Post

Mundo vive o momento nuclear mais perigoso desde a Guerra Fria

Mundo vive o momento nuclear mais perigoso desde a Guerra Fria

Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Mundo vive o momento nuclear mais perigoso desde a Guerra Fria
29 Setembro 2026 Paz e segurança

Alerta é do secretário-geral no Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares; António Guterres apontou arsenais em expansão e mecanismos de segurança a desmoronar; ele fez um apelo por diálogo urgente, controle de armas e medidas concretas para proteger o futuro da humanidade.

O secretário-geral da ONU caracterizou o momento nuclear atual como “o mais perigoso desde o fim da Guerra Fria”. António Guterres fez esta afirmação em uma reunião plenária de alto nível que assinalou neste 29 de setembro o Dia Internacional para a Eliminação Total das Armas Nucleares.
O líder das Nações Unidas destacou que essa realidade é vivida 81 anos após as destruições de Hiroshima e Nagasaki, notando que “a sombra das armas nucleares não apenas persiste sobre a humanidade, mas escurece a um ritmo alarmante”.
Gravidade do cenário atual
O secretário-geral alertou que os arsenais globais estão em franca expansão e modernização. 
Para ele, “o ruído das ameaças estratégicas torna-se cada vez mais ensurdecedor”, enquanto a rápida evolução tecnológica aumenta drasticamente as probabilidades de acidentes e erros de cálculo irreversíveis.
Guterres explicou que, “exatamente quando os mecanismos de segurança construídos ao longo de décadas são mais vitais, eles estão a desmoronar”. Ele classificou os recentes retrocessos globais não como meras decepções diplomáticas, mas como sinais de “alerta críticos”.
© IAEA Secretário-geral apelou para que as ameaças nucleares sejam substituídas pelo diálogo
Entre os riscos crescentes e a quebra de barreiras, destacam-se o fim do Tratado New Start, cuja expiração deixou o mundo, pela primeira vez em mais de meio século, sem limites legais e vinculativos para os arsenais nucleares estratégicos, minando a segurança de toda a comunidade internacional. 
O Tratado New Start foi o último acordo bilateral de limitação de armas nucleares entre os Estados Unidos e Rússia. Assinado em 2010 e em vigor desde 2011, o pacto expirou oficialmente em 5 de fevereiro de 2026.
Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares
Outro fator preocupante é a ruptura do consenso, evidenciada pela falha em alcançar resultados substantivos na 11ª Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, TNP. 
Guterres alertou para uma “paralisia institucional”, uma vez que a Comissão de Desarmamento das Nações Unidas concluiu mais um ciclo de três anos sem apresentar recomendações concretas.
O secretário-geral realçou que o desarmamento não é uma concessão diplomática, mas sim uma obrigação legal vinculativa estabelecida pelo TNP. 
Caminho para a eliminação total
Para proteger o futuro da humanidade, ele apontou que os líderes globais devem forjar um novo caminho por meio de ações imediatas, o que inclui a negociação urgente de um sucessor para o New Start entre os Estados Unidos e a Rússia.
Guterres disse que é preciso evitar uma nova corrida armamentista, reduzir o papel das armas nucleares, garantir a entrada em vigor do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares, Ctbt, e avançar na adesão ao tratado de eliminação total dessas armas.
O chefe da ONU recordou que, há mais de oito décadas, a humanidade vive refém dessa ameaça, enfatizando que as “máquinas de morte” jamais devem ditar o destino da espécie humana e que um mundo politicamente dividido não pode servir de justificativa para a inação. 
Por fim, o secretário-geral apelou para que as ameaças nucleares sejam substituídas pelo diálogo, a corrida armamentista pelo controle de armas e a paralisia por medidas concretas.

MIL OSI