africano que, juntamente com o Banco Africano de Exportação e Importação (Afrexibank), está a liderar o Banco Africano de Energia (AEB) — uma instituição marcante que se espera que entre em funcionamento em junho de 2026, em Abuja, na Nigéria. A sua confirmação na AEW coloca a arquitetura financeira em evolução de África no centro da agenda do evento.
Fundada em Lagos em 1987, a APPO cresceu de oito Estados-membros fundadores para 18, representando toda a amplitude das nações produtoras de petróleo de África, desde a Argélia e a Nigéria, a norte e a oeste, até à Namíbia e à África do Sul, a sul. Com sede em Brazzaville, no Congo, a organização passou por uma grande reforma em 2019, alargando o seu mandato para além da coordenação do mercado, de modo a facilitar ativamente o investimento e o financiamento em todo o continente. O AEB é o produto mais significativo desse mandato alargado até à data.
O banco foi concebido para preencher o vazio de financiamento criado pela retirada das instituições ocidentais dos projetos de petróleo e gás africanos. Com mais de 150 projetos essenciais paralisados em todo o continente devido a défices de capital, o mandato do AEB abrange toda a cadeia de valor, desde a exploração a montante e as infraestruturas a meio do processo até à distribuição a jusante. Fundado com uma capitalização inicial de 5 mil milhões de dólares, o banco tem como meta 10 mil milhões de dólares em investimentos na Fase 1, com o objetivo a longo prazo de angariar 15 mil milhões de dólares para projetos de petróleo e gás até 2030. A Nigéria entregou a sede do banco em Abuja à APPO e ao Afrexibank em fevereiro de 2026, sinalizando um passo crucial para o seu início operacional.
Para além do financiamento direto de projetos, Ghezali salientou o potencial do AEB para transformar a forma como as Empresas Petrolíferas Nacionais Africanas (NOC) acedem ao capital. As 18 NOC da APPO têm historicamente operado sem uma plataforma financeira comum, limitando a sua capacidade coletiva de atrair investimento em grande escala. Espera-se que o banco apoie a cotação das NOC, ligando os produtores soberanos aos mercados de capitais e aos fundos soberanos em grande escala, ao mesmo tempo que visa unificar os preços intra-africanos do petróleo e do gás para proporcionar até 30% de poupança nas importações de energia em todos os Estados-Membros.
«O AEB representa mais do que uma nova instituição financeira. É uma declaração de que África pretende controlar os termos do seu próprio desenvolvimento energético», afirmou NJ Ayuk, Presidente Executivo da Câmara Africana de Energia. «A APPO passou anos a construir as bases institucionais e o alinhamento dos Estados-Membros para tornar isto credível.»
A AEW 2026 — o maior encontro sobre energia de África — reunirá decisores políticos, promotores de projetos, financiadores e operadores para avaliar como a chegada do AEB irá remodelar o panorama do financiamento energético do continente. A intervenção de Ghezali deverá ser uma das sessões mais importantes do evento, numa altura em que o setor do petróleo e do gás africano atravessa uma mudança decisiva na forma como os seus projetos são financiados.
Distribuído pelo Grupo APO para African Energy Chamber.
