Source: United Nations – in Portuguese
Headline: ONU Mulheres aponta riscos da Inteligência Artificial para igualdade de gênero
22 Junho 2026 Mulheres
Pesquisa revela que quase metade dos sistemas analisados reproduzem preconceitos enquanto violência digital contra mulheres cresce; com pouca regulação presença feminina no setor, agência defende inclusão e parâmetros de segurança para transformar a tecnologia em ferramenta de representatividade.
Embora esteja reescrevendo a dinâmica global, a Inteligência Artificial, IA, perpetua desigualdades e silencia os direitos de meninas e mulheres.
Esta é a conclusão de um novo estudo divulgado pela ONU Mulheres. O documento alerta para o avanço de algoritmos discriminatórios no mercado global, revelando que 44% das tecnologias de IA analisadas demonstram viés de gênero, enquanto 26% combinam preconceitos de gênero e de raça.
Falta de fiscalização humana
A IA generativa se tornou uma das ferramentas mais utilizadas na comunicação e no marketing. Um censo dos profissionais de publicidade do Reino Unido, no ano passado, revelou que 88% das agências de mídia fizeram uso da ferramenta na região.
Segundo o estudo, 51% dos profissionais monitoram os conteúdos gerados por IA antes de sua veiculação.
O relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, revela que os Grandes Modelos de Linguagem de IA associam mulheres a conceitos como “casa”, “família” e “filhos”, enquanto homens são vinculados a “negócios”, “executivo” e “carreira”.
Além disso, em testes de complementação de frases iniciadas pelo gênero da pessoa, cerca de 20% das respostas exibiram atitudes sexistas e misóginas, retratando mulheres como objetos sexuais ou propriedade de seus maridos.
De 138 países avaliados pela ONU Mulheres, apenas 24 mencionam gênero em suas estratégias nacionais de IA, e só 18 incluem políticas para mitigar o problema.
Unsplash/Ecliptic Graphic As interfaces cérebro-computador desempenharão um papel central na definição de como a inteligência humana e a inteligência artificial se encaixam
Escalada da violência digital
A popularização da IA também intensificou a violência de gênero nos espaços digitais.
Dados da ONU Mulheres mostram que quase uma em cada quatro defensoras de direitos humanos, ativistas e jornalistas já sofreu violência online mediada por IA.
Entre as entrevistadas, 12% relataram o compartilhamento não consensual de imagens íntimas e 6% foram alvo de deepfakes.
Enquanto sofrem os impactos negativos, as mulheres continuam fora das empresas de tecnologia, representando apenas 30% da força de trabalho global no setor.
Dentre as profissionais de outras áreas, os cargos ocupados por mulheres têm quase o dobro de chance de serem substituídos por robôs que o dos homens.
Inclusão como forma de atuação
O resultado do estudo da Aliança Antiestereótipos, iniciativa liderada pela ONU Mulheres com o setor privado, mostra que empresas que criam publicidades inclusivas e livres de estereótipos registram um aumento de 3,46% nas vendas de curto prazo e 16,26% no longo prazo.
Essas marcas têm ainda 62% mais chances de ser a primeira escolha do consumidor e experimentam uma fidelidade 15% maior.
A agência defende que, se for projetada com parâmetros de segurança e utilizada de forma intencional, a IA pode se transformar em uma aliada poderosa para detectar estereótipos e ampliar a representatividade.
No entanto, a organização enfatiza que o rumo dessa tecnologia depende das decisões tomadas por governos, empresas e desenvolvedores, exigindo a inclusão obrigatória das vozes e experiências vividas por mulheres e pela sociedade civil.
