Post

AGU celebra acordo para permanência da comunidade do Horto em área do Jardim Botânico do Rio

AGU celebra acordo para permanência da comunidade do Horto em área do Jardim Botânico do Rio

Source: Republic of Brazil 3

Será permitido que 621 famílias continuem ocupando a área, desde que respeitadas condições pactuadas
A Advocacia-Geral da União (AGU) participou da celebração do acordo coletivo que coloca fim a uma disputa judicial de mais de 40 anos e possibilita a permanência da Comunidade do Horto Florestal em área atualmente de propriedade do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) – instituição vinculada ao governo federal. A assinatura aconteceu na última segunda-feira (13/10), na Escola Nacional de Botânica Tropical, no Rio de Janeiro.
O acordo, que viabilizará a permanência de até 621 famílias, mediante cumprimento de condicionantes, foi assinado por representantes da AGU, da Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), do JBRJ, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), da Associação de Moradores do Horto (Amahor), do Ministério Público Federal, da Defensoria Pública da União, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A procuradora-geral federal, Adriana Venturini, que esteve presente na celebração, comemorou a conciliação. “É uma sensação de dever cumprido, de que a gente colocou nosso conhecimento jurídico para fazer o que professa: realizar direitos, diálogos que conectam e resultados que transformam. Não é possível que a gente tenha uma situação dessa que vai se perpetuando há décadas e que o Estado não consiga unir esforços para apresentar uma solução que seja juridicamente viável e sustentável”, destacou Venturini. “Então a gente mostrou que é possível, que é capaz e que sentando para conversar conseguimos encontrar um ponto de equilíbrio”, ela acrescentou.
As tratativas para o acordo foram realizadas no âmbito de um incidente instaurado perante a Comissão de Solucoes Fundiárias do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no ano de 2023, com participação direta da Procuradoria Regional Federal da 2ª Região (PRF2), Procuradoria Federal do JBRJ e Consultoria Jurídica da SGPR, todas unidades da AGU. Além do acordo coletivo, a conciliação prevê a assinatura de acordos individuais com cada morador elegível e o cumprimento de Regras de Convivência.
Acordo
Por meio do pacto, será permitida a permanência de parte das famílias na área, desde que assumidos alguns compromissos. Ficou estabelecido que o JBRJ concederá a outorga da detenção das áreas sob as unidades habitacionais situadas no seu perímetro, desde que o morador se enquadre nas situações de elegibilidade e o imóvel não seja situado em área ou em condição de risco. A área, assim, continuará sendo do JBRJ, mas as famílias poderão continuar ocupando.
Para receber a outorga, o morador deverá comprovar que possui vínculo familiar com o detentor original ou estar no cadastro realizado em 2011 (Termo de Cooperação Técnica entre o IPHAN, a SPU e a UFRJ). O morador deverá assinar, ainda, um acordo individual que terá prazo indeterminado, e a titularidade do direito à permanência será passível de transmissão causa mortis aos sucessores, em linha reta ou colateral. O morador também terá de respeitar as Regras de Convivência estabelecidas, como, por exemplo, a impossibilidade de alienar, ceder gratuita ou onerosamente o direito concedido e não utilizar o imóvel para fins comerciais.
Participaram da assinatura do acordo a procuradora-geral federal, Adriana Maia Venturini, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Costa Macedo, o presidente do JBRJ, Sergio Besserman, e o presidente substituto do Iphan, Deyvesson Israel Alves Gusmão. Também participaram da assinatura do acordo o procurador-regional da União da 2ª Região, Glaucio de Lima e Castro, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o vice-presidente do STJ, ministro Luís Felipe Salomão.
Histórico
O litígio decorre de décadas de ocupação, com e sem autorização, de área de propriedade do Jardim Botânico, sensível pela proteção do meio ambiente. Ações judiciais começaram a transitar em julgado favoravelmente à União na década de 2000. No entanto, encontrava-se dificuldade no cumprimento dos mandados de reintegração de posse, em virtude da enorme resistência da comunidade.As partes, então, iniciaram um diálogo de conciliação perante o TRF2, que culminou na assinatura do referido acordo.

MIL OSI