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Afeganistão vive crise da exclusão feminina em cinco anos sob o Talibã

Afeganistão vive crise da exclusão feminina em cinco anos sob o Talibã

Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Afeganistão vive crise da exclusão feminina em cinco anos sob o Talibã
20 Agosto 2026 Mulheres

Mesmo com alta de 14% no emprego global desde 2022, novos postos de trabalho foram absorvidos quase exclusivamente por homens; com a segunda menor taxa mundial de participação feminina na força de trabalho, economia consolida cenário de segregação e retrocesso social.

Depois de cinco anos da tomada do poder pelo Talibã, as mulheres enfrentam barreiras estruturais no mercado de trabalho do Afeganistão.
De acordo com o novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, o cenário atual é definido pelo aumento da dependência do emprego masculino e pela severa exclusão feminina de atividades econômicas. 
Disparidade de gênero
Segundo o relatório, a taxa de emprego no país asiático teve um crescimento estimado de 14% em relação a 2022, com aproximadamente 8,5 milhões de trabalhadores em 2026.
No entanto, a expansão dos postos de trabalho ficou concentrada entre a população masculina. Neste ano, o emprego masculino atingiu um patamar 22% superior ao registrado em 2020. 
Em contrapartida, o emprego feminino sofreu um colapso: após leve redução em 2021, caiu acentuadamente em 2022, representando menos de um terço do percentual antes do governo Talibã.
O Afeganistão registra a segunda menor taxa de participação feminina na força de trabalho em todo o mundo. Para a OIT, isso evidencia a exclusão das mulheres da economia do país. 
© OIM Mulheres preparam pão em uma padaria em Kandahar, Afeganistão
Impactos da crise no Oriente Médio 
Além da exclusão feminina, o retorno dos exilados que viviam no Paquistão e no Irã também impacta o mercado, pois eles estão se reestabelecendo em comunidades que já lidam com altos índices de pobreza e subemprego.
Mais de 70% dos trabalhadores afegãos atuam em setores classificados como de média ou alta exposição aos impactos econômicos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, de acordo com a OIT. 
O chefe do escritório da agência no Afeganistão, Tite Habiyakare, afirma que o país não pode construir um mercado de trabalho estável enquanto uma parcela tão expressiva de sua população continuar excluída.
Garantir o acesso das mulheres a empregos, ao mesmo tempo em que se criam oportunidades para repatriados, jovens e outros trabalhadores vulneráveis, é essencial para fortalecer os meios de subsistência e apoiar um desenvolvimento econômico mais inclusivo, Habiyakare concluiu.
Promoção do emprego produtivo
A OIT defende que a promoção do emprego produtivo seja mantida no centro das políticas públicas do país.
Dentre as recomendações, está o apoio ao desenvolvimento do setor privado, reintegração população repatriada, proteção das famílias vulneráveis contra a alta do custo de vida.
Outras sugestões são a ampliação do acesso ao trabalho para todos os segmentos da população e novos investimentos em pesquisas. 

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