Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Chefe de direitos humanos diz que golpe militar paralisou economia em Mianmar
Michelle Bachelet assinala razões razoáveis para acreditar que atos de militares contra civis sejam considerados crimes de guerra e contra a humanidade; discurso no Conselho de Direitos Humanos adverte sobre graves limitações aos fluxos de informação e espaço cívico no país asiático.
A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos declarou, esta terça-feira, que o golpe militar de Mianmar prejudicou a economia do país.
A situação lançou milhões de pessoas para um ciclo de pobreza, deslocamento e abusos.
Bens essenciais
As declarações de Michelle Bachelet foram feitas na 50ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, durante uma atualização sobre o país do sudeste da Ásia. Para ela, os danos causados à economia levaram “milhões a perder seus empregos ou fontes de renda no ano passado”.
O valor da moeda nacional despencou e os preços de bens essenciais aumentaram.
Bachelet avisou que o mundo vem testemunhando “o uso sistemático e generalizado de táticas contra civis, em relação aos quais há motivos razoáveis para acreditar na prática de crimes de guerra e contra a humanidade”.
Pelo menos 1,9 mil pessoas foram mortas desde a ação militar ocorrida em fevereiro de 2021. Mais de 75% dos 13,5 mil detidos continuam na situação desde que os militares assumiram o poder.
Resultados
Bachelet confirmou ainda que 1 milhão de pessoas foram deslocadas internas, enquanto cerca de 14 milhões precisam urgentemente de assistência humanitária.
A chefe de direitos humanos disse que as interrupções da internet e o assédio e acusação de jornalistas e outras pessoas “limitaram severamente os fluxos de informações e o espaço cívico”.
Bachelet ressaltou que o plano de cinco pontos da Associação de Nações do Sudeste Asiático, Asean, para lidar com a crise política “parece ter produzido resultados limitados” desde sua adoção em abril de 2021.
O pedido feito ao bloco é “que continue se engajando com todas as partes interessadas nacionais relevantes, incluindo representantes do Governo de Unidade Nacional e da sociedade civil”.
Ajuda Humanitária
Bachelet pediu ainda que os envolvidos na questão adotem uma ação sustentada e concreta para conter a violência.
Neste sentido, ela pediu que parem de imediato “os ataques a civis e a queima de vilarejos”.
Michelle Bachelet considera a proteção dos civis “um imperativo absoluto, e o acesso deve ser garantido para que a assistência humanitária vital chegue a todas as comunidades”.
Para a alta comissária, qualquer solução para a crise deve ser construída com base em amplas consultas com todas as partes interessadas no movimento democrático e com grupos étnicos minoritários.
A chefe de direitos humanos considera urgente que haja um ambiente em que as discussões políticas sejam produtivas para avançar com essa prioridade.
