Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Relatores da ONU pedem proteção de civis em meio à violência no Oriente Médio
23 Julho 2026 Paz e segurança
Conflito militar entre Estados Unidos e Irã deixa mais de 6 mil marinheiros confinados no Estreito de Ormuz e diversas embarcações comerciais destruídas; grupo de especialistas afirma que povo iraniano está “preso entre ataques externos e repressão interna”.
Especialistas de direitos humanos da ONU* condenaram a intensificação da guerra entre Estados Unidos e Irã e a sua propagação por toda a região, algumas semanas após a assinatura de um Memorando de Entendimento de 14 pontos destinado a encerrar os combates.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o grupo afirma que “abandonar esses compromissos prejudica as perspectivas de paz, prejudica os direitos humanos das vítimas de guerra e mina a confiança mútua nos acordos necessários para encerrar permanentemente o conflito”.
Ataques a embarcações comerciais
Durante a noite de 12 a 13 de julho, ataques militares e contra-ataques entre Estados Unidos e Irã marcaram uma escalada significativa do conflito. Os impactos foram relatados em vários países do Golfo, aumentando as preocupações com mais uma escalada regional.
Embarcações comerciais foram atacadas no Estreito de Ormuz, colocando em risco os marinheiros civis. As atividades comerciais que utilizam esta rota marítima se encontram praticamente interrompidas.
Os especialistas afirmaram que todas as partes do conflito devem observar os princípios de distinção, proporcionalidade e precaução destinados a proteger civis e bens civis, incluindo embarcações comerciais e suas tripulações.
WFP/ Cluster de Logística Situação das rotas de transporte, portos e aeroportos na região do Oriente Médio. Dados de 25 de maio de 2026
Impacto no comércio global
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, Arsenio Dominguez, expressou profunda preocupação com os 6 mil marinheiros que ainda estão presos em cerca de 500 navios ancorados no Golfo Pérsico.
Em entrevista para a ONU News, em Genebra, ele afirmou que esses profissionais são inocentes, e não têm treinamento para uma situação de combate. Além disso, as embarcações “não são preparadas para se defender contra mísseis e drones”.
Dominguez destacou o papel crucial dos marinheiros no comércio global e disse que “sem eles, 90% das mercadorias transportadas por navios não conseguirão chegar aos seus destinos finais”, prejudicando toda a população mundial.
Infraestruturas destruídas no Irã
Relatos recentes indicam ataques a infraestruturas civis, incluindo portos no sul do Irã, bem como interrupções no fornecimento de energia, ataques nas proximidades de uma usina nuclear e danos a linhas ferroviárias.
Uma usina de dessalinização também foi atingida, deixando, segundo informações, 10 mil iranianos sem água.
Autoridades locais e a mídia iraniana também relataram ataques ao Aeroporto de Semnan, a um silo de trigo, a uma fábrica de água engarrafada e a áreas adjacentes a um hospital oncológico infantil, forçando a evacuação de pacientes.
IRCS Uma voluntária da Sociedade da Cruz Vermelha Iraniana consola uma mulher após um ataque com míssil (arquivo)
Povo iraniano “preso entre ataques externos e repressão interna”
Para o grupo de especialistas, ataques contra portos, energia e transporte afetam o acesso da população a alimentos, medicamentos e meios de subsistência em um país em profunda precariedade econômica.
A nota declara que “o povo do Irã está mais uma vez preso entre os novos ataques dos Estados Unidos e a repressão interna de seu governo”.
Desde o início da guerra, no final de fevereiro, agressões externas mataram milhares e deslocaram milhões. Simultaneamente, as autoridades iranianas continuaram a realizar execuções, em meio a relatos de detenções em massa, tortura e desaparecimentos forçados.
*Relatores especiais de direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário pelo seu trabalho.
