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AVIAÇÃO – Aviação  de  Caça:  um  legado  de  coragem  que  atravessa  gerações

AVIAÇÃO – Aviação  de  Caça:  um  legado  de  coragem  que  atravessa  gerações

Source: Republic of Brazil 2

Herdeira dos feitos dos Jambocks na Segunda Guerra Mundial, a Aviação de Caça completa, neste dia 22/04, 81 anos de trajetória e segue em constante evolução, levando o Brasil a uma nova era, com capacidade supersônica, tecnologia e poder de dissuasão por meio da entrega do primeiro F-39 Gripen produzido em solo brasileiro.

Para celebrar essa importante data da aviação brasileira, foi realizada, entre os dias 20 e 22/04, a Reunião da Aviação de Caça (RAC) 2026, na Base Aérea de Santa Cruz (BASC), no Rio de Janeiro (RJ).

Na ocasião, o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno; o Ex-Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato; os Oficiais-Generais do Alto-Comando da Aeronáutica; e demais Oficiais-Generais, Oficiais e Graduados de ontem e de hoje da Força Aérea Brasileira (FAB) se reuniram para compartilhar vivências, debater doutrinas e aprimorar a integração operacional.

Reunião da Aviação de Caça

Durante o ciclo de reuniões doutrinárias, que contaram com a presença de diversos Oficiais da Ativa e da Reserva, o Comandante da Aeronáutica conduziu uma apresentação abordando o legado dos veteranos, o cenário atual e as projeções para o futuro da Aviação de Caça brasileira.

Em sua palestra, o Tenente-Brigadeiro Damasceno abordou os desafios que a Força Aérea Brasileira enfrenta diante do atual cenário global de conflitos e destacou a necessidade de manter elevados níveis de prontidão, preparo e eficiência. Nesse contexto, ressaltou a importância de projetos estratégicos que fortaleçam a capacidade operacional e a autonomia do País, como a produção do F-39E Gripen em território nacional.

“No geral, esses domínios e dimensões do poder, que temos hoje, além de outros grandes campos, conseguimos identificar o que acontece no mundo nesses quatro campos, sendo eles a guerra cibernética, a guerra autônoma, a conquista do espaço e empregos de drones aliados a IA. Isso mostra o caminho que a Força Aérea deve seguir. E todos acompanharam o momento bastante interessante do chama do Brasil Supersônico, em que teve como foco principal o primeiro F-39E Gripen montado no Brasil”, pontuou o Comandante da Aeronáutica.

Tratando de temas como o emprego da inteligência artificial no combate aéreo, o desenvolvimento de sistemas nacionais de vigilância e ataque, a modernização de armamentos, a defesa antiaérea, a ampliação das capacidades de radar, além dos avanços na formação de pilotos e na estrutura operacional da caça, o Comandante de Preparo, Tenente-Brigadeiro do Ar Raimundo Nogueira Lopes Neto, destacou a necessidade de constante aperfeiçoamento profissional, rigor na formação e elevada prontidão física, como pilares para manter a Aviação de Caça em níveis cada vez mais elevados de eficiência e capacidade operacional.

“A principal mensagem foi apresentar aos jovens pilotos as atualizações mais recentes no campo do preparo, alinhadas às exigências atuais da Força Aérea Brasileira. Além disso, destacar a necessidade de adoção de linhas de ação inovadoras, que se reinventem continuamente diante de um cenário desafiador, garantindo que a Aviação de Caça permaneça eficaz e pronta para cumprir sua missão”, destacou o Tenente-Brigadeiro Nogueira.

Ainda durante a RAC 2026, os militares puderam participar do Simpósio da Caça, da palestra da Associação Brasileira de Pilotos de Caça (ABRA-PC), do Torneio da Aviação de Caça, entre outras atividades.

Ópera do Danilo

Como parte da programação, integrantes do Primeiro Grupo de Aviação de Caça (1° GAVCA) emocionaram e envolveram o público com a encenação da célebre Ópera do Danilo. A apresentação resgata, com sensibilidade, humor e intensidade, a marcante trajetória do então Tenente Danilo Marques Moura, que, após ter sua aeronave abatida por fogo antiaéreo durante missão na Segunda Guerra Mundial, protagonizou uma impressionante jornada de sobrevivência em território inimigo.

Ao longo de 30 dias, percorreu cerca de 340 quilômetros até alcançar uma base aliada, contando com coragem, astúcia e o apoio da população local. Mais do que uma encenação, a obra — concebida pelo Tenente Aviador Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca — reafirma valores como bravura, perseverança e patriotismo, eternizando um dos episódios mais emblemáticos da história da Aviação de Caça brasileira.

Cerimônia do P-47

Em continuidade às atividades da RAC, no dia 22/04, foi realizada a tradicional Cerimônia do P-47, um momento dedicado a preservar a memória de coragem, determinação, espírito de equipe e altruísmo dos veteranos. O acendimento da pira — símbolo da chama do ideal que move o piloto de caça — foi realizado pelo Tenente Aviador Bruno Eiras da Cruz ao som do Hino Guarani. Logo após, o Comandante do 1° GAVCA, Tenente-Coronel Gusttavo Freitas de Souza, ressaltou, em seu discurso, o heroísmo e a bravura dos pilotos brasileiros na Segunda Guerra Mundial, que foram reverenciados com honras militares e uma salva de tiros realizada pela guarda fúnebre, durante a solenidade.

