MIL OSI – TUNIS, Tunísia, 28 de julho 2023/APO Group/ —
Os países do Norte de África deverão registar um ligeiro aumento do crescimento económico para 4,6% em 2023 e 4,4% em 2024, e deverão fazer do crescimento verde uma prioridade, afirma o Banco Africano de Desenvolvimento (www.AfDB.org). A instituição pan-africana publicou na quinta-feira, 27 de julho, em Tunes, o seu relatório anual sobre as Perspetivas Económicas para o Norte de África em 2023, sob o tema geral, “Mobilizar o financiamento do setor privado para o clima e o crescimento verde em África“.
De acordo com o Grupo Banco, o crescimento na região é impulsionado principalmente pelo setor dos serviços, em particular o comércio e o turismo. Em 2022, o crescimento na região foi moderado: 4,1% em comparação com 5,4% em 2021.
No entanto, o aumento do crescimento mostra grandes disparidades entre os países, explicou Audrey Verdier-Chouchane, Economista Regional para o Norte de África e Chefe Interina da Divisão de Economias Nacionais para a África Central, do Norte e Ocidental, que apresentou o relatório.
“Para apoiar o crescimento inclusivo, a região deve implementar reformas estruturais que promovam o desenvolvimento do setor privado, melhorem a produtividade e a empregabilidade e criem oportunidades de emprego”, sublinhou Audrey Verdier-Chouchane.
Prevê-se que a inflação continue na região, subindo para dois dígitos (14,2%) em 2023 e descendo para 6,9% em 2024. O défice orçamental regional deverá manter-se em cerca de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 e 3,2% em 2024. O défice da balança corrente regional deverá diminuir para 0,5% do PIB em 2023 e 0,2% em 2024. O ambiente económico global, incluindo os preços dos hidrocarbonetos, os padrões comerciais, o turismo e os fluxos de investimento direto estrangeiro, deverão influenciar a posição externa da região, de acordo com o Banco Africano de Desenvolvimento.
Para manter as economias da região a funcionar, o Banco Africano de Desenvolvimento defende a adoção de políticas monetárias e fiscais coordenadas para combater o aumento da inflação e proteger as pequenas empresas e a população através de despesas públicas específicas. Do mesmo modo, manter e apoiar a segurança alimentar na região continua a ser um objetivo crucial. Os países devem investir na agricultura, nomeadamente através do desenvolvimento de variedades melhoradas e de estratégias de gestão da água e dos solos. O Banco sublinha que a região precisa de reforçar a sua resiliência, nomeadamente no contexto da relação “transição energética – gestão da água – segurança alimentar”.
Por último, para fazer face aos desafios da consolidação orçamental, os países devem prosseguir os seus esforços de implementação de reformas, nomeadamente melhorando a digitalização da administração fiscal, alargando a base tributária, racionalizando a despesa pública e reforçando os sistemas de governação.
O Norte de África deve também reforçar a implementação da Zona de Comércio Livre Continental Africana, a fim de impulsionar o comércio e o investimento intra-africanos. Além disso, os governos do Norte de África devem fazer face aos níveis crescentes da dívida pública a médio prazo, alocando os fundos da dívida de forma transparente, reestruturando as empresas públicas em dificuldades e realizando análises periódicas das despesas públicas.
O Norte de África deve tirar partido das suas importantes riquezas naturais e fazer do crescimento verde uma prioridade urgente. Os governos do Norte de África, os investidores privados estrangeiros e nacionais, os bancos multilaterais de desenvolvimento e as instituições de financiamento do desenvolvimento, bem como o setor privado, devem investir no crescimento verde. Em particular, o financiamento do setor privado pode desempenhar um papel crucial através de investimentos em infraestruturas de energia limpa, eficiência energética, agricultura sustentável e recuperação de terras.
O setor privado pode também fornecer os conhecimentos especializados, a tecnologia e as competências de gestão necessárias para implementar projetos de desenvolvimento ecológico de forma eficaz e eficiente.
Por conseguinte, os países devem investir na gestão sustentável do capital natural como uma opção de financiamento complementar para as iniciativas climáticas e de crescimento verde, contribuindo assim para a redução da pobreza e das desigualdades, a criação de emprego e o crescimento económico sustentável.
O relatório sublinha que o Grupo Banco Africano de Desenvolvimento e outros parceiros de desenvolvimento têm um papel crucial a desempenhar na otimização do papel do setor privado e do capital natural no financiamento da ação climática e do crescimento verde no Norte de África.
O relatório sobre as Perspetivas Económicas para o Norte de África é um dos principais relatórios do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, e é publicado desde 2003.
Autoridades governamentais, instituições nacionais e regionais, o setor privado, investigadores e académicos, bem como os meios de comunicação social, participaram no lançamento do relatório, que teve lugar na sede regional do Grupo Banco, em Tunes, e por videoconferência.
Clique aqui (https://apo-opa.info/476kgXz) para ler o relatório regional completo
