Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Etiópia: ONU precisa de mais dinheiro para continuar alimentando 750 mil refugiados
Novo apelo de US$ 73 milhões foi lançado nesta terça-feira; país africano acolhe mais de um milhão de refugiados e requerentes de asilo; agências alertam que falta de alimentação deixará em risco famílias vulneráveis que dependem do auxílio.
O Programa Mundial de Alimentos, PMA, alertou que se nada for feito, ficará completamente sem condições de apoiar com refeições refugiados da Etiópia até outubro. Para evitar a crise, a agência lançou um novo apelo de US$ 73 milhões, nesta terça-feira.
Com o valor, será possível alimentar mais de 750 mil refugiados, durante os próximos seis meses. O pedido foi feito em conjunto com a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e o Serviço de Refugiados e Retornados do Governo Etíope, RRS.
Riscos
As três agencias alertam que a falta de alimentação deixará famílias vulneráveis,que são dependentes de assistência alimentar, em risco de desnutrição, deficiência de nutrientes, suscetíveis a doenças e infecções.
Devido à falta de financiamento prolongado, o PMA teve que cortar refeições para 750 mil refugiados em 22 acampamentos e cinco locais em comunidades de acolhimento na Etiópia. Em novembro de 2015, houve uma redução de 16%. Seis anos depois, o corte foi mais que o dobro: 40%. Este ano, a ajuda foi reduzida pela metade.
A insegurança alimentar entre os refugiados aumentou como resultado desses cortes. A indisponibilidade de alimentos, choques econômicos, aumento dos custos de alimentos e energia, consequências da Covid-19, conflitos e insegurança só agravaram a situação.
Prioridades
Para entender o impacto dos cortes de refeições na segurança alimentar e na situação socioeconômica dos refugiados, as agências realizaram uma avaliação rápida em abril.
Como medida de curto prazo, o PMA e seus parceiros continuam a priorizar as necessidades de crianças de 6 a 23 meses e mulheres grávidas e amamentando no programa de prevenção da desnutrição.
O representante do PMA e diretor nacional para a Etiópia, Claude Jibidar, disse que a prioridade deve ser restaurar o auxílio, pelo menos em níveis mínimos, para os refugiados que dependem exclusivamente do dinheiro e da assistência alimentar da agência para sobreviver.
Seca severa e falta de recursos
De acordo com a agência, se houver uma resposta imediata dos doadores, será possível comprar alimentos disponíveis na região e transportá-los para atender as necessidades alimentares dos refugiados.
Também será possível enviar dinheiro para os refugiados, dando-lhes a escolha de como atender às suas necessidades imediatas e estimulando os mercados locais.
A vice-representante do Acnur na Etiópia, Margaret Atieno, explicou que a falta contínua de alimentos, alinhada ao impacto da seca mais severa que o país experimentou em mais de 40 anos, prejudicará os ganhos obtidos na proteção dos refugiados e afetará a coexistência pacífica entre eles e suas comunidades anfitriãs.
Assistência alimentar humanitária
Já o diretor geral da RRS, Tesfahun Gobezay, disse que as restrições criam conflito e estresse devido à competição pelos escassos recursos locais existentes.
A Etiópia acolhe mais de um milhão de refugiados e requerentes de asilo registrados. A maioria deles é do Sudão do Sul, Somália, Eritreia e Sudão. Destes, cerca de 750 mil são totalmente dependentes de assistência alimentar humanitária.
As três agências contam com a comunidade de doadores para apoio financeiro estendido aos refugiados com base no princípio de responsabilidade compartilhada para implementar atividades humanitárias básicas de salvamento.
