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O relançamento do Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique e o impulso à produção de eletricidade a partir do gás marcam o debate sobre investimentos na African Energy Week (AEW) 2026

O relançamento do Gás Natural Liquefeito (GNL) em Moçambique e o impulso à produção de eletricidade a partir do gás marcam o debate sobre investimentos na African Energy Week (AEW) 2026

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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –

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O setor do gás de Moçambique está a entrar na sua fase mais ativa da última década. Os projetos de GNL em grande escala estão de volta à fase de desenvolvimento, as infraestruturas nacionais de conversão de gás em eletricidade estão a expandir-se e o governo está a perseguir metas de energias renováveis a par das suas ambições no setor a montante.

Uma sessão dedicada na African Energy Week (AEW) 2026, intitulada «Investir em Moçambique: Desbloquear a principal fronteira africana de gás e exploração a montante», irá explorar como estes desenvolvimentos estão a remodelar o panorama energético e de investimento do país.

A sessão surge num momento crucial para o setor do gás do país. Em janeiro de 2026, a TotalEnergies anunciou o reinício total do projeto Mozambique LNG após uma suspensão de quase cinco anos. Mais de 4 000 trabalhadores estão agora mobilizados, foram adjudicados contratos no valor de 4 mil milhões de dólares a empresas moçambicanas e a primeira produção de GNL está prevista para 2029. O projeto representa um investimento total de cerca de 20 mil milhões de dólares e irá produzir 12,9 mtpa a partir da concessão da Área 1 na Bacia de Rovuma.

Outros projetos de GNL estão a avançar em todo o país. A Eni tomou uma decisão final de investimento em outubro de 2025 relativamente ao projeto de GNL flutuante Coral North, no valor de 6 a 7 mil milhões de dólares, que irá adicionar 3,6 mtpa a partir de 2028, a par do já operacional Coral South. O projeto Rovuma LNG da ExxonMobil, no valor de 24 mil milhões de dólares, ultrapassou uma etapa importante da engenharia preliminar e está a avançar para uma decisão final de investimento. Em conjunto, estes três projetos poderão elevar a capacidade combinada de GNL de Moçambique para mais de 25 mtpa no início da década de 2030.

A vertente de conversão de gás em energia elétrica é igualmente importante para colmatar o défice de eletrificação do país. A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos está a trabalhar para reforçar a infraestrutura nacional de gasodutos e logística, para que o gás da Bacia de Rovuma possa abastecer Moçambique, bem como os seus clientes internacionais. O governo deixou claro que espera que o setor do gás contribua para a industrialização do país, não só através das receitas de exportação, mas também através da criação de emprego, do desenvolvimento de fornecedores locais e da expansão do acesso à energia para as famílias e empresas moçambicanas.

Moçambique possui também um potencial significativo em energias renováveis, o que acrescenta mais uma dimensão ao debate que decorre na AEW 2026. A energia hidroelétrica já representa cerca de 70% da produção de eletricidade do país — impulsionada pela central de Cahora Bassa, com 2 075 MW — e a Estratégia de Transição Energética Justa do governo tem como meta adicionais 2 a 4 GW de energia hidroelétrica e 2 GW de energia solar até 2030. Os concursos para projetos solares à escala de rede estão a avançar, e as soluções fora da rede são fundamentais para a meta de eletrificação universal até ao final da década.

«Durante anos, falámos do potencial de gás de Moçambique no futuro. Com o reinício do Moçambique LNG, o avanço do Coral North e o Rovuma LNG a caminhar para uma decisão final de investimento, o debate mudou», afirma NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. «Agora trata-se de concretização, e a AEW 2026 será o local onde o setor fará um balanço do que isso significa para o país e para o continente.»

Esta sessão dedicada ao investimento em Moçambique terá lugar no âmbito da AEW 2026, na Cidade do Cabo, de 12 a 16 de outubro.

Distribuído pelo Grupo APO para African Energy Chamber.