Na sequência, o Comandante da Aeronáutica, que presidiu a solenidade, acompanhado do Presidente da ABRA-PC e Veterano, Brigadeiro do Ar Teomar Fonseca Quírico, e o Tenente-Coronel Aviador Freitas, prestaram uma homenagem ao Brigadeiro do Ar Nero Moura, primeiro e eterno Comandante do 1° GAVCA, cujos restos mortais repousam na praça da lendária aeronave P-47. Ao som da canção Carnaval em Veneza, o Veterano hasteou a “Flâmula do Jambock”, utilizada nos acampamentos na Itália durante o conflito.

“A Aviação de Caça representa a expressão máxima da capacidade de resposta imediata do Estado brasileiro na defesa do seu espaço aéreo. É uma aviação que combina prontidão permanente, elevada precisão e forte poder de dissuasão, constituindo-se em elemento essencial para a garantia da soberania nacional e para a proteção dos interesses estratégicos do Brasil, exatamente como nossos heróis fizeram e nos transmitiram esse legado de glórias e sucesso, que hoje enaltecemos com orgulho”, destacou o Comandante de Operações Aeroespaciais, Tenente-Brigadeiro do Ar Alcides Teixeira Barbacovi.

Cerimônia Militar

Em ato contínuo, os presentes se dirigiram ao pátio operacional da BASC onde, presidida pelo Tenente-Brigadeiro Damasceno, foi realizada a solenidade militar alusiva ao Dia da Aviação de Caça. Também prestigiaram o evento o Ex-Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, e demais autoridades civis e militares, além de amigos e familiares dos veteranos do 1° GAVCA.

O momento marca a entrega de troféus aos pilotos de cada Unidade Aérea, que obtiveram destaque nos campos operacional, intelectual e desportivo no ano de 2025; a concessão do Prêmio Pacau-Magalhães Motta, que visa estimular o estudo e a pesquisa de assuntos referentes ao emprego da aviação de caça; e a imposição da Medalha Mérito Operacional Brigadeiro Nero Moura.

Durante a leitura da Ordem do Dia foi ressaltado que o 22 de abril vai além de uma data simbólica, constituindo um marco que define a identidade da Aviação de Caça e conecta passado, presente e futuro. Forjada nos combates da Segunda Guerra Mundial, essa Aviação nasceu do sacrifício, da coragem diante da adversidade e do compromisso absoluto com a missão. Sob a liderança do então Major Aviador Nero Moura, o 1° GAVCA foi moldado não apenas como uma unidade operacional, mas como um símbolo de espírito, confiança e liderança pelo exemplo, evidenciados em ações decisivas como as intensas surtidas realizadas em abril de 1945. Assim, a trajetória da Aviação de Caça consolida-se como uma herança viva de valores que seguem inspirando gerações de combatentes do ar.

Ademais, como forma de perpetuar a memória e consagrar a herança desses combatentes brasileiros que escreveram uma das mais notáveis páginas da história nacional, o Comandante da Aeronáutica realizou, ainda, a assinatura da Portaria que institui a homenagem aos heróis da Aviação de Caça e amplia esse reconhecimento a todas as Organizações Militares (OMs) da FAB, estendendo inteiramente à Instituição o culto ao sacrifício empreendido por esses nobres combatentes. Como marco deste ato, foi entregue um quadro histórico aos Comandantes das Unidades Aéreas, que ficará exposto em local de destaque nas OMs.

Outros momentos relevantes da solenidade foram os sobrevoos dos caças A-1M, A-29 Super Tucano, F-5M Tiger II e F-39 Gripen que enriqueceram a cerimônia. O desfile da tropa, composta por militares da BASC e pilotos de caça da ativa e da reserva, acompanhados pelos veículos militares do Clube de Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro (CVMARJ), foi realizado ao som do hino da Aviação de Caça. Em seguida, aconteceu o lançamento do livro “Um voo na história”, obra que resgata a trajetória do Brigadeiro Nero Moura e sua contribuição para a Aviação de Caça brasileira.

Medalha Mérito Operacional Brigadeiro Nero Moura

Imposta pelo Tenente-Brigadeiro Damasceno aos Comandantes do Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1°/14° GAV) – Esquadrão Pampa; do 1° GAVCA – Esquadrão Jambock; do Primeiro Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (1°/3° GAV) – Esquadrão Escorpião; e do Segundo Esquadrão do Terceiro Grupo de Aviação (2°/3° GAV) – Esquadrão Grifo, a Medalha Mérito Operacional Brigadeiro Nero Moura foi instituída pelo decreto número 7.085, de 29 de janeiro de 2010, por ocasião das comemorações do Centenário de nascimento do Brigadeiro Nero Moura.

A comenda é uma distinção concedida a militares do Comando da Aeronáutica (COMAER) que exerceram ou exerçem o cargo de Comandante de Unidade Aérea e aos veteranos do 1° GAVCA, por sua conduta em prol da operacionalidade.

Origem de um legado

A história da Aviação de Caça na FAB começou a ser escrita com sangue, suor e coragem durante a Segunda Guerra Mundial. O 1° Grupo de Aviação de Caça foi criado em 1943 e, após treinamento no Panamá e nos Estados Unidos, foi enviado ao Teatro de Operações Europeu, mais precisamente na Itália, onde seus pilotos voaram o lendário P-47 Thunderbolt. A atuação desta distinta Unidade foi preponderante para a causa aliada, sobretudo na Ofensiva da Primavera e, pelos seus feitos, a ela foi concecidada a mais alta condecoração das Forças Armadas Americanas: a Presidential Unit Citation, ou Citação Presidencial de Unidade. Além de reconhecimento internacional, seu legado lançou as bases de uma cultura aguerrida e operacional que se mantém viva até hoje.

Texto: Tenente Myrea Calazans / CECOMSAER

Fotos: Suboficial Domingues e Sargento Caio / 1° GAVCA, Sargentos Rezende, Izabele, Luan / 1°/7° GAV e Sacramento / BASC

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