Source: United Nations – in Portuguese
Headline: ONU Brasil reforça ações contra desinformação e riscos da inteligência artificial
Por Eleutério Guevane*
6 Novembro 2026 ODS
Informações falsas custam bilhões e ameaçam progresso; chefe do Sistema ONU no Brasil, Igor Garafulic, detalha parceria com o país para promover a integridade da informação, segurança cibernética e governança ética da IA.
O Brasil está incluído numa realidade global onde a informação se tornou um campo de batalha e a tecnologia redefiniu os limites da segurança internacional. Um cenário, visto em várias partes do mundo, e que se acirra ainda mais quando há muito interesse em jogo como em época de eleições ou consultas populares.
Para as Nações Unidas, é prioridade combater a desinformação, o discurso de ódio e ameaças cibernéticas emergentes. Foi o que disse à ONU News, o coordenador residente do Sistema ONU no Brasil, Igor Garafulic, nesta entrevista em Nova Iorque.
Desafios da inteligência artificial
“Todos estes temas são temas globais. Quando eu falo aqui com o meu colega que está na Etiópia, ele olha para isso, meu colega e bom amigo Osônia, ou a minha amiga Ana que está no Mali, eles falam dos mesmos temas, dos mesmos desafios da inteligência artificial, das fake news, da necessidade de ter uma governança. Até o secretário-geral, na segunda-feira, ele falou para nós e disse ‘olha, a inteligência artificial é uma coisa que precisa ser governada, não é uma coisa que vai se governar, autogovernar-se”.
Unsplash/Priscilla du Preez Igor Garafulic defende que a rápida difusão de conteúdos falsos e manipulados coloca em risco a estabilidade política e os avanços
Garafulic esteve em Nova Iorque para participar da reunião com todos os representantes da ONU em países. Ele assumiu o cargo em junho em meio a uma campanha contra as fake news. A ONU Brasil lançou uma série de conteúdos educativos focados em pensamento crítico e responsabilidade online.
Respostas concretas
Falando à ONU News, Igor Garafulic detalhou como a organização articula respostas concretas para esses desafios globais, ao mesmo tempo em que fortalece suas prioridades estratégicas no país.
“Isso não quer dizer que vão ser com restrições, que vai ser uma intervenção para controlar, mas quando você chega aos extremos em que a inteligência artificial ninguém sabe para onde vai, quais são os limites, isso não pode ser. Até os grandes chefes das big techs, eu leio que eles mesmos pediam que tem que existir alguma forma de governança e o que é bom é ver que a ONU fez uma plataforma, construiu, convidou líderes e 101 países, acho que o número dos países que estão falando numa plataforma proporcionada pela ONU para falar disso. Então, é uma coisa que precisa ser discutida, trabalhada, porque tem uma importância para todos nós.”
Igor Garafulic defende que a rápida difusão de conteúdos falsos e manipulados coloca em risco não apenas a estabilidade política de nações, mas também aos avanços históricos em saúde pública, direitos humanos e preservação ambiental.
Urgência da Integridade da Informação
Para encarar essa questão global, a ONU lançou os Princípios Globais para a Integridade da Informação. A iniciativa promove ecossistemas de mídia e redes digitais mais seguros, transparentes e comprometidos com a verdade factual.
[embedded content]
A atuação da ONU abrange frentes essenciais de responsabilização das plataformas digitais, que incluem a promoção da transparência dos algoritmos e a mitigação de mecanismos que ampliam a polarização e a desinformação.
Outra frente é a segurança e defesa cibernética, com o monitoramento de vulnerabilidades em infraestruturas digitais e suporte técnico aos Estados-membros para mitigar riscos de ataques cibernéticos e ransomwares, como são chamados os resgates em dinheiro cobrados pelos criminosos online.
Já em relação ao fortalecimento das instituições democráticas, está previsto o apoio à alfabetização mediática e a proteção de jornalistas e defensores dos direitos humanos contra campanhas digitais de difamação.
Parceria Estratégica e Prioridades no Brasil
Na conversa com a ONU News, Igor Garafulic destacou como essencial a cooperação entre o Sistema ONU e o governo brasileiro para abordar essas pautas urgentes, lembrando o protagonismo do Brasil no debate sobre governança digital no Sul Global.
Ele defendeu ainda que “o combate à desinformação e a proteção do espaço democrático não são questões isoladas, mas pré-requisitos para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”
A parceria com a ONU responde a um desafio gerado pela desinformação cujos prejuízos chegam a até US$ 510 bilhões anuais.
Essa situação corrói a confiança nas instituições e atrasa a agenda climática. Com a iniciativa, o Brasil e a ONU reafirmam a aposta em consolidar uma rede mais segura e transparente para todos.
Impacto global
Além da segurança digital e integridade da informação, as prioridades da atuação da ONU no Brasil abrangem a ação climática e a transição justa. Nesse tema, é promovido o suporte à preservação dos biomas brasileiros, em especial a Amazônia, alinhando o desenvolvimento econômico à justiça socioambiental.
Unsplash/Nijwam Swargiary Desinformação gera prejuízos que chegam a até US$ 510 bilhões anuais
O trabalho conjunto foca também na redução das desigualdades e na inclusão social, coordenando políticas públicas para a erradicação da fome, a igualdade racial e de gênero e o atendimento a populações em situação de vulnerabilidade.
Por fim, a parceria impulsiona o desenvolvimento sustentável e a inovação por meio da mobilização de investimentos e da cooperação técnica voltadas à transição energética e ao avanço tecnológico sustentável.
Para o líder das Nações Unidas no Brasil, a resposta da ONU aos novos desafios geopolíticos e digitais reafirma a relevância do multilateralismo.
A proteção contra a desinformação e as ameaças no espaço cibernético exige uma coordenação global robusta, onde direitos fundamentais, soberania e integridade da informação caminhem lado a lado.
*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.
