Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Síria mostra sinais de recuperação, mas ONU reforça urgência humanitária
28 Agosto 2026 Ajuda humanitária
No Conselho de Segurança, representante da organização fala de avanços recentes, mas alertou que milhões ainda vivem sem serviços básicos; falta de recursos internacionais ameaça comprometer a ajuda humanitária e a reconstrução do país.
Após passagem pela Síria, o secretário-geral assistente interino para Assuntos Humanitários, Indrika Ratwatte, defendeu o apoio contínuo da comunidade internacional ao país no Conselho de Segurança da ONU.
A sugestão segue-se à primeira visita do secretário-geral das Nações Unidas à Síria em 17 anos. O representante da organização destacou avanços no fortalecimento das instituições e na justiça de transição.
Sinais de recuperação
Pela primeira vez em anos, a Síria registrou avanços econômicos e sociais.
A produção agrícola dá sinais de recuperação, com estimativas do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, indicando que a colheita de trigo de 2026 pode garantir a autossuficiência alimentar sazonal do país, enquanto se estabelecem redes de energia, transporte e o comércio
Desde dezembro de 2024, quase 2 milhões de deslocados internos e mais de 1,7 milhão de refugiados voltaram para os seus locais de origem na Síria.
ONU/Eskinder Debebe Após passagem pela Síria, o secretário-geral assistente interino para Assuntos Humanitários, Indrika Ratwatte, defendeu o apoio contínuo da comunidade internacional ao país.
Crescimento econômico
A retirada da Síria da lista de Estados Patrocinadores do Terrorismo pelos Estados Unidos abriu caminho para a recuperação econômica.
A missão do Fundo Monetário Internacional no país, FMI, projeta o crescimento econômico de dois dígitos nesse ano, apesar da inflação alta.
No entanto, a atividade militar israelense prossegue no sul da Síria, com incursões terrestres, buscas em residências e destruição de propriedades agrícolas em Quneitra e na Bacia de Yarmouk.
Conselho de Segurança
Durante o Conselho de Segurança, Rattwatte ressaltou que os avanços são frágeis e que o cenário social permanece crítico.
No país, milhões de pessoas ainda encontram dificuldade para acessar serviços básicos, como cuidados de saúde, alimentos, água potável, educação e oportunidades de subsistência.
Rattwatte também destaca a falta de recursos financeiros de doadores internacionais, que dificultam a resolução das demandas da população.
© Wikimedia Commons/Bernard Gagnon Damasco, capital da Síria
Operações humanitárias
Durante o primeiro semestre de 2026, uma média mensal de 2,4 milhões de pessoas foram atendidas em operações humanitárias com o fornecimento de alimentos, água potável, procedimentos médicos de emergência e serviços de proteção.
Lidar com os escombros dos conflitos, como casas destruídas, representam uma nova realidade para as famílias.
Apesar das limitações orçamentárias e dos déficits de verbas, as Nações Unidas e os parceiros mantiveram a assistência no território sírio.
Fundo Humanitário da Síria
A Assembleia do Povo da Síria aprovou o regimento interno, mas a ONU cobra um processo inclusivo e transparente para a elaboração de uma nova Constituição permanente.
Para que o país alcance a autossuficiência, Indrika Ratwatte pediu pela garantia de aporte financeiro contínuo para apoiar tanto à ajuda humanitário quanto as ações de desenvolvimento a longo prazo.
As sugestões também incluem o investimento na reintegração de pessoas internamente deslocadas e daqueles que retornam ao país, além de medidas políticas efetivas para impedir que novos conflitos armados aconteçam na região.
A ONU anunciou o lançamento de dois novos investimentos financeiros pelo Fundo Humanitário da Síria. São US$ 70 milhões para apoiar o retorno de famílias, remoção de explosivos e integração comunitária e US$ 5 milhões destinados a comunidades em vulnerabilidade extrema no sul do país.
