Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Novo roteiro global quer combater a hipertensão na gravidez
8 Outubro 2026 Saúde
Estima-se que as complicações hipertensivas afetem pelo menos uma em cada 10 gestantes; novo guia abarca orientações clínicas, sistemas de saúde e ações políticas para tratar os distúrbios hipertensivos na gravidez.
A Organização Mundial da Saúde, OMS, e seus parceiros lançaram um roteiro global para combater os distúrbios hipertensivos na gravidez, responsáveis pela morte anual de milhares de mulheres.
Publicado na última quarta-feira, o novo guia abrange os distúrbios que permanecem entre as principais causas de morte materna e neonatal, associados a impactos trágicos e duradouros para as famílias.
Roteiro lança as bases para uma ação coordenada
Lançado durante a Conferência Global da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, o novo roteiro da OMS estabelece ações coordenadas nas áreas de pesquisa e inovação para combater a hipertensão na gravidez.
O documento reúne pesquisas, medicamentos, orientações clínicas, sistemas de saúde e ações políticas para que as chances de uma mulher sobreviver à gravidez e ter o seu bebê não dependam do seu local de residência.
Ainda em maio, a agência reuniu mais de 140 parceiros em uma cúpula global, com o objetivo de identificar e responder a questões prioritárias de pesquisa. As diretrizes delineadas guiarão investimentos futuros, destinados a prever, detectar e tratar os distúrbios hipertensivos na gravidez.
Complicações hipertensivas afetam 1 em cada 10 grávidas
Estima-se que os distúrbios hipertensivos compliquem entre 10% e 15% das gravidezes em todo o mundo. Essas complicações são responsáveis por cerca de 16% das mortes maternas globais, resultando em 42 mil mortes anuais, além de 500 mil natimortos e mortes de recém-nascidos.
No conjunto dessas perturbações, destaca-se a pré-eclâmpsia, uma complicação grave caracterizada pelo aumento da pressão arterial após a 20.ª semana de gestação, que pode ocorrer em qualquer gravidez.
A prevenção de um desfecho fatal nesse quadro de alto risco depende da verificação oportuna da pressão arterial e de uma assistência de emergência de qualidade, destaca a diretora do Departamento de Saúde Sexual, Reprodutiva, Materna, Infantil, do Adolescente e Envelhecimento da OMS.
Pascale Allotey disse, no entanto, que milhões de mulheres em todo o mundo continuam sem acesso confiável a serviços básicos, como medição da pressão arterial e medicamentos essenciais, incluindo aspirina e anti-hipertensivos.
Impactos severos e duradouros
Complicações como a pré-eclâmpsia podem acarretar consequências duradouras para as mães no período pós-parto. Essas mulheres correm maior risco de desenvolver hipertensão crônica, doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, AVC, e doenças renais mais tarde na vida.
Por sua vez, as crianças expostas a essas condições durante a gestação podem enfrentar riscos elevados associados ao parto prematuro e a doenças cardiovasculares e metabólicas a longo prazo, revela o documento.
A OMS sublinha que as lacunas na assistência pré-natal nos países de baixa e média renda aumentam a probabilidade de as mulheres desenvolverem complicações graves, correndo risco de morte.
De acordo com a agência, as mulheres afetadas pela pobreza, por crises humanitárias, pelo isolamento geográfico e por outros desafios enfrentam os maiores riscos à saúde.
