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Relatório revela que quase 20% das crianças vivem em áreas de conflito

Relatório revela que quase 20% das crianças vivem em áreas de conflito

Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Relatório revela que quase 20% das crianças vivem em áreas de conflito
15 Outubro 2026 Paz e segurança

Entre 2010 e 2024, número de menores deslocados pelo mundo quase triplicou; uma em cada cinco crianças vive em pobreza extrema; multiplicação das crises exige ação mais robusta poe proteção.

Diante de um número cada vez maior de crises no mundo, as Nações Unidas apelaram aos países que promovam uma ação global mais robusta para proteger meninos e meninas em todo o mundo.
A representante especial da ONU sobre violência contra crianças, Najat Maalla M’jid apresentou o relatório anual sobre o tema numa altura em que quase 45 milhões de menores estão deslocados.
Assembleia Geral
Os esforços coletivos para acabar com a violência infantil não têm acompanhado os riscos. Na apresentação à Assembleia Geral, Maalla M’jid lembrou que quase 19% das crianças do mundo vivem em zonas de conflito. O número representa um aumento acentuado em relação aos 10% vistos na década de 1990.
Entre 2010 e 2024, o número global de crianças deslocadas quase triplicou. Até ao final de 2024, perto de 50 milhões menores tinham abandonado as suas casas devido aos conflitos e à violência.
As alterações climáticas também têm agravado os riscos. O documento revela que 1,1 bilhão de crianças permanecem expostas a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos.
Paralelamente, a subida dos preços dos alimentos e da energia, bem como a inflação e a incerteza económica surgem como fatores significativos de vulnerabilidade infantil em todo o mundo.
© OMS Iêmen Crianças e famílias deslocadas coletam água em um campo de deslocados no Iêmen.
Uma em cada cinco crianças vive em pobreza extrema
Na sua apresentação do documento, Najat Maalla M’jid frisou que uma em cada cinco crianças vive em pobreza extrema. Mas isto não ocorre apenas em países de rendimento baixo.
A par da instabilidade dos preços e da insegurança alimentar, a representante alertou também para os impactos da disseminação rápida de novas tecnologias, incluindo a inteligência artificial, IA. 
Ao mesmo tempo que promovem oportunidades, estes sistemas também facilitam a exploração sexual infantil, o bullying cibernético, a criação de deepfakes e o recrutamento para atividades criminosas, avisou.
“A violência nunca é justificável”
Maalla M’jid citou o primeiro estudo global da ONU sobre violência contra crianças, publicado em 2006, que demonstrou que a violência contra crianças ocorre em todos os países e em todos os ambientes, seja em casa, na escola ou nas comunidades.
Num balanço das últimas duas décadas, a especialista sublinhou a aprovação de novas reformas jurídicas e políticas, mas também destacou as dificuldades em garantir a sua implementação e tornar os serviços acessíveis às crianças e aos seus cuidadores.
Para ela, o estudo histórico realça que a violência é sempre evitável e nunca justificável, observando que essas mensagens também foram reiteradas na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

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