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Entidades da ONU fazem apelo por ajuda nos cinco anos da crise dos rohingyas

Entidades da ONU fazem apelo por ajuda nos cinco anos da crise dos rohingyas

Source: United Nations – in Portuguese

Headline: Entidades da ONU fazem apelo por ajuda nos cinco anos da crise dos rohingyas

Acnur revela que 1 milhão de apátridas de Mianmar vivendo em Bangladesh precisam de assistência humanitária; especialista independente pede responsabilização dos militares birmaneses que provocaram o êxodo; OIT fala de perseguição direcionada que limita atuação de grupos de apoio a trabalhadores e migrantes.

O êxodo de mais de 700 mil pessoas da minoria rohingya, do Mianmar para o Bangladesh, completa cinco anos nesta semana.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, pediu mais apoio internacional para o movimento que agora foi oficialmente declarado como uma “uma situação prolongada” de pessoas buscando abrigo. A superlotação afeta quase 1 milhão de rohingyas apátridas que dependem totalmente de assistência humanitária para sobreviver em território bengalês.

Auxílio

Sem a possibilidade de voltar para casa, eles vivem confinados em condições precárias, muitas vezes sem segurança e nem meios de subsistência.

O relator especial da ONU sobre a situação em Mianmar, Tom Andrews, afirmou que os rohingyas em Bangladesh continuam traumatizados após assistiram a morte de seus entes queridos, a perda de suas comunidades, casas e a tentativa de destruição da identidade.

Acnur/Amos Halder

Superlotação em acampamentos afeta quase 1 milhão de rohingyas apátridas que dependem totalmente de assistência

Andrews pediu maior apoio global para reforçar o auxílio aos rohingyas instalados em acampamentos bengaleses com “fundos robustos que garanta acesso a serviços de qualidade, incluindo humanitários, assistência médica e educação até que possam voltar para casa”.

Após os atos violentos no estado birmanês de Rakhine, o especialista defende mais esforços para “responsabilizar os autores e que seja feita justiça aos rohingyas dentro e fora de Mianmar”. O perito destaca ter passado “da hora de toda a comunidade internacional chamar esses ataques pelo que eles são – genocídio.”

Rakhine

O relator ressalta que os militares birmaneses ainda não foram responsabilizados pela morte de milhares de rohingyas e o deslocamento de mais de 700 mil para Bangladesh.

A crise dos rohingyas teve início na noite de 24 de agosto de 2017 e durou várias semanas. Andrew ressalta que forças birmanesas planejaram e executaram ataques que resultaram “no assassinato generalizado e direcionado de civis rohingyas, incluindo violência sexual sistemática e saques, incêndios e destruição de aldeias inteiras”.

Ele disse que esse momento não marcou o início dos ataques contra os rohingyas. Antes de 2017, missões de apuração de fatos no estado de Rakhine revelaram que os rohingyas viviam oprimidos com seus direitos básicos sendo negados.

Ocha/Vincent Tremeau

O campo de refugiados de Kutupalong em Cox’s Bazar, Bangladesh, é um dos maiores do mundo e hospeda centenas de milhares de rohingyas que fugiram da violência em Mianmar

Em meio a execuções de ativistas, prisões de líderes eleitos e atrocidades, ele disse que é essencial que “de uma vez por todas, a comunidade internacional responsabilize os militares”. Andrews lançou um apelo à comunidade internacional para que faça sua parte e possa “encaminhar a situação em Mianmar ao Tribunal Penal Internacional sem demora e pressionar ao máximo esses militares por meios econômicos e diplomáticos.

Segurança e Proteção

Um relatório das Nações Unidas indica que sindicatos e organizações da sociedade civil do país enfrentam a ameaça de extinção sob a administração militar que assumiu o poder no golpe. Eles sofrem com violência, prisões arbitrárias, invasões, apreensões, ameaças telefônicas e vigilância desde a tomada do poder pelo general Min Aung Hlaing em fevereiro de 2021.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, revela  haver “perseguição direcionada” a grupos que ajudam trabalhadores e migrantes. A situação “limitou substancialmente sua capacidade de operar” e obrigou a fazer mudanças em seu trabalho para garantir segurança e proteção.

Várias entidades do ramo foram banidas desde o golpe. Aquelas que não foram oficialmente incluídas na chamada “lista negra” têm seus líderes presos sob o pretexto de “causarem medo, espalhar notícias falsas ou agitar” o público.

OIM/Said Rizky

Refugiados rohingyas chegando em Aceh, na Indonésia, depois de meses no mar

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