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DATA  COMEMORATIVA – Dia  do  Especialista  de  Aeronáutica:  profissionalismo,  história  e  pioneirismo  feminino  na  FAB

DATA  COMEMORATIVA – Dia  do  Especialista  de  Aeronáutica:  profissionalismo,  história  e  pioneirismo  feminino  na  FAB

Source: Republic of Brazil 2

No dia 25 de março, a Força Aérea Brasileira (FAB) celebra o Dia do Especialista de Aeronáutica, data dedicada a homenagear e valorizar esses profissionais essenciais à Instituição, que, há mais de oito décadas, são formados pela FAB e contribuem para a proteção dos céus do Brasil. Um caminho marcado por Disciplina, Amor e Coragem.

A FAB conta com um expressivo efetivo de Especialistas na ativa, fundamentais para o cumprimento de suas missões em todo o território nacional. Atualmente, são 25 Coronéis, 53 Tenentes-Coronéis, 81 Majores, 317 Capitães, 529 Primeiros-Tenentes e 394 Segundos-Tenentes, além de um contingente robusto de Graduados, composto por mais de 3.500 Suboficiais, 5.300 Primeiros-Sargentos, 7.600 Segundos-Sargentos e 4.200 Terceiros-Sargentos.

Para o Sargento Especialista e m Mecânica de Aeronaves Gabriel da Silva Santiago, que atua como inspetor de motores dos caças F-39 Gripen, pertencentes ao Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1° GDA), na Base Aérea de Anápolis (BAAN), o trabalho realizado representa uma elevada responsabilidade. O militar faz parte de um contingente de profissionais altamente capacitados, essenciais para a manutenção da frota aérea e para a operação segura das aeronaves da Força Aérea Brasileira. “É motivo de grande orgulho atuar na manutenção do Gripen. Cada tarefa executada carrega a responsabilidade de garantir a segurança de voo. Trabalhar com uma das aeronaves mais modernas do mundo exige excelência e precisão. Contribuir para a defesa e soberania do espaço aéreo brasileiro é uma honra”, destacou o Sargento Santiago. 

Nesse contexto, o controle do tráfego aéreo, coordenado pela FAB por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), destaca a relevância da atuação de seus especialistas, como a Sargento Bruna Marques da Silva, que integra a torre de controle do Aeroporto Internacional de Brasília e contribui diretamente para a segurança e a organização do espaço aéreo brasileiro. “Escolhi ser especialista em controle de tráfego aéreo por compreender a importância dessa função para o país. Na Força Aérea, aprendi que cada decisão conta. Nosso trabalho exige atenção constante, responsabilidade e confiança no que foi treinado. Ao mesmo tempo, é extremamente gratificante saber que fazemos parte de algo maior, garantindo que o Brasil permaneça conectado com segurança e eficiência. No Dia do Especialista, sinto orgulho da minha profissão e de tudo que ela representa para mim e para o país”, ressaltou a Sargento Bruna Marques.

História

Com a criação do Ministério da Aeronáutica, em 20 de janeiro de 1941, todos os estabelecimentos, instalações, órgãos e serviços relacionados à aviação no Brasil, que até então estavam subordinados aos Ministérios da Guerra, da Marinha e da Viação e Obras Públicas, passaram a integrar o novo Ministério, com a transferência imediata de pessoal e material. A organização e a expansão do Ministério e da Força Aérea Brasileira evidenciaram a necessidade de intensificar a formação de pessoal e, consequentemente, reorganizar os estabelecimentos de ensino herdados das aviações da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro, eliminando duplicidades existentes.

Nesse contexto, em 4 de março de 1941, foram estabelecidas instruções para a formação dos Sargentos Especialistas da Aeronáutica, que passaria a ser realizada, inicialmente, em uma única escola, a funcionar nas instalações da antiga Escola de Aviação Naval, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Assim, a Escola de Aviação Naval e a Escola de Aviação Militar foram extintas, sendo criada, em 25 de março de 1941, a Escola de Especialistas de Aeronáutica, sediada na Ponta do Galeão, Ilha do Governador (RJ).

Em razão das dificuldades provocadas pela Segunda Guerra Mundial, agravadas pela entrada do Brasil no conflito, e pelo crescimento da Força Aérea, surgiu a necessidade de ampliar a formação de técnicos em número suficiente para atender à demanda crescente. A Escola de Especialistas de Aeronáutica, localizada na Ilha do Governador (RJ), não possuía condições de se estruturar, em curto prazo, para formar a quantidade de pessoal necessária à manutenção da infraestrutura e à operação da Força, tanto no país quanto no exte rior.

Como solução imediata, muitos militares e civis foram enviados aos Estados Unidos para realizar cursos e atender às necessidades mais urgentes da FAB. No entanto, essa alternativa passou a ser limitada por apresentar alto custo. Após novos estudos, decidiu-se contratar a organização “John Paul Ridle Aviation Technical School”, que se instalou no Brasil, na cidade de São Paulo (SP), criando uma Escola Técnica de Aviação (ETAv) e trazendo o necessário, como Técnicos, Professores e Administradores. A ETAv passou, então, a contribuir para a formação de Especialistas, suprindo as necessidades existentes na época.

Com o término da guerra, embora a necessidade de técnicos para atender às diversas unidades ainda fosse elevada, houve certa estabilização na formação de pessoal. Verificou-se, então, que não era mais necessário manter duas escolas com a mesma finalidade, o que resultava em dispersão de recursos.

Como solução, as duas escolas foram unificadas, dando origem, em 1950, à atual Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), com sede em Guaratinguetá (SP). A instituição foi instalada em áreas da antiga Escola Prática de Agricultura e Pecuária, doadas ao Ministério da Aeronáutica em 5 de maio de 1950.

