Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Unicef lança apelo para o fim do casamento infantil em Bangladesh
21 Outubro 2026 Direitos humanos
Quase metade das mulheres bengalesas entre 20 e 24 anos casou antes de atingir idade adulta; agência da ONU adverte que casamento infantil dita saída de meninas da escola e limita oportunidades ao longo da vida.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, apelou ao investimento urgente na proteção das crianças de Bangladesh e das crianças rohingya que vivem nos assentamentos do país.
Em visita ao país, a diretora executiva da agência, Catherine Russell, apelou ao fim do casamento infantil, à garantia de acesso à educação para todas as meninas e crianças rohingya e ao compromisso do governo de investir 5% do Produto Interno Bruto, PIB, na saúde e na educação.
Meninas casam antes dos 18 anos
Em Korail, um dos maiores assentamentos informais de Daca, capital de Bangladesh, Catherine Russell ouviu relatos de crianças e pais sobre pobreza, educação interrompida e serviços básicos limitados.
A representante afirmou que garantir a presença das meninas nas escolas e o acesso aos serviços de saúde, educação e proteção de que necessitam é fundamental para garantir um futuro melhor para todas as comunidades.
Estima-se que quase metade das mulheres de Bangladesh entre os 20 e os 24 anos se casou antes de atingir a idade adulta. O Unicef sublinha que o casamento infantil expulsa as meninas da escola, alimenta a gravidez precoce e limita as oportunidades das mulheres ao longo da sua vida.
Transformar promessas em ações
Em reunião com autoridades de alto nível, Catherine Russell elogiou o governo por aumentar o orçamento para a educação e os serviços de saúde.
Mas destacou a importância de transformar promessas em ações e lembrou que o investimento na qualidade da educação, na saúde, na nutrição e na proteção das crianças traduz-se num investimento no futuro do país.
Unicef/Jimmy Kruglinski Mães aguardam com seus filhos em uma unidade de nutrição nos campos de refugiados Rohingya em Cox’s Bazar, Bangladesh
País serve de refúgio a mais de um milhão de refugiados
A diretora executiva também visitou o acamamnto de Cox’s Bazar, um dos maiores do mundo, que serve de refúgio aos mais de 1,1 milhão de refugiados rohingya que fugiram da perseguição étnica em Mianmar.
Reconhecendo a generosidade de Bangladesh no acolhimento da minoria muçulmana, Russell exortou a comunidade internacional a continuar a apoiar os refugiados e as suas comunidades anfitriãs.
Com centenas de milhares de crianças rohingya sofrendo os impactos da violência, do deslocamento e da incerteza, a chefe da agência da ONU realçou que estes menores não podem perder o acesso à educação de qualidade.
Necessidades humanitárias requerem investimento
O Unicef tem vindo a apoiar o acesso à educação, a cuidados de saúde primários, à imunização, à nutrição, à água potável e ao saneamento básico, bem como a serviços de proteção da criança em todo o Bangladesh.
Perante os cortes de financiamento humanitário, a agência nota que o apoio internacional contínuo é fundamental.
A atuação no país visa proteger os serviços essenciais, preservar as conquistas alcançadas e garantir que as crianças refugiadas e as das comunidades de acolhimento não são deixadas para trás.
