Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Unfpa descreve vulnerabilidade, pobreza e desespero em terremoto na Síria
O Fundo da ONU para a População, Unfpa, aumentou os esforços de socorro para salvar vidas, especialmente de mulheres e meninas, após o terremoto na Síria.
A informação é da diretora da agência para os Estados Árabes, Laila Baker, que falou a jornalistas por vídeo, diretamente de Alepo, uma das cidades mais afetadas pelo tremor.
Bairro de Al-Kallasah em Alepo, na Síria, severamente afetado pelo terremoto de 6 de fevereiro
Impacto numa população que já era vulnerável
A representante disse ser difícil descrever a destruição que viu, com ruas inteiras em condições deploráveis, após mais de uma década de guerra, e agora arrasadas pelo terremoto.
Ela destacou as milhões de pessoas ainda mais fragilizadas, depois dos 11 anos de conflito, e o impacto físico e emocional da população vulnerável.
Laila Baker visitou locais que abrigavam deslocados internos, entre eles muitas mulheres e crianças que ficaram desabrigadas.
Ela contou a história de uma mulher de 40 anos que perdeu o genro no terremoto, a filha foi hospitalizada e ela precisou cuidar sozinha de um bebê de oito meses, pois já havia perdido o marido na guerra.
Número grande pessoas desabrigadas
Laila Baker disse ter ficado impressionada com o número de pessoas que ficaram sem suas casas. Ela visitou mesquitas e escolas transformadas em abrigos e tendas feitas de papelão espalhadas pelas ruas.
Para a diretora do Unfpa, é difícil imaginar que esta é uma cidade de 2 milhões de pessoas que há onze anos tinham suas vidas estruturadas economicamente.
A representante ressaltou ainda que aonde foram e com quem falaram viram muita vulnerabilidade, pobreza e desespero. Ela disse ter esperança de que devido ao tamanho da destruição haja espaço para paz e reconciliação. E que o Unfpa possa focar nas pessoas vulneráveis para reconstrução.
Crianças dormem em uma mesquita no distrito de Al-Midan, em Alepo, na Síria
Impacto em mulheres e meninas
De acordo com estimativas do Unfpa, há cerca de 130 mil a 140 mil mulheres que estão em idade reprodutiva e precisam de medicamentos e serviços de proteção a violência de gênero.
Destas, 40 mil estão grávidas e vão dar à luz nos próximos três meses. Mas as instalações de saúde estão danificadas ou destruídas, o que será um problema para os casos mais complicados que possam precisar de cesariana.
Ela e sua equipe visitaram maternidades em Alepo e viram falta de equipamentos e trabalhadores de saúde sobrecarregados. Além de muitas pessoas fazendo trabalho voluntário e muita solidariedade.
Apelo humanitário
Laila Baker citou o apelo humanitário da ONU no valor de US$ 397 milhões para a Síria, na terça-feira. Com isso, ela disse esperar que esse financiamento traga um grande alívio na assistência para as pessoas.
A representante lembrou que a quantia é para apenas os próximos três meses. E que isso irá cobrir apenas as necessidades mais básicas.
Por fim, a diretora do Unpfa afirmou que a agência, juntamente com as Nações Unidas, está trabalhando na linha de frente para trazer ajuda humanitária e trazer segurança de volta para as pessoas da Síria.
