Source: Republic of Brazil 2
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A Força Aérea Brasileira (FAB) participou na cidade de Viena, na Áustria, entre os dias 02 e 13/02, da 63ª Reunião do Subcomitê Técnico e Científico do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS). O encontro reuniu representantes de 94 países, além de diversas organizações governamentais, não governamentais, agências especializadas, observadores permanentes e convidados, com o objetivo de discutir as consequências do progresso científico e técnico no domínio espacial.
Durante a sessão, foram debatidos temas cruciais, como detritos espaciais, sustentabilidade a longo prazo das atividades no espaço exterior, espaço e saúde global, uso de fontes de energia nuclear no espaço exterior, clima espacial e diversos outros assuntos relevantes para o setor.
A delegação do Brasil foi composta por representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Ministério da Defesa (MD), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da FAB. Os representantes participaram de discussões construtivas sobre o uso pacífico do espaço, compartilhando conhecimentos, experiências e perspectivas com delegações de outros países.
A participação ativa da comitiva no COPUOS refletiu o comprometimento do país em trabalhar pela sustentabilidade das atividades espaciais de longo prazo, fortalecer as capacidades nacionais e promover a cooperação internacional nessa área estratégica.
A FAB foi representada pelo Assessor da Divisão de Atividades Espaciais do Subdepartamento Técnico do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Coronel Aviador Eduardo Viegas Dalle Lucca, que destacou projetos, atividades e iniciativas desenvolvidas no setor espacial pelo Departamento. Entre eles, o avanço de projetos-chave de transporte espacial, como o VLM-1 — desenvolvido em parceria com a Alemanha — e o VLM-AT, voltados ao fortalecimento do acesso autônomo ao espaço para missões de pequenos satélites, além do desenvolvimento do motor-foguete a propulsão líquida (MFPL-L25) e da Plataforma Suborbital de Microgravidade (PSM).
Também foram ressaltados a implementação do Laboratório de Monitoramento de Objetos Espaciais do Centro de Engenharia Espacial no Instituto Tecnológico da Aeronáutica, voltado a detectar, rastrear e caracterizar objetos em órbita; o desenvolvimento dos satélites universitários SELENITA e ITASAT-2 e suas contribuições para pesquisas de clima espacial; as iniciativas para ampliar a disponibilização de bens e serviços dos centros de lançamento no escopo do Projeto CEBRA; e a realização de operações de lançamento, com destaque para a Operação SPACEWARD, que marcou o início de atividades de empresas privadas em centros nacionais.
Em relação à sustentabilidade das atividades espaciais, o oficial ressaltou que o país vem alcançando progressos concretos, fortalecendo sua infraestrutura nacional de lançamento e práticas operacionais. Entre os marcos citados está a certificação internacional ISO 9001 obtida pelo Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) na área de segurança de voos espaciais, reconhecimento formal da operação conforme padrões internacionais de gestão, reforçando a confiança de parceiros nacionais e estrangeiros e contribuindo para operações seguras e sustentáveis.
Outro avanço mencionado foi a implementação do Sistema de Investigação e Prevenção de Ocorrências Espaciais (SIPAE), que fornece uma arquitetura nacional estruturada para relatar, investigar e prevenir ocorrências em voos espaciais. O assessor destacou ainda que os projetos sob responsabilidade do Departamento são conduzidos com propósitos pacíficos, em cooperação internacional e voltados a resultados que beneficiem toda a sociedade, sempre em conformidade com tratados internacionais e diretrizes emitidas pelo COPUOS, especialmente as relacionadas ao uso sustentável do espaço e à mitigação de detritos espaciais.
Para o Coronel Lucca, ao participar do evento, o Brasil reforçou sua disponibilidade para estabelecer novas parcerias, investimentos e avanços científicos e tecnológicos que beneficiem não apenas o país, mas toda a comunidade internacional. Segundo o oficial, com 110 Estados-membros, diversas organizações intergovernamentais e não governamentais e 62 entidades com status de observador permanente, o COPUOS exerce papel fundamental no multilateralismo, permitindo que nações se manifestem de forma equânime sobre questões legais e técnicas do setor espacial.
“As atividades espaciais, cada vez mais vitais na melhoria da vida humana e na proteção do nosso planeta, estão se intensificando rapidamente em escala e complexidade e, à medida que continuam a se expandir, torna-se premente garantir que sejam realizadas de maneira segura, protegida, sustentável e responsável”, concluiu o representante do DCTA. A íntegra das intervenções brasileiras está disponível no repositório oficial da Organização das Nações Unidas.
Fotos: Coronel Lucca / DCTA
