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Missão de Apuração de Fatos em alerta com posse presidencial na Venezuela

Missão de Apuração de Fatos em alerta com posse presidencial na Venezuela

Source: United Nations – in Portuguese

Headline: Missão de Apuração de Fatos em alerta com posse presidencial na Venezuela

Direitos humanos

Grupo documentou repressão violenta aos protestos após eleições de julho, que deram vitória ao presidente Nicolás Maduro; opositores, jornalistas e ativistas seguem sofrendo detenções arbitrárias e maus-tratos; peritos pedem respeito à livre expressão.

A dias da posse presidencial na Venezuela, em 10 de janeiro, a Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos para o país pediu que o direito a protestos pacíficos e à livre expressão sejam exercidos “sem medo de represálias”.

A entidade investigativa, estabelecida pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirmou nesta quinta-feira que as autoridades venezuelanas devem respeitar os direitos à vida, liberdade e segurança de todos os cidadãos.

Uso da força

O grupo reiterou o pedido de libertação de todos detidos arbitrariamente desde as eleições, em julho passado.

A presidente da Missão, Marta Valiñas, afirmou que as forças de segurança responsáveis pela manutenção da ordem pública “devem aderir aos mais rigorosos padrões internacionais sobre o uso da força”.

Para ela, qualquer violação deve ser investigada e processada de maneira “rápida, completa e imparcial” por tribunais independentes.

Repressão violenta e detenção de opositores

Em seu relatório mais recente ao Conselho de Direitos Humanos, a Missão de Apuração de Fatos documentou a repressão violenta aos protestos pós-eleições presidenciais de 28 de julho.

O episódio foi descrito como uma das crises de direitos humanos mais agudas na história recente do país. As manifestações começaram após o presidente Nicolás Maduro ser declarado vencedor.

A Missão de Apuração de Fatos avaliou que o aparato repressivo permanece totalmente operacional. 

O perito Francisco Cox contou que “entre agosto e dezembro de 2024, as autoridades detiveram pelo