Source: United Nations – in Portuguese
Headline: África quer formar e reter 3 milhões de novos profissionais de saúde até 2035
27 Agosto 2026 Saúde
Acordo alcançado pelos países na 76ª sessão do Comitê Regional da OMS defende objetivo de combater desemprego qualificado, além da formação e retenção de talentos; cada US$ 1 investido pode gerar até US$ 10 de retorno econômico direto.
Ministros da Saúde da África aprovaram nesta quarta-feira a Agenda de Profissionais de Saúde da África 2026 – 2035, com o compromisso de planejar, educar, empregar e reter mais de 3 milhões de profissionais de saúde até 2035.
O grande objetivo da iniciativa é fortalecer os sistemas de saúde e garantir que mais pessoas no continente tenham acesso a serviços de qualidade no momento e no local onde precisarem.
Fortalecimento do mercado de trabalho
A iniciativa foi adotada durante a 76ª sessão do Comitê Regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, para a África em Adis Abeba, Etiópia.
© OMS/Nathalie Ridgard Mais da metade dos novos médicos, enfermeiros e parteiras africanos não consegue colocação profissional logo após se formar
Com a mudança, o foco deixa de ser somente a formação e passa a incluir o fortalecimento do mercado de trabalho em saúde por meio de um planejamento integrado.
O acordo chega em um momento considerado crítico para a região africana, que, embora tenha visto crescer a força de trabalho de saúde na última década, conta atualmente com apenas 46% dos funcionários de que necessita.
Estima-se que, em 2024, cerca de 5,72 milhões de profissionais estavam integrados no setor. Mas, sem medidas urgentes, o déficit poderá ultrapassar 6 milhões de trabalhadores até 2035.
Desemprego qualificado
O continente enfrenta, no entanto, um paradoxo entre o desfalque nas unidades de saúde e o desemprego qualificado: enquanto unidades operam com falta crônica de pessoal, estima-se que 1 milhão de profissionais formados estejam desempregados.
Uma dificuldade identificada após a graduação é que em vários países, mais da metade dos novos médicos, enfermeiros e parteiras não consegue colocação profissional logo após se formar.
Unicef/COVAX/Carlos César Nova agenda teve como alicerce a Carta de Investimento em Profissionais de Saúde da África
Para o diretor regional da OMS para a África, ao adotar a Agenda 2026–2035, os Estados-membros “reconheceram que educar os profissionais de saúde é apenas o começo”.
Mohamed Yakub Janabi diz que é preciso “criar as oportunidades e as condições que os permitam servir, crescer e prosperar onde são mais necessários.”
Fechar a lacuna de profissionais na África
A agenda apresenta uma proposta econômica para o financiamento do setor, visando fechar a lacuna de profissionais na África. Estima-se ser necessário um investimento adicional de US$ 4 a US$ 6 por pessoa ao ano.
Esse investimento torna-se expressivo pelo retorno econômico, sendo que cada US$ 1 investido pode gerar até US$ 10 em retornos econômicos diretos.
Quanto ao benefício social, o impacto pode alcançar cerca de 30 vezes o valor investido, traduzindo-se em populações mais saudáveis, maior produtividade e economias mais fortes.
A nova agenda teve como alicerce a Carta de Investimento em Profissionais de Saúde da África, cujo roteiro exige ação coordenada entre os setores de saúde, educação, finanças, trabalho e função pública.
Para as autoridades de saúde na região, mais do que a aprovação de políticas, o sucesso do plano será medido pelo número de profissionais capacitados em campo e por milhões de pessoas que passarão a ter acesso a cuidados essenciais de saúde.
