Source: United Nations – in Portuguese
Headline: Acnur quer expansão urgente de reassentamento de milhões de refugiados
Agência prevê que cerca de 2,4 milhões de pessoas precisarão ser reassentadas no próximo ano; necessidades permanecem mais elevadas no Afeganistão, no Sudão do Sul e na Síria além de refugiados da minoria étnica rohingya, no sudeste da Ásia.
Em todo o mundo, existe uma discrepância persistente entre as necessidades globais e os lugares disponíveis para o reassentamento de refugiados.
A conclusão é do mais recente relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur: “Necessidades Globais Projetadas de Reassentamento”.
Riscos de proteção
A agência prevê que cerca de 2,4 milhões de refugiados em todo o mundo necessitarão de reassentamento em 2027. Estes continuam a enfrentar riscos de proteção no país de asilo e não conseguem regressar em segurança aos seus países de origem.
Embora este número represente uma diminuição de 6% em comparação ao de 2026 e dê continuidade a uma tendência descendente desde 2025, a redução reflete desenvolvimentos específicos em diferentes contextos.
De acordo com o Acnur, os afegãos continuam a ser o maior grupo com necessidade de reassentamento. Seguem-se refugiados do Sudão do Sul, Sudão, Síria e os refugiados rohingya, de Mianmar, que fugiram para a nação vizinha Bangladesh, mas continuam a enfrentar riscos elevados.
Reassentamento assistido diminuiu em 2025
Em 2025, aproximadamente 37 mil refugiados partiram para um novo país através de reassentamento assistido pelo Acnur, um número significativamente inferior aos mais de 116 mil registados no ano anterior.
A comunidade internacional estabeleceu uma meta de 130 mil lugares de reassentamento para 2027, mas a redução das quotas torna improvável que este objetivo, definido em 2022, seja alcançado.
Esta carência reflete uma combinação de alterações políticas nos países de destino, que levaram à suspensão de admissões, à adoção de critérios mais restritivos e a atrasos no processamento, sublinha o Acnur.
Países de menores rendimentos acolhem maioria dos refugiados
De acordo com as Nações Unidas, os países de baixo e médio rendimento acolhem 68% dos refugiados. A ONU lembra que o esforço solidário destes países coincide com pressões sobre os seus recursos e sistemas locais.
O Acnur sublinha que o reassentamento de refugiados ajuda a aliviar a pressão sobre os países de acolhimento, reforça parcerias, contribui para a estabilidade e ajuda a reduzir deslocações perigosas subsequentes.
Neste sentido, a agência reitera que o aumento das cotas, a inclusão de mais países e a aceleração dos processos garantiriam que este instrumento vital chega a mais pessoas em maior necessidade.
