Source: United Nations – in Portuguese
Headline: OIM: ajuda humanitária no Sudão pode entrar em crise nas próximas semanas
16 Setembro 2026 Ajuda humanitária
Com 8,6 milhões de deslocados internos e quase 5 milhões de retornados, o Sudão enfrenta sobrecarga em abrigos informais e famílias anfitriãs; escassez de infraestrutura aumenta riscos de violência, doenças e despejos.
A Organização Internacional para Migrações, OIM, avisa que a resposta emergencial no Sudão está à beira do abismo devido aos conflitos armados contínuos, chuvas intensas e falta de financiamento internacional.
Sem novas doações, o estoque de itens essenciais como abrigos e kits de saneamento deve se esgotar completamente até o final deste mês.
Falta de estrutura
De acordo com a Matriz de Rastreamento de Deslocamento da OIM, o Sudão contabiliza 8,6 milhões de pessoas deslocadas internamente, além de 4,9 milhões de retornados.
Cerca de 70% das pessoas forçadas a deixar suas casas vivem com famílias de acolhimento ou em assentamentos informais, expostas à violência e a inundações que destroem os abrigos e forçam novas fugas.
A falta de infraestrutura adequada tem aumentado os riscos de violência de gênero, proliferação de doenças e despejos em locais sobrecarregados.
Apoio financeiro imediato
A diretora-geral da OIM, Amy Pope, reforçou a urgência da situação e fez um apelo por apoio financeiro imediato.
Operado pela agência para auxiliar a ONU e mais de 100 parceiros cadastrados, a rede já prestou assistência a mais de 2,84 milhões de pessoas desde julho de 2023.
Nos últimos anos, porém, o alcance vem caindo por falta de recursos: de 1 milhão de atendidos em 2024 para 804 mil em 2025, e apenas 330 mil pessoas em 2026.
Segundo a dirigente, todo o sistema humanitário no país pode se desfazer em questão de semanas se não houver ação rápida, impedindo que o socorro chegue às famílias mais vulneráveis.
Capacidade operacional até o fim do ano
Se o sistema for interrompido, a OIM informa que a capacidade operacional de armazenamento só conseguirá ser mantida até dezembro, e a reconstrução dessa rede logística exigiria processos complexos e custos elevados.
Para evitar isso, a agência estima pelo menos US$ 15 milhões para manter a capacidade mínima do sistema por 12 meses, garantindo atendimento a 305 mil pessoas.
No entanto, a verba de US$ 42 milhões permitiria ampliar a ajuda emergencial para até 1 milhão de afetados pela crise sudanesa para alcançar o antigo patamar.
