Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Ebola: OMS e África CDC unem forças em plano continental de US$ 518 milhões
Nova parceria para vencer vírus aposta em velocidade e coordenação; comunidades no centro da luta devem combater desinformação; estirpe Bundibugyo tem taxa de letalidade mais alta que outras cepas.
O avanço rápido do surto de ebola da estirpe Bundibugyo na República Democrática do Congo, RD Congo, e em Uganda levou a uma resposta de lideranças globais de saúde.
Nesta sexta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, e o diretor-geral do África CDC, Jean Kaseya, lançaram o Plano Continental de Preparação e Resposta contra o Ebola em Genebra.
Alertas internacionais
A iniciativa surge em meio a um total cumulativo de 906 casos suspeitos e 223 mortes associadas ao surto que já foram contabilizados desde maio em dois países vizinhos.
As notificações subiram para 134, incluindo nove no Uganda, com 18 óbitos validados. O alerta internacional foi aceso com a recente escalada de 49 novos casos confirmados.
Foi o chefe da OMS, Tedros Ghebreyesus, quem revelou a estratégia que guiará as operações a serem implementadas entre junho e novembro deste ano.
Ele disse que o esquema foi concebido sob quatro premissas, destacando-o primeiro como um projeto partilhado. Como única forma de vencer este surto, Tedros ressaltou a parceria estreita, operando sob a liderança dos países afetados sob o princípio de um plano, um orçamento, uma equipe.
Em segundo lugar, ele defendeu tratar-se de um plano prático por definir com precisão as ações imediatas necessárias para conter o surto atual e reduzir de forma drástica o risco de propagação transfronteiriça.
Atuação em seis meses
A terceira base de sustentação é o prazo definido para a janela de atuação intensiva cobrindo os próximos seis meses até novembro. Por último, o custo total avaliado em US$ 518 milhões refletindo o esforço financeiro combinado de agências internacionais.
Ghebreyesus realçou o esforço da OMS, do África CDC e de parceiros essenciais como o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, a Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, o Programa Alimentar Mundial, WFP, a Cruz Vermelha Internacional e a aliança global de diagnósticos Findx.
Para o líder da agência especializada em saúde, nenhum país enfrentará a situação sozinho.
Velocidade e disciplina como lições
O líder da OMS sublinhou que o mundo não está a começar do zero. A base do novo plano de operações resulta de forma direta das lições retiradas de epidemias anteriores de ebola e de emergências sanitárias recentes.
Tedros Ghebreyesus cita regras de ouro para o sucesso como rapidez, coordenação e consistência.
A prioridade é agir com clareza e disciplina, usando o plano comum para guiar um esforço comum, reforçando ao mesmo tempo sistemas de saúde locais para evitar crises.
Foco na comunidade e combate à desinformação
A atuação destaca como áreas centrais a coordenação de emergência, a vigilância epidemiológica, os testes laboratoriais, a prevenção e o controle de infeções, os cuidados clínicos e a logística. No entanto, as autoridades de saúde alertam que o trabalho técnico, por si só, não basta.
O sucesso sustentado depende de reação rápida: a vigilância deve levar rapidamente ao teste, o exame deve acionar o isolamento e o tratamento e, por sua vez, a prevenção proteger profissionais de saúde e pacientes.
Para a OMS, o elo mais importante da nova corrente é a população local. Por isso, “o plano coloca as comunidades no centro de tudo”. Sem ação ativa, o rastreio de contactos falha, o tratamento seguro é atrasado e a transmissão continua.
Ele aponta que a “desinformação é quase tão perigosa quanto o próprio vírus e espalha-se com a mesma rapidez” ao destacar a prioridade de se ganhar e manter a confiança das pessoas.
Controle e próximos passos
Para garantir a transparência e a eficiência na aplicação dos fundos, a parceria da OMS e da África CDC têm um mecanismo de monitorização financeira para seguir em tempo real as necessidades de fundos, os compromissos assumidos e as lacunas requerendo cobertura urgente.
A nova iniciativa apoiará diretamente as ações de contenção do ebola na RD Congo no Uganda, mas também protegerá os países vizinhos, onde o movimento intenso de pessoas nas fronteiras cria um risco contínuo de contágio.
Para os envolvidos, o sucesso do plano dependerá, em última análise, do compromisso político contínuo, do financiamento sustentado e da rapidez da solidariedade internacional.
