Post

Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

Source: United Nations – in Portuguese

Headline: Estudo da OIT evidencia falhas estruturais da IA na gestão de recursos humanos

Cultura e educação

Aumento de candidaturas online impulsionou utilização da IA no processo de recrutamento; recursos humanos nem sempre dispõem das capacidades necessárias para operação correta dos modelos, alertam especialistas.

Os sistemas de Inteligência Artificial (IA) utilizados na gestão dos recursos humanos apresentam objetivos mal alinhados, baseando-se em dados de baixa qualidade e enviesados que prejudicam as empresas e os seus trabalhadores.

Este conjunto de limitações estruturais foi identificado no artigo publicado em novembro de 2025 pela Organização Mundial do Trabalho, OIT, que sublinha os riscos jurídicos, éticos e práticos da aplicação destas tecnologias no trabalho.

“Paradoxo da automação” 

De acordo com Janine Berg – economista da OIT e coautora do artigo – a utilização destes novos sistemas constitui um autêntico “paradoxo da automação”, ao demonstrar que as soluções tecnológicas levantam sistematicamente novos desafios tecnológicos. 

A generalização das candidaturas online e o acesso à IA generativa provocaram um aumento substancial da quantidade de currículos recebidos. Por sua vez, a triagem de um número superior de profissionais veio impulsionar a adoção de sistemas de IA no processo de recrutamento das empresas. 

© Unsplash/Immo Wegmann Os sistemas de IA ajudarão na análise de dados, tomada de decisão, automação e otimização.

O artigo conclui que a eficácia dos sistemas utilizados na determinação da compensação, na elaboração de horários e na gestão do desempenho dos trabalhadores é condicionada por limitações nos dados, na programação e na definição de objetivos inadequados.

Participação humana é essencial

A economista da agência da ONU sublinha que as novas ferramentas de IA operam através de um nível elevado de autonomia e acrescenta que os recursos humanos nem sempre dispõem das capacidades necessárias para a sua operação e a interpretação dos seus resultados.

Neste sentido, Janine Berg defende a participação ativa dos profissionais de recursos humanos no desenho, implementação e supervisão dos sistemas de IA, bem como no envolvimento dos trabalhadores no processo de elaboração de horários e na gestão do desempenho.

A investigadora conclui que o envolvimento de todas as partes na geração dos sistemas de IA utilizados é essencial para garantir a transparência do seu objetivo e um funcionamento em função das condições das empresas e dos trabalhadores.

MIL OSI