Source: United Nations – in Portuguese
Headline: ONU destaca ação dos jovens para conter crise climática
11 Agosto 2026 Clima e Meio Ambiente
Geração atual sofrerá mais impactos ao longo da vida que as anteriores; eventos extremos abalam com mais força países menos desenvolvidos, onde vivem 75% dos jovens; Pnud destaca ação juvenil para construir sociedades mais resilientes e sustentáveis ao redor do globo.
As crianças e jovens de hoje enfrentarão mais ondas de calor, enchentes, incêndios florestais e escassez de alimentos, ao longo de suas vidas, do que as gerações anteriores.
As mudanças climáticas se tornam mais frequentes e severas, a cada ano, causando impactos mais fortes em regiões menos desenvolvidas do mundo, onde atualmente vive 75% da população jovem, aproximadamente 1 bilhão de pessoas.
Maior geração juvenil da história
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, alerta que os direitos dos jovens a um ambiente saudável, casa segura, emprego digno, saúde, alimentação e aprendizado estão todos ameaçados pela crise climática.
A situação é ainda pior para as meninas, que têm mais probabilidade de serem retiradas da educação quando ocorrem choques climáticos. Elas também são mais vulneráveis à violência de gênero após eventos extremos.
Mesmo em um cenário que afeta profundamente a vida e as perspectivas da juventude mundial, muitos estão assumindo a liderança na ação climática.
Como a maior geração juvenil da história, os jovens de hoje têm papéis cruciais no combate às mudanças climáticas, tanto em suas comunidades como no cenário global.
ONU/Laura Quinones Ativistas climáticos protestam em Glasgow durante a COP26.
Resistência em um futuro imprevisível
Eles atuam como defensores e líderes comunitários, pesquisadores e educadores, inovadores e empreendedores que estão ajudando a construir sociedades mais resilientes e sustentáveis ao redor do mundo.
O Pnud ressalta que o envolvimento deles é crucial para o sucesso e a longevidade das soluções climáticas e para moldar sociedades de maneiras que possam resistir a um futuro cada vez mais imprevisível.
Apesar de estarem significativamente sub-representados nos processos de tomada de decisão, os jovens ajudaram a colocar as mudanças climáticas no centro das agendas políticas.
As demandas dos jovens por uma transição energética inclusiva e justa para um futuro de baixo carbono moldaram tanto as políticas nacionais quanto as negociações internacionais sobre o clima convocadas pelas Nações Unidas, por meio de grupos como a Youngo.
Equidade intergeracional nos tribunais
Alguns jovens também têm liderado esforços por justiça climática e equidade intergeracional nos tribunais.
Um dos exemplos mais significativos é o trabalho dos Estudantes das Ilhas do Pacífico Lutando contra as Mudanças Climáticas, um movimento de jovens das Ilhas do Pacífico que buscava obter um parecer consultivo sobre mudanças climáticas junto à Corte Internacional de Justiça.
Esse esforço levou, em última instância, à adoção de uma resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que reconhece que os países têm a obrigação de evitar causar danos significativos ao clima e ao meio ambiente e de cumprir seus compromissos existentes sob o Acordo de Paris.
As prioridades e demandas dos jovens são sintetizadas anualmente na Declaração Global da Juventude, o maior documento de política climática liderado por jovens, que é apresentado à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Unfccc.
ICJ /Frank van Beek Uma fotografia de arquivo da Corte Internacional de Justiça
Cinco prioridades da juventude
Em 2025, o documento destaca cinco prioridades-chave para governos, instituições e empresas. A primeira é a entrega, pelos governos de compromissos climáticos claros com ações fortalecidas para uma eliminação completa, rápida e justa dos combustíveis fósseis.
A segunda é reconhecer e institucionalizar a equidade intergeracional como uma obrigação legal e ética em todas as decisões relacionadas ao clima. A terceira é afirmar que guerras, genocídios e conflitos causam degradação ambiental, agravam as mudanças climáticas e aprofundam as vulnerabilidades existentes.
A quarta é fornecer financiamento climático acessível, equitativo, transparente, baseado em subsídios e substancial, que deva ser disponibilizado para organizações juvenis, incluindo aquelas lideradas por Povos Indígenas, mulheres, pessoas de gênero diverso e outros grupos marginalizados.
A quinta é dar mais prioridade política para a adaptação às mudanças climáticas e fornecer apoio financeiro, transferência de tecnologia e desenvolvimento de capacidades para todos os países.
