Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Assembleia Geral reitera rejeição a embargo dos Estados Unidos contra Cuba
28 Outubro 2026 Assuntos da ONU
Resolução foi adotada por 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, nesta quarta-feira; autoridades cubanas dizem que medida, imposta na década de 1960, levou à crise energética e humanitária na ilha caribenha.
Esta quarta-feira, a Assembleia Geral da ONU voltou a rejeitar o embargo unilateral que os Estados Unidos mantêm contra Cuba desde 1960, o qual levou a uma crise energética, agravando a situação humanitária da ilha.
A resolução que rejeita o bloqueio foi aprovada por 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções, em comparação com 165 votos a favor, 7 contra e 12 abstenções no ano anterior. Todos os países de língua portuguesa votaram pelo fim do embargo.
Mudanças em 33 votações
A Assembleia Geral já apelou ao fim do embargo, imposto pela primeira vez em 1960, em 33 ocasiões anteriores.
O apoio cresceu significativamente desde a primeira votação, em 1992, quando 59 países votaram a favor da resolução, três contra, 71 se abstiveram e 46 não votaram.
A votação atingiu o máximo de 191 votos a favor em 2015, 2016 e 2017, durante o período de aproximação entre os dois países sob a presidência de Barack Obama. Os Estados Unidos e Israel votaram contra em 2015 e 2017. Em 2016, ambos se abstiveram.
Alguns países mudaram de posição com as mudanças de governo, mas muitos mantêm a mesma orientação há décadas. O Canadá, a China e a Rússia votam há muito a favor, enquanto os Estados Unidos, apoiados por Israel, votaram contra todos os anos, com uma única exceção.
Reprodução A votação da Assembleia Geral da ONU para encerrar o embargo dos EUA a Cuba foi aprovada com 130 votos a favor em 28 de outubro de 2026.
Um cerco cada vez mais apertado
O debate deste ano decorre numa altura em que o governo do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, reforçou o embargo, uma medida que conduziu a uma crise energética e a um possível colapso humanitário, segundo o coordenador da ONU em Cuba, Francisco Pichon.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, também alertou para o impacto da escassez de energia na saúde.
Em maio, altos responsáveis da ONU informaram que mais de 100 mil intervenções cirúrgicas tinham sido adiadas.
Atrasos em vacinação
As autoridades cubanas têm assinalado repetidamente outros danos no sistema de saúde, incluindo atrasos nos programas de vacinação e dificuldades dos doentes crônicos em obter um fornecimento regular de medicamentos.
Este ano, Trump também levantou a possibilidade de uma intervenção militar em Cuba.
Sucessivos altos-comissários das Nações Unidas para os Direitos Humanos e peritos independentes da ONU condenaram o embargo e outras sanções unilaterais dos Estados Unidos, alertando para a ameaça que representam para os direitos dos cubanos à saúde, à vida, à alimentação e ao desenvolvimento.
© Unsplash/iggii Trânsito atravessa o centro de Havana, Cuba. Bloqueio econômico teve início em 1960
Tensões chegam ao plenário
Estas tensões tornaram-se visíveis no plenário na terça-feira, quando o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, interrompeu a intervenção do embaixador americano, Mike Waltz, para suscitar uma questão de ordem.
A troca de palavras transformou-se numa discussão acesa entre os dois, levando a presidente da Assembleia Geral a suspender brevemente a sessão. O debate foi depois retomado sem novos incidentes.
Waltz rejeitou a premissa do debate, argumentando que a crise de Cuba era responsabilidade do próprio governo e não do embargo.
Ele negou a existência de um bloqueio. Se houvesse, argumentou, não seria possível explicar as exportações dos Estados Unidos para Cuba, nem os envios provenientes do Canadá, de Espanha, do México, da China, da Rússia, da União Europeia e das agências da ONU.
A riqueza do país não tinha desaparecido, afirmou, mas tinha passado das mãos dos cidadãos cubanos comuns para as da elite governante.
O que diz a resolução
Tal como em anos anteriores, o texto elaborado por Cuba reafirma a igualdade soberana dos Estados e os princípios de não intervenção e não ingerência nos seus assuntos internos.
Acresce a liberdade de comércio e de navegação internacionais, princípios consagrados em numerosos instrumentos jurídicos internacionais.
O texto manifesta também preocupação com leis como a Lei Helms-Burton, promulgada pelos Estados Unidos em 12 de março de 1996.
Segundo a resolução, os efeitos extraterritoriais comprometem a soberania de outros Estados, os interesses legítimos de pessoas e entidades sob a sua jurisdição e a liberdade de comércio e de navegação.
A resolução apela a todos os Estados para que se abstenham de adotar medidas desta natureza e insta aqueles que ainda as aplicam a revogá-las.
