Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Unicef: Aumento da dívida pública condiciona investimentos essenciais para milhões de crianças
15 Outubro 2026 Desenvolvimento econômico
As crianças com maiores necessidades estão cada vez mais concentradas em países que carregam alguns dos encargos de dívida mais pesados; diretora-executiva do Unicef lembra que a rapidez da resolução da dívida constitui uma questão de desenvolvimento.
Atualmente, mais de um bilhão de crianças crescem em países de rendimento baixo e médio-baixo, nos quais o aumento da dívida pública tem vindo a condicionar o investimento em saúde, educação, nutrição e proteção social.
O aviso foi lançado por Catherine Russell, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no decorrer do diálogo de alto nível “Dívida, desenvolvimento e a próxima geração”, realizado na sede da ONU em Nova Iorque.
Impacto da dívida nas crianças
A responsável afirmou que, em algumas economias, o serviço da dívida externa duplicou, em percentagem das receitas do Governo, passando de cerca de 4% em 2010 para mais de 10%.
Em 2024, os países em situação ou em elevado risco de endividamento excessivo registaram saídas superiores a US$ 30 bilhões para os respetivos credores externos, pagando mais em serviço da dívida do que receberam em novo financiamento.
Por detrás destes números estão escolhas que afetam diariamente milhões de meninos e meninas. Catherine Russell notou que crianças com maiores necessidades estão cada vez mais concentradas em países que carregam alguns dos encargos de dívida mais pesados.
Unicef/Safidy Andrianantenain Alunos de uma escola em Taolagnaro, Madagascar, trabalham pela primeira vez em seu novo laboratório de informática
Pelo menos 34 Estados gastaram mais no pagamento de juros do que em saúde. Nestes países, onde vivem 1,1 bilhão de crianças, registaram-se cerca de 3,2 milhões de mortes entre menores de cinco anos e estima-se que 97 milhões sofram de atraso de crescimento.
Uma crise geracional
Diante deste quadro preocupante, a diretora executiva alertou para a crise geracional que afeta milhões de crianças na atualidade, cujas consequências nem sempre são imediatamente percecionadas.
Ela lembra que, à medida que o serviço da dívida consome uma parcela crescente das receitas públicas, os governos podem preservar salários enquanto cortam em medicamentos, material escolar ou infraestruturas, o que se traduz numa prestação de menos serviços às crianças.
Neste sentido, Catherine Russell sublinha que, ao contrário da dívida, a infância não pode ser reescalonada e lembra que a rapidez da resolução da dívida é, em si mesma, uma questão de desenvolvimento.
A responsável concluiu a intervenção destacando que abordar a dívida e investir nas crianças não são prioridades concorrentes, mas antes investimentos para o mesmo futuro.
