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Financiamento em Comum: Vamos explorar o ímpeto em torno das alterações climáticas para potenciar a agricultura – Oradores

Financiamento em Comum: Vamos explorar o ímpeto em torno das alterações climáticas para potenciar a agricultura – Oradores

MIL OSIABIDJAN, Costa do Marfim, 21 de outubro 2022/APO Group/ —

Os bancos de desenvolvimento em África podem aproveitar as atuais crises globais como um impulso para ajudar o continente a aumentar significativamente a produção alimentar. Esta foi a conclusão comum dos membros do painel da cimeira do Financiamento em Comum (https://bit.ly/3VAI1Bm) deste ano, em Abidjan, na quarta-feira.

Os participantes concordaram que os parceiros de desenvolvimento deveriam trabalhar com governos e outros decisores políticos para reforçar a capacidade de resistência das empresas privadas, especialmente as lideradas por mulheres.

Os membros do painel incluíram Beth Dunford, Vice-Presidente para a Agricultura e Desenvolvimento Humano e Social do Banco Africano de Desenvolvimento; Ijeoma Ozulumba, Diretor Executivo e Financeiro do Banco de Desenvolvimento da Nigéria; James Mwangi, Diretor Geral do Grupo e Diretor Executivo Equity Group Holdings; e Admassu Tadesse, Diretor Executivo do Banco de Comércio e Desenvolvimento.

O painel de discussão, com o tema ‘Desbloquear a recuperação inteligente e inclusiva em África através do setor privado’, foi um dos vários presentes na cimeira de três dias que analisou a forma como os bancos multilaterais de desenvolvimento podem trazer soluções tangíveis para os desafios de desenvolvimento de África.

O Banco Africano de Desenvolvimento e o Banco Europeu de Investimento coorganizaram a cimeira sob o tema Transição Verde e Justa para uma Recuperação Sustentável para realçar o papel dos bancos públicos de desenvolvimento na recuperação de África, que enfrenta os impactos da pandemia de Covid-19, as alterações climáticas, e a guerra da Rússia na Ucrânia. As reuniões decorrem a menos de um mês da conferência das Nações Unidas sobre o clima, a COP27, que começa em novembro em Sharm el Sheikh, no Egito.

Dunford destacou várias iniciativas do Banco Africano de Desenvolvimento para reforçar a inclusão financeira, particularmente através da capacitação das mulheres através da digitalização e do desenvolvimento de capacidades para tornar as suas atividades financiáveis.

Ela disse que muitas mulheres em atividade na África Subsaariana consideram desafiante obter crédito a preços acessíveis devido a uma conceção errada de que o seu género as torna mutuárias de alto risco. Dunford disse que o Banco Africano de Desenvolvimento estava a trabalhar para mudar a mentalidade que categoriza as mulheres como não sendo dignas de crédito.

“No Banco Africano de Desenvolvimento e na nossa estratégia de género, estamos a analisar o empoderamento económico das mulheres em tudo o que fazemos”, salientou Dunford. “Em cada operação no banco, há o reconhecimento de que o empoderamento das mulheres é a chave para a concretização do crescimento. A estratégia está a dar frutos através da redução da pobreza entre as famílias”, acrescentou.

Dunford disse que o programa Ação Financeira Afirmativa para as Mulheres em África (AFAWA) do banco manteve o seu objetivo de colmatar a lacuna de financiamento de 42 mil milhões de dólares para as mulheres.

Ela disse que o Banco Africano de Desenvolvimento estava também a certificar-se de que há espaço para o setor privado à medida que os governos se voltam para o mercado doméstico para mobilizar crédito devido às condições globais mais restritivas.

Tadesse disse que a África deve usar a ação climática para estimular a agricultura e as infraestruturas resistentes ao clima para impulsionar rapidamente a produção de alimentos.

“O que realmente precisa de ser feito agora é recentrarmo-nos nas medidas do lado da oferta porque as alterações climáticas, a pandemia de Covid-19 e os novos choques provenientes da guerra na Ucrânia deixaram para trás graves problemas de abastecimento. É isso que está a conduzir à inflação, à insegurança alimentar, à insegurança energética e a todas as frentes”, elencou.

O CEO do Banco de Comércio e Desenvolvimento disse que as atuais perdas alimentares representam 8% das emissões de gases com efeito de estufa e que combatê-las seria uma ação climática. “Se investirmos apenas na agricultura, armazenamento e cadeias de frio, apenas para conter as perdas, isso contribuirá significativamente para enfrentar as alterações climáticas”.

Tadesse reiterou o apelo à canalização de mais Direitos Especiais de Saque (SDR) do Fundo Monetário Internacional para África. “Queremos ver mais SDR fluir através de África, e se não fluir, então será uma oportunidade perdida”.

Mwangi apelou a uma colaboração mais forte entre países e parceiros de desenvolvimento para uma recuperação rápida. “Vejo-nos a avançar cada vez mais no planeamento de cenários, e à medida que a situação evolui muito rapidamente, trabalhar em conjunto e aprender uns com os outros fará com que cresçamos”, salientou.

Os membros do painel discutiram também as atuais volatilidades cambiais, o aumento dos custos do crédito e a boa governação na gestão do desenvolvimento das instituições financeiras. Extraindo da experiência do Banco de Desenvolvimento da Nigéria, Ozulumba disse: “A governação é central para a construção de um banco de desenvolvimento, e a Nigéria é um bom modelo a seguir com eficiência nas operações”.

O vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, Thomas Östros, moderou o painel.