A mudança para a nova sede ocorreu de forma progressiva entre 1950 e 1951, à medida que os prédios eram construídos ou adaptados para suas novas funções. Vale destacar que, devido às obras em andamento na atual Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR), em Barbacena (MG), o 1° ano da 2ª Turma daquela escola iniciou sua instrução em Guaratinguetá, no Destacamento da Escola de Especialistas, até que pudesse se instalar adequadamente em Barbacena.

Esta fase de transferência da Escola de Especialistas para a nova sede apresentou grandes desafios. No entanto, as dificuldades foram superadas e a instalação definitiva em Guaratinguetá, seguindo os planos das autoridades da Aeronáutica, foi realizada com sucesso, sem interromper as atividades escolares.

Até hoje, preserva-s e parte das instalações da antiga Escola Prática de Agricultura e Pecuária, destacada por um painel de azulejos colocado na parte frontal e superior do Pavilhão Prefeito André Broca Filho, em homenagem ao político que se empenhou para trazer a Aeronáutica para Guaratinguetá. O pavilhão abriga atualmente a sede da Divisão de Ensino da EEAR, em frente ao prédio do Comando.

A EEAR ocupa atualmente cerca de 10 milhões de metros quadrados, com uma área construída superior a 119 mil metros quadrados, incluindo 93 prédios administrativos e 415 residências, distribuídos em três vilas militares: Vila dos Oficiais, Vila dos Suboficiais e Sargentos, e Vila Coronel Bento Ribeiro. A escola é carinhosamente conhecida como “Berço dos Especialistas” e é reconhecida como o maior complexo de ensino técnico-militar da América do Sul.

Primeiras mulh eres Especialistas

A trajetória da mulher na Força Aérea Brasileira é marcada por pioneirismo, superação e excelência profissional, consolidando, ao longo do tempo, sua importância na Instituição. Esse caminho histórico remonta a exemplos como o de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, considerada a primeira mulher a integrar atividades militares no Brasil, ainda no contexto da Independência. Décadas mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, a participação feminina ganhou novo destaque com a atuação de voluntárias da Força Expedicionária Brasileira em hospitais de campanha na Itália.

Na Força Aérea Brasileira, um m arco fundamental ocorreu em 29 de junho de 1981, com a criação do Quadro Feminino de Graduadas, oficializando a incorporação das mulheres em funções militares. No ano seguinte, em 1982, foi formada a primeira turma feminina do Quadro Feminino de Graduados, Turma Anésia Pinheiro Machado, no Centro de Instrução de Graduados da Aeronáutica (CIGAR), em Belo Horizonte (MG). Paralelamente, registrou-se o ingresso da primeira turma de mulheres no Quadro Feminino de Oficiais, Turma Demoiselle.

A evolução da participação feminina prosseguiu ao longo das décadas seguintes. Em 1998, o ingresso da primeira turma do Estágio de Adaptação à Graduação de Sargento (EAGS) marcou a presença efetiva de mulheres na formação de Sargentos Especialistas pela Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR), inaugurando uma nova fase na história da Instituição. Já em 2002, as mulheres passaram a integrar o Curso de Formação de Sargentos (CFS), no Esquadrão Império Azul, ampliando sua atuação nas diversas especialidades da Força.

Outro momento relevant e ocorreu com o Estágio de Adaptação Militar (EAM) de Técnicos de Enfermagem, organizado pela EEAR, com formação complementar conduzida pelo Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), em Belo Horizonte (MG), evidenciando o processo gradual de adaptação estrutural da Instituição para acolher o efetivo feminino. Em 2007, a realização do 1° Encontro do Corpo Feminino da Aeronáutica e o lançamento de selo comemorativo reforçaram o reconhecimento institucional pelos 25 anos da presença feminina na FAB.

O avanço contínuo resultou, em 2018, na implantação da função de Graduado-Master no âmbito do Comando da Aeronáutica, ampliando as possibilidades de assessoramento de alto nível. Mais recentemente, em 2024, a presença feminina alcançou todas as especialidades ofertadas pela EEAR, incluindo áreas tradicionalmente masculinas, como Mecânica de Aeronaves e Material Bélico, consolidando a plena integração das mulheres na formação técnico-militar.

A Graduada-Master da Guarnição de Aeronáutica de Brasília (GUARNAE-BR), Suboficial Especialista em Serviços Administrativos Carla Raquel Ferreira dos Santos Araújo, vê na nomeação o reconhecimento de sua trajetória de dedicação e profissionalismo. Atuando em uma posição estratégica, a militar representa o elo entre o efetivo de Graduados e alta administração. “Sinto-me muito honrada em ter sido designada Graduada-Master da Guarnição de Brasília. Esta função representa um marco histórico para a Força Aérea e também para os Suboficiais, pois o desempenho das atribuições exige não apenas experiência profissional e conhecimento técnico, mas também sensibilidade, equilíbrio, escuta ativa das demandas do efetivo e elevado senso de responsabilidade. Por fim, tenho plena consciência da relevância que essa função possui e da importância de servir como exemplo, mantendo o compromisso permanente com os princípios que regem a carreira militar e que me foram forjados na Escola de Especialistas de Aeronáutica”, concluiu a Suboficial Carla Raquel. 

No âmbito desses avanços, destaca-se o pioneirismo feminino no assessoramento direto ao Comandante da Aeronáutica, evidenciando o elevado nível de preparo, competência e liderança alcançado pelas militares. Assim, ao longo do tempo, a dedicação, a capacidade técnica e o profissionalismo dessas pioneiras e de suas sucessoras têm sido fundamentais para fortalecer a Força Aérea Brasileira, contribuindo decisivamente para o cumprimento de sua missão constitucional em defesa da soberania nacional.

Fotos: Arquivo FAB 

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