Source: United Nations – in Portuguese
Headline: ONU desencoraja violência e repressão em protestos estudantis na Europa
21 Outubro 2026 Direitos humanos
Chefe de Direitos Humanos apela a governos europeus para travarem a escalada de violência na sequência de protestos estudantis; alerta surge após vários dias de confrontos entre manifestantes e forças de segurança no continente.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, condenou a violência das manifestações que se alastram por vários países europeus. O representante revelou estar preocupado com o uso excessivo da força por parte das autoridades.
Portugal é um dos países que nas últimas semanas verifica protestos de milhares de jovens contestando o aumento do custo de vida, a crise habitacional e a deterioração dos serviços públicos. Os atos também têm lugar em ruas e praças de França, Espanha, Itália, Grécia e Albânia.
ONU preocupada com os protestos
As respostas policiais aos protestos preocupam as Nações Unidas. Em comunicado, Volker Turk apelou aos governos dos cinco países para que travem a escalada de violência que acompanha estas manifestações.
O representante sublinhou que os jovens têm o direito de se manifestar pacificamente e de fazer ouvir a sua voz e que os Estados devem facilitar o exercício desse direito.
O seu alerta surge após vários dias de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, episódios marcados, por vezes, por roubo, incêndios e centenas de detenções.
Acampamentos marcam manifestações em Portugal
Em Portugal, a crise habitacional concentra o descontentamento dos estudantes. Na passada quinta-feira, forças policiais mobilizadas para desmantelar os acampamentos na Praça D. João I, no Porto, investiram contra dezenas de manifestantes, deixando vários feridos.
Na madrugada de terça-feira, as autoridades desmantelaram outros acampamentos montados em praças das cidades de Lisboa e do Porto. Os protestos organizados contra o aumento das rendas nas duas maiores cidades do país já se alastraram por vários distritos de Portugal continental.
Pelo menos 55 ativistas foram detidos por alegada resistência no acampamento pelo direito à habitação na capital. Os manifestantes compareceram esta quarta-feira em tribunal para o primeiro interrogatório.
ONU News/Leda Letra Largo da Esperança, Lisboa
Movimento estudantil com origem em França
As manifestações no continente tiveram início em França, ainda no mês de setembro, contra a falta de recursos no sistema de ensino. No decorrer das semanas, a subida dos preços e os cortes nos serviços públicos passaram a integrar as palavras de ordem dos manifestantes franceses.
No sábado, as manifestações degeneraram em várias cidades. Em Paris e Marselha, vários estabelecimentos comerciais foram saqueados e edifícios danificados. Mais de 2,4 mil pessoas foram detidas, avançam agências.
Na Bélgica, grupos de estudantes do ensino secundário juntaram-se a um protesto mais vasto contra as medidas de austeridade do Governo Federal. As manifestações em Bruxelas e Liège resultaram em cerca de 200 detidos, entre os quais havia pelo menos 25 menores de idade.
Em Itália, sobretudo em Milão, os protestos contra o custo de vida e as dificuldades económicas também degeneraram em confrontos.
Na Albânia, onde os protestos são dirigidos contra o Governo de Edi Rama, os estudantes denunciam a corrupção, as condições do ensino e a falta de perspetivas económicas.
Ainda esta quarta-feira, milhares de estudantes e professores saíram às ruas na Grécia, exigindo maior financiamento estatal para a educação.
Resposta das autoridades deve ser proporcional
Volker Turk lamenta os atos daqueles que aproveitam as manifestações para cometer atos de violência e vandalismo contra bens públicos e privados, sublinhando que os autores devem ser individualmente responsabilizados.
O alto comissário também manifestou a sua preocupação com os relatos sobre o uso desnecessário e excessivo da força contra os manifestantes, incluindo crianças.
Turk lembra que toda a intervenção policial deve ser “legal, necessária e proporcional” e que as vítimas devem ter a possibilidade de obter reparação, devendo os responsáveis ser responsabilizados.
Tal como o direito de manifestação não protege os autores dos danos cometidos, a violência cometida por alguns manifestantes não pode justificar uma repressão indiscriminada, enfatiza o alto comissário.
