Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Desnutrição infantil atinge níveis críticos no Afeganistão, alerta WFP
4 Agosto 2026 Ajuda humanitária
País vive crise de desnutrição infantil sem precedentes; níveis de desnutrição das crianças chegam a patamares críticos em um terço do país; impactos do conflito no Oriente Médio, cortes na ajuda humanitária e deportações de afegãos sobrecarregam programas de apoio nutricional.
No Afeganistão, cerca de 3,7 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda e 1,2 milhão de mulheres grávidas também enfrentam insuficiência nutricional, numa das crises humanitárias mais severas da atualidade.
Esta terça-feira, o Programa Mundial de Alimentos, WFP, alertou que os níveis crescentes de insegurança alimentar no país podem ultrapassar todas as projeções, condenando inúmeras mães e crianças a uma morte evitável.
Insegurança alimentar atinge novos recordes
Segundo o diretor da agência no país, John Ayliffe, a malnutrição infantil, a forma mais letal de desnutrição, já atingiu níveis críticos em 12 das 34 províncias do Afeganistão, o que corresponde a quase um terço do país.
Trata-se de um valor recorde, que o WFP prevê que continue a aumentar até outubro, numa altura em que 14 milhões de afegãos já vivem em situação de fome aguda.
Ao mesmo tempo, a afluência de crianças aos centros de saúde tem vindo a disparar. O responsável indica que 80% das entradas mais graves correspondem a crianças abaixo de 2 anos, cujo estado de desnutrição avançada impossibilita, muitas vezes, o tratamento atempado.
A agência cita casos de crianças das comunidades mais remotas, cujas dificuldades de acesso impedem o acesso a cuidados de saúde essenciais. A declaração é da porta-voz do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários, Ocha. Olga Cherevko, em conversa com jornalistas.
Pico de desnutrição aconteceu mais cedo
A desnutrição infantil no Afeganistão tende a atingir o seu pico entre julho e outubro, impulsionada pelo aumento das doenças transmissíveis e pelo fraco acesso à água, saneamento e serviços de nutrição.
Já este ano, o clímax surgiu semanas mais cedo. É o resultado da sobreposição de crises que assolam o país, incluindo o conflito, o retorno de afegãos de países vizinhos, o desemprego, os preços elevados dos alimentos e a redução do financiamento humanitário.
© WFP/Danijela Milic O Afeganistão enfrenta níveis de desnutrição próximos aos recordes, afetando cerca de cinco milhões de mães e crianças
De acordo com o WFP, apenas em 2025, os cortes na ajuda humanitária levaram ao encerramento de 142 centros de saúde em todo o país, privando mais de 13 mil crianças de tratamento nutricional.
Esta situação foi agravada pela crise no Médio Oriente e pelo encerramento da fronteira com o Paquistão, que interromperam as cadeias de abastecimento, aumentaram os custos dos alimentos e deixaram perto de 1 milhão de mães e crianças sem acesso a serviços essenciais de nutrição.
Restrições de género impedem recuperação do país
Segundo a porta-voz, a restrições impostas pelas autoridades de facto do Afeganistão a milhões de mulheres e meninas continuam a restringir a sua participação diária na vida pública do país.
O seu impacto traduz-se em restrições no acesso à educação, aos meios de subsistência, aos cuidados de saúde e à participação na sociedade, com cada imposição a empurrar mulheres e meninas para fora da vida pública.
A porta-voz da Ocha lemrba que quando as mulheres são privadas do acesso ao trabalho e à educação, as consequências não se restringem apenas à população feminina, mas estendem-se às famílias e às comunidades, representando um entrave para a recuperação do país.
