Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Unicef: múltiplas crises globais são luta crescente para erradicar casamento infantil
Apesar do declínio em casos de casamento infantil na última década, crises em várias partes do mundo incluindo conflitos e choques climáticos estão impedindo a erradicação da prática.
A conclusão é de um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, divulgado nesse 3 de maio, que aponta outras ameaças aos ganhos conquistados incluindo a crise causada pela Covid-19.
Alunas se tornando noivas
A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, afirma que “o mundo está sendo absorvido por crises em cima de crises que estão esmagando as esperanças e sonhos das crianças vulneráveis, principalmente meninas que deveriam estar na escola e não se tornando noivas.”
Esta menina ugandense de 14 anos foi forçada por seus pais a se casar aos 8 anos de idade.
A chefe da agência lembra que as crises econômicas e de saúde, conflitos armados e efeitos da mudança climática estão forçando famílias inteiras e procurar um “falso senso de refúgio no casamento infantil.”
Russell disse que é preciso fazer tudo que estiver ao alcance para assegurar os direitos à educação e vidas com autonomia das meninas.
Em todo o mundo, pelo menos 640 milhões de meninas e mulheres se casaram na infância. É uma média de 12 milhões de crianças por ano, de acordo com as estimativas globais incluídas na análise.
Ritmo de combate tem que ser 20 vezes mais rápido
A fatia de mulheres jovens que se casaram na infância caiu de 21% para 19% desde os últimos dados divulgados há cinco anos.
Mas apesar do pequeno avanço, as reduções globais teriam que ser 20 vezes mais rápidas para se alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
O casamento infantil é uma estratégia para a sobrevivência econômica no Afeganistão, já que as famílias casam suas filhas para reduzir seu fardo econômico.
A África Subsaariana, que atualmente concentra o segundo maior nível global de crianças casadas ou 20% está a 200 anos de terminar com a prática, se mantiver as taxas atuais de matrimônios infantis.
O rápido crescimento da população ao lado de crises correntes deve levar a uma alta no número de crianças nessas condições.
Já América Latina e Caribe estão caminhando para alcançar o segundo maior nível regional de casamentos infantis até 2030.
Reduções globais
Após ganhos consistentes no Oriente Médio, no Norte da África, no leste da Europa e Ásia Central, essas regiões também estão estagnando.
O sul da Ásia continua liderando as reduções globais e deve eliminar o casamento infantil em 55 anos, segundo o relatório. Mas atualmente a área tem 45% de todas as noivas-crianças.
A Índia registrou avanços nas recentes décadas, mas ainda contabiliza um terço de todos os casos globais.
