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Source: Africa Press Organisation – Portuguese –
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Lerato D. Mataboge, Comissária para as Infraestruturas e a Energia da União Africana (UA), juntou-se à próxima Conferência e Exposição da African Energy Week (AEW) — que decorrerá de 12 a 16 de outubro na Cidade do Cabo — na qualidade de oradora. A sua participação coloca a voz institucional da UA no centro do evento, num momento em que o organismo continental está a passar da arquitetura política para a execução e a tornar-se cada vez mais veemente quanto às condições que aceitará e não aceitará dos parceiros internacionais.
Mataboge tem sido uma das vozes africanas mais claras a contestar os termos do debate sobre a transição energética global. No Fórum Económico Mundial em Davos, em janeiro de 2026, ela desafiou a narrativa dominante, argumentando que a energia de base é um pré-requisito inegociável para a industrialização africana e que o continente não pode ser avaliado pelos mesmos parâmetros aplicados a economias que já dispõem de eletricidade fiável. África detém cerca de 20% dos recursos de urânio identificados no mundo, mas representa menos de 1% do consumo global de eletricidade nuclear, uma disparidade que ela citou como emblemática de um padrão mais amplo de riqueza em recursos que ainda não se traduziu em soberania energética.
Num discurso proferido na Cidade do Cabo em março, Mataboge observou que África tem aproximadamente 245 GW de capacidade de produção instalada, enquanto o consumo de eletricidade ronda os 600 kWh por pessoa por ano, cerca de cinco vezes abaixo da média global. Colmatar esta lacuna significa ligar entre 90 e 100 milhões de pessoas adicionais à rede elétrica anualmente, o que requer cerca de 200 mil milhões de dólares em investimento anual até 2030, contra um nível de investimento anual atual de aproximadamente 45 mil milhões de dólares.
O mandato de Mataboge na UA consiste em construir a arquitetura institucional capaz de começar a mobilizar esse capital em grande escala. Ela supervisiona a operacionalização do Mercado Único Africano de Eletricidade (AfSEM), que visa integrar os fragmentados consórcios regionais de energia do continente num mercado de eletricidade unificado, a par do Plano Diretor dos Sistemas de Energia Continentais e do Plano Decenal de Investimento em Infraestruturas para a Conectividade Transfronteiriça, o principal conjunto de projetos da UA para projetos de transmissão e geração. Estas estruturas têm vindo a ser desenvolvidas há anos, mas o desafio tem sido transformá-las em propostas viáveis que atraiam capital privado. Na AEW 2026, esse argumento será apresentado aos investidores e promotores que podem agir em conformidade.
«A Comissária Mataboge é o elo institucional entre as ambições energéticas continentais de África e os investidores e promotores que podem torná-las realidade», afirmou NJ Ayuk, Presidente Executivo da Câmara Africana de Energia. «A sua mensagem é clara: África não subordinará as suas necessidades de desenvolvimento a condições de financiamento externo que nunca foram concebidas a pensar neste continente. A AEW é o local certo para ter essa conversa, e o momento certo.»
A AEW 2026 — o principal evento de energia de África — reúne os principais decisores políticos, financiadores, promotores e operadores de África para fazer avançar a agenda energética do continente. O discurso da Comissária Mataboge colocará o quadro institucional da UA e o défice de financiamento que esta procura colmatar no centro das atenções.
Distribuído pelo Grupo APO para African Energy Chamber.
