Post

Conferência das Partes (COP27): Banco Africano de Desenvolvimento apresenta o seu relatório sobre Perspetivas Económicas Africanas 2022, centrado na resiliência climática e na transição energética justa

Conferência das Partes (COP27): Banco Africano de Desenvolvimento apresenta o seu relatório sobre Perspetivas Económicas Africanas 2022, centrado na resiliência climática e na transição energética justa

MIL OSIABIDJAN, Costa do Marfim, 21 de november 2022/APO Group/ —

“Para ter sucesso, as partes interessadas na COP27 devem abordar rapidamente as lacunas no financiamento climático da África – 108 mil milhões de dólares por ano até 2030 -, tomar medidas sobre o Fundo de Perdas e Danos, e iniciar discussões sobre reformas para adaptar os fluxos de financiamento climático à crescente vulnerabilidade climática dos países”, foram as principais recomendações feitas pelo Economista-Chefe Interino e Vice-Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (https://www.AfDB.org), Kevin Urama, durante a apresentação do relatório Perspetivas Económicas Africanas 2022 (http://bit.ly/3N2wOWh), na COP27.

Intitulado “Apoiar a Resiliência Climática e uma Transição Energética Justa em África”, o relatório do Banco destaca a crescente ameaça que as alterações climáticas representam para as vidas e rendimentos das pessoas no continente. Salienta a necessidade dos países africanos tirarem partido das oportunidades oferecidas pela transição verde e as alterações climáticas.

Apesar de ter 17% da população mundial, a África representa apenas 3% das emissões acumuladas de gases com efeito de estufa do mundo. Contudo, as alterações climáticas e os fenómenos climáticos extremos estão a afetar gravemente o continente, com dramáticas consequências económicas, sociais e ambientais para a sua população.

As Perspetivas Económicas Africanas indicam que a pandemia de Covid-19 e a guerra entre a Rússia e a Ucrânia podem ter impactos devastadores a longo prazo no continente. Já cerca de 30 milhões de pessoas em África foram empurradas para a pobreza extrema até 2021 e cerca de 22 milhões de empregos foram perdidos no mesmo ano em resultado da pandemia. Esta tendência pode continuar na segunda metade de 2022 e em 2023.

A perturbação económica causada pela guerra russo-ucraniana poderia empurrar mais 1,8 milhões de pessoas para a pobreza extrema em 2022, aumentando para 2,1 milhões até 2023.

Neste contexto, o Economista chefe Interino do Grupo Banco apela a todos os intervenientes na COP27 para que levem a sério o financiamento climático e as transições energéticas justas em África. “Honrar o compromisso anual de financiamento climático de 100 mil milhões de dólares feito pelos países de alto rendimento aos países em desenvolvimento, em 2009, ajudará a restaurar a confiança de que estamos a levar a sério as alterações climáticas, mesmo que não seja suficiente”, disse Kevin Urama.

“O Fundo Africano de Desenvolvimento (http://bit.ly/3UplaHv), a janela de empréstimos concessionais do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, é o veículo ideal para ajudar os países frágeis e vulneráveis ao clima a acederem ao financiamento climático. Isto pode ajudar a acelerar o ritmo da ação climática nestes países, uma vez que o Fundo gera um efeito de alavancagem, quadruplicando o fluxo de financiamento”, disse o Vice-Presidente do Banco.

“África é o lar da maioria dos minerais verdes do mundo: lítio, níquel, cobalto, manganês, terras raras, cobre, alumínio e minerais naturais. Estes recursos oferecem a África um enorme potencial para se tornar o líder global nos mercados emergentes para um desenvolvimento resistente ao clima”, apontou o Sr. Urama. “Para o conseguir, é essencial que estejam em vigor políticas que garantam a mobilização de fluxos de capital privado. O investimento contínuo em fontes de energia de carbono intensivo apresenta riscos significativos de perda de ativos à medida que as tecnologias, políticas e mercados mudam cada vez mais para a transição verde”, sublinhou.

O responsável do Banco salientou também a importância de ter em conta as necessidades financeiras dos países africanos para apoiar a resiliência climática e a transição energética justa.

“É importante ter uma conversa franca sobre as perdas e danos que os países africanos estão a enfrentar devido aos impactos das alterações climáticas”, sublinhou o vice-presidente Urama. “O atual quadro financeiro climático favorece os países mais resilientes em relação àqueles que são mais suscetíveis aos efeitos das alterações climáticas. Esta distribuição do financiamento climático é problemática, coloca sérios problemas para a África”, alertou.

No total, nove dos dez países mais vulneráveis às alterações climáticas são africanos. Além disso, o impacto das alterações climáticas na vida e nos rendimentos das pessoas no continente já custa entre 5 e 15% do crescimento anual do PIB per capita em África.

A edição de 2022 das Perspetivas Económicas Africanas fornece opções políticas baseadas em evidências para promover o crescimento inclusivo e o desenvolvimento sustentável em África, construindo a resiliência climática e uma transição energética justa.