MIL OSI – ABIDJAN, Costa do Marfim, 25 de november 2022/APO Group/ —
Trinta e sete dos 52 países africanos tornaram-se mais industrializados nos últimos onze anos, de acordo com um relatório recentemente divulgado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (www.AfDB.org), a União Africana e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO).
O relatório do Índice de Industrialização de África (AII) fornece uma avaliação a nível nacional dos progressos de 52 países africanos através de 19 indicadores-chave. O relatório permitirá aos governos africanos identificar países comparáveis para aferir o seu próprio desempenho industrial e identificar as melhores práticas de forma mais eficaz.
O Banco Africano de Desenvolvimento, a União Africana e a UNIDO lançaram conjuntamente a edição inaugural do AII à margem da Cimeira da União Africana sobre Industrialização e Diversificação Económica, em Niamey, no Níger.
Avaliação da industrialização através de várias métricas
Os 19 indicadores do Índice abrangem o desempenho da indústria transformadora, capital, trabalho, ambiente empresarial, infraestruturas e estabilidade macroeconómica.
O índice classifica também a industrialização dos países africanos em três dimensões: desempenho, determinantes diretos e determinantes indiretos. Os determinantes diretos incluem dotações, tais como capital e mão-de-obra, e a forma como estas são utilizadas para impulsionar o desenvolvimento industrial. Os determinantes indiretos incluem a criação de condições ambientais, tais como estabilidade macroeconómica, instituições e infraestruturas sólidas.
A África do Sul manteve uma classificação muito elevada ao longo do período 2010-2021, seguida de perto por Marrocos, que manteve o segundo lugar em 2022. Nos seis primeiros lugares ao longo do período estão o Egito, Tunísia, Maurícias, e Essuatíni.
O diretor do Banco Africano de Desenvolvimento para o Desenvolvimento Industrial e Comercial, Abdu Mukhtar, representou a instituição no evento de lançamento.
“Apesar de África ter mostrado progressos encorajadores na industrialização durante o período 2010-2022, a pandemia de Covid-19 e a invasão russa da Ucrânia atrasaram os seus esforços e salientaram as lacunas nos sistemas de produção; o continente tem uma oportunidade única de resolver esta dependência através de uma maior integração e conquista dos seus próprios mercados emergentes”, afirmou.
“A Área de Comércio Livre Continental Africana está a criar uma oportunidade única de mercado único de 1,3 mil milhões de pessoas e um total agregado de despesas de consumo e negócios de até 4 biliões de dólares, que criam uma oportunidade para melhorar as suas ligações comerciais e de produção e finalmente aproveitar a competitividade industrial que resulta da integração regional, como outras regiões têm feito”, acrescentou.
O Banco Africano de Desenvolvimento investiu até 8 mil milhões de dólares ao longo dos últimos 5 anos no âmbito da sua prioridade estratégica (High-5) Industrializar África. “Só no setor farmacêutico, pretendemos gastar pelo menos 3 mil milhões de dólares até 2030”, exemplificou Mukhtar.
O Índice Industrial Africano reflete o compromisso do Banco em promover a industrialização como uma prioridade estratégica no âmbito da sua Estratégia decenal (2013-2022), e as suas 5 principais prioridades operacionais (High5).
A construção de uma indústria produtiva será parte integrante do desenvolvimento de África, oferecendo um caminho para uma transformação estrutural acelerada, a criação de empregos formais em escala e o crescimento inclusivo. No entanto, a quota de África na indústria transformadora mundial continuou a diminuir para o nível atual de menos de 2%. Políticas industriais mais proativas são encaradas como cruciais para inverter a tendência, mas estas são intensivas em conhecimento e requerem uma compreensão detalhada dos constrangimentos e oportunidades que cada país enfrenta.
Adição de valor através da manufatura é mais importante que o tamanho das economias
Estas são algumas das principais conclusões do relatório:
- Durante o período de cobertura, Djibuti, Benim, Moçambique, Senegal, Etiópia, Ruanda, Tanzânia, Gana e Uganda melhoraram cinco ou mais lugares na classificação.
- Os melhores desempenhos não são necessariamente aqueles com as maiores economias, mas os países que geram um elevado valor acrescentado per capita, com uma proporção substancial de bens manufaturados destinados à exportação;
- O Norte de África continua a ser a região africana mais avançada em termos de desenvolvimento industrial, seguida pela África Austral, África Central, África Ocidental e África Oriental.
Sinergias com o Observatório da Indústria Africana
O Índice de Industrialização de África foi uma das duas novas ferramentas apresentadas durante o evento. O segundo – e complementar – Observatório da Indústria Africana, revelado pela UNIDO e pela União Africana, servirá como uma plataforma central de conhecimento online para recolher, analisar e consolidar os dados quantitativos necessários para análises qualitativas das tendências, previsões e comparações da indústria nacional, regional e continental.
A Diretora Interina para a Indústria, Minerais, Empreendedorismo e Turismo da Comissão da União Africana, Chiza Charles Chiumya, afirmou: “Estas ferramentas vão melhorar muito a nossa política industrial, bem como ajudar a trazer o enfoque necessário que a industrialização tanto necessita, quer dos decisores políticos, como do setor privado, que agora verão claramente onde o continente tem oportunidades”. Chiumya representava o Comissário da UA para o Comércio e Indústria, Albert Muchanga.
“O Observatório da Indústria Africana e o Índice de Industrialização de África ajudarão a consolidar a cooperação interinstitucional, reforçar a influência do diálogo político de cada instituição para acelerar o desenvolvimento industrial e um melhor conhecimento da dinâmica do desenvolvimento industrial”, disse Victor Djemba, Chefe da divisão África da UNIDO.
A Cimeira Extraordinária da União Africana sobre Industrialização e Diversificação Económica e a Sessão Extraordinária da União Africana sobre a Área de Comércio Livre Continental Africana estão atualmente a decorrer em Niamey, Níger, até 25 de novembro de 2022. O tema da Cimeira é: Industrialização da África: Compromisso Renovado para a Industrialização Inclusiva e Sustentável e a Diversificação Económica.
Descarregar o relatório em inglês (https://bit.ly/3OywD5M) ou francês (https://bit.ly/3gAropK)
