Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Comércio global movimentou US$ 32 trilhões em 2022, diz Unctad
Os consumidores estão, cada vez mais, interessados em produtos sustentáveis e ecologicamente corretos. Esta é aposta da Agência da ONU especializada em comércio e desenvolvimento, Unctad.
Nesta quinta-feira, a agência lançou a Atualização do Comércio Global indicando que a demanda pelos produtos que poluem menos aumentou no ano passado. Apesar dos desafios, o volume do comércio global foi de US$ 32 trilhões.
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Unctad diz que comércio global movimentou US$ 32 trilhões em 2022
Turbinas eólicas e embalagens sem plástico
O economista da Unctad e um dos autores do relatório, Alessandro Nicita, afirmou que esses produtos protegem o meio ambiente e lutam contra a mudança climática. Somente no segundo semestre, a alta foi de 4% alcançando US$ 1,9 trilhão.
Dentre os bens estão veículos elétricos e híbridos, embalagens livres de plástico e turbinas eólicas, aquelas que utilizam a energia do vento.
A análise da Unctad é publicada, poucos dias, após a divulgação do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, Ipcc. No documento, os especialistas alertaram para a urgência da redução em pelo menos a metade de emissões que causam o efeito estufa até 2030.
Sem esse passo, não será possível limitar o aumento da temperatura em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais.
Estagnação do comércio em 2023
A agência da ONU acredita que o panorama para o comércio este ano permanece incerto. O motivo são tensões geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, e o alto preço das commodities além de níveis recordes da dívida pública. Um outro fator são as taxas de juros altas. Tudo isso deve levar a uma estagnação do comércio global já na primeira metade deste ano.
Para a Unctad, pode haver melhoras ou fatores mais positivos no segundo semestre de 2023 com um dólar americano mais fraco, o que pode gerar uma estabilização dos custos de transporte e menos interrupções na cadeia de fornecimento, puxando para uma alta do comércio.
E apesar das incertezas, o aumento da demanda para os chamados produtos verdes deve prosseguir provocada pela mobilização por ação climática.
Dunas crescentes de energia solar em Nevada, Califórnia.
Valor da energia verde deve quadruplicar até 2030
O último relatório da Unctad sobre Tecnologia e Inovação, divulgado na semana passada, mostra o começo de uma “revolução verde” no comércio.
A agência afirma que o mercado para carros elétricos, energia solar e eólica, hidrogênio verde e outras tecnologias mais ambientais deve quadruplicar em valor até 2030 chegando a US$ 2,1 trilhões.
E com isso, os padrões comerciais internacionais devem refletir a transição para a economia verde.
Consequências negativas por falta de atenção
Mas a pesquisa também faz um alerta sobre países desenvolvidos que estão aproveitando a maior parte das oportunidades econômicas das tecnologias ambientalmente corretas, enquanto as nações em desenvolvimento ficam para trás.
Segundo a Unctad, perder essa onda verde por causa de falta de atenção e políticas ou até mesmo de investimento levará a consequências negativas de longo prazo.
Dentre as recomendações que faz, a agência da ONU conclama a comunidade internacional a apoiar indústrias emergentes verdes em economias em desenvolvimento por meio de regras de comércio global e transferência de tecnologia.
