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A Força Aérea Brasileira (FAB) realizou, no período de 26 a 30/01, na Base Aérea de Campo Grande (BACG), a terceira precursora do Exercício COOPERACIÓN XI, etapa que antecede a realização do exercício, que ocorrerá pela primeira vez no Brasil. A 11ª edição do COOPERACIÓN, de caráter simulado, será realizada de 16 a 27/03, tendo como cenário o combate a incêndios, além de contemplar o treinamento de Comando e Controle de ações de ajuda humanitária. O planejamento e a coordenação da execução do Exercício estão a cargo do Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE).
De acordo com o Comandante do Grupo Operacional da BACG, Coronel Aviador Murilo Grassi Salvatti, a Base se prepara para garantir o sucesso do COOPERACIÓN XI. “O envolvimento nesse tipo de exercício é muito grande. A estrutura montada precisa atender a diversas situações, incluindo a recepção e o apoio a militares estrangeiros. Temos experiência, pois todos os anos a Base sedia o Exercício Operacional Tápio, e estamos reforçando algumas estruturas internas, principalmente relacionadas à infraestrutura e ao apoio ao homem”, afirma.
Ainda segundo o Coronel Salvatti, a expectativa é receber, ao longo das duas semanas do exercício, cerca de 800 militares adicionais, entre brasileiros e estrangeiros, além do efetivo orgânico da Base, que estará integralmente dedicado às atividades. “Para a BACG, mais uma vez, trata-se de uma projeção estratégica. O Exercício evidencia a resiliência da Unidade e sua elevada relevância no contexto geopolítico do Brasil e da América do Sul”, destaca o Comandante.
Precursora
Nessa terceira etapa da precursora, militares do COMAE e representantes de setores estratégicos da FAB tiveram como objetivo alinhar planejamentos administrativos, logísticos e institucionais para a condução do exercício multinacional.
Para o integrante da Divisão Institucional do Exercício, Coronel Aviador André Luiz da Costa Braga, do Quarto Comando Aéreo Regional (IV COMAR), as reuniões com representantes de órgãos públicos das esferas municipal e estadual foram produtivas e desafiadoras, com perspectivas de resultados positivos para todos os envolvidos. “Criamos uma teia de cooperação entre diversos órgãos, em prol do Exercício e do bioma Pantanal. Acredito que boas sementes foram plantadas e que o resultado será bastante positivo, com um bom acolhimento aos participantes”, avalia.
Um dos diferenciais da precursora foi a visita técnica de integrantes da comitiva à Fazenda Experimental de Aquidauana, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS). Na ocasião, os participantes conheceram as instalações de pesquisa da unidade, incluindo vitrines tecnológicas que funcionam como verdadeiros laboratórios a céu aberto, integrando ciência, inovação e sustentabilidade no bioma Pantanal. A atividade contribuiu para ampliar a compreensão sobre o ambiente operacional e os desafios regionais relacionados aos incêndios florestais.
Participaram da atividade integrantes da BACG, do COMAE, do IV COMAR, da Diretoria de Tecnologia da Informação (DTI) e do Centro de Computação da Aeronáutica do Rio de Janeiro (CCA-RJ) — ambos subordinados ao Comando-Geral de Apoio (COMGAP) —, além do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER) e do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica (CECOMSAER).
“Responsável pela implantação da infraestrutura da rede de dados do Exercício, a DTI disponibilizará e operará, de forma segura, as aplicações operacionais e os sistemas administrativos que sustentam a tomada de decisões, o apoio logístico e a interoperabilidade entre as nações participantes. A contribuição vai além da montagem da infraestrutura de TI na BACG, pois toda a preparação do Exercício — incluindo planejamento, execução financeira, logística de transporte de carga e de pessoal e gerenciamento hospitalar — é realizada por meio de sistemas desenvolvidos pela Diretoria”, explica o Tenente-Coronel Érico, da DTI.
Ao participar da fase precursora do COOPERACIÓN XI, o INCAER acompanhará a missão e realizará o registro histórico de tudo o que é desenvolvido. “Esse processo assegura uma análise crítica dos fatos, de modo que o Exercício não se limite ao campo operacional, mas também seja preservado na memória institucional da Força”, afirma a Tenente Historiadora Andréia Lüder.
Entenda o COOPERACIÓN XI
A edição de 2026 do COOPERACIÓN reunirá cerca de 22 delegações, entre países-membros do Sistema, observadores e convidados, com o objetivo de aprimorar a coordenação de apoio mútuo, adestrar procedimentos de Comando e Controle (C2) das Operações Aeroespaciais em resposta a incêndios e fortalecer a capacidade de coordenação do país afetado diante de desastres naturais ou antrópicos.
A iniciativa reforça a capacidade da FAB de atuar nos primeiros momentos da ajuda humanitária, mesmo antes do estabelecimento de uma estrutura de Comando e Controle mais robusta, e atende também aos interesses do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA), que prioriza a rápida coordenação e resposta entre seus países-membros.
Durante os 11 dias de operação, em um cenário simulado, o esforço multinacional será submetido a situações complexas impostas pela Direção do Exercício, com o objetivo de treinar processos decisórios em diferentes níveis, culminando na viabilização de missões de Combate a Incêndios em Voo, Busca e Salvamento e Evacuação Aeromédica (EVAM), em apoio às autoridades civis. Nesse período, a FAB empregará aeronaves como o KC-390 Millennium, C-105 Amazonas, H-60 Black Hawk e o C-98 Caravan.
Fonte: Michelle Daniel/ COMAE
Fotos: COMAE
Edição: Tenente Scarlet / Agência Força Aérea
