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FMI: Economia de Macau resiliente, mas ainda depende do jogo e turismo

FMI: Economia de Macau resiliente, mas ainda depende do jogo e turismo

Source: United Nations – in Portuguese
Headline: FMI: Economia de Macau resiliente, mas ainda depende do jogo e turismo

Por Vicente Ribeiro*
2 Outubro 2026 Desenvolvimento econômico

Região Administrativa Especial da China tem apostas gerando do jogo entre 40% e 45% do Produto Interno Bruto; consulta do órgão prevê redução do crescimento no médio prazo; instabilidade geopolítica, alterações climáticas e aumento da população idosa despertam atenção.

Apesar de fatores externos adversos, a economia da Região Administrativa Especial de Macau, na China, manteve-se resiliente, mas o seu crescimento continua a depender do bom desempenho dos setores do jogo e do turismo.
A avaliação consta da consulta deste ano do Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional, FMI, que aponta para a necessidade de diversificação económica, do reforço do capital humano e da procura interna.
Jogo contribui para quase metade do PIB
Macau, que já foi administrado por Portugal, tem o português como língua oficial. No ano passado, a economia da região especial apoiou-se em fluxos turísticos, com o número de visitantes a ultrapassar os níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
Já as receitas brutas do jogo ficaram cerca de 15% abaixo do nível de 2019, refletindo o reforço da aplicação das medidas de combate à lavagem de dinheiro e a evolução dos padrões de despesa dos visitantes.
A economia de Macau centra-se essencialmente no jogo, que representa entre 40% e 45% do PIB, bem como no turismo proveniente da China continental, responsável por 70% das chegadas de visitantes.
A dependência económica destes dois setores expõe as atividades e as receitas orçamentais a choques externos. A desaceleração da economia chinesa e a maior concorrência no setor do jogo também foram identificadas enquanto fatores de risco para o crescimento de Macau.
Abrandamento económico nos próximos anos
A recuperação pós-pandémica da economia ainda não se traduziu numa retoma generalizada da procura interna. O investimento também se mantém fraco, num contexto de condições de crédito ainda restritivas e de maior incerteza. 
Na sequência de um crescimento económico em torno dos 4,7% em 2025, o FMI prevê que o crescimento do PIB de Macau deverá abrandar para 3,3% em 2026, 3,1% em 2027 e aproximadamente 3% ao ano entre 2028 e 2031.
Com a eventualidade de o crescimento desacelerar no médio prazo, o Fundo Monetário Internacional acredita que é importante avançar com reformas capazes de diversificar a economia e de estimular o mercado interno da região especial.
Segundo o FMI, para Macau alcançar a meta de elevar a participação das atividades não relacionadas com o jogo para 60% do PIB até 2030, serão necessários um conjunto de reformas estruturais.
Uma das ações é investir na capacitação da força de trabalho, colmatar lacunas físicas e digitais, e aumentar a eficiência e a eficácia da administração pública.
Aumento da população idosa pressiona despesa pública
Com uma das maiores taxas de dependência de idosos do mundo, Macau enfrenta uma combinação de esperança média de vida elevada, baixas taxas de natalidade e redução da população em idade ativa.
Em 2024, pessoas com 65 ou mais anos já representavam 15% da população da região especial. O FMI estima que o aumento da população idosa elevará as despesas com pensões e serviços de saúde em cerca de 2,3 pontos percentuais do PIB até 2031.
No seu conjunto, a redução da população em idade ativa e a queda da taxa de participação na força de trabalho realçam a urgência de aumentar a oferta de mão-de-obra e melhorar as competências, aponta a consulta.
Conflitos e alterações climáticas ameaçam crescimento
Para o FMI, a intensificação dos conflitos geopolíticos, o ressurgimento das tensões comerciais, os efeitos de contágio da volatilidade dos mercados financeiros mundiais e as ameaças cibernéticas poderão prejudicar o crescimento económico e a confiança de investidores.
Enquanto região costeira, Macau permanece cada vez mais vulnerável a fenómenos climáticos e meteorológicos extremos, o que pode ameaçar vidas, causar danos extensos às infraestruturas, perturbar o turismo e as cadeias de abastecimento e suprimir o crescimento económico.
Neste quadro, o reforço da resiliência climática deve continuar a ser uma prioridade das políticas públicas da região especial, conclui o relatório.
*Vicente Ribeiro é jornalista estagiário da ONU News sob supervisão da redação.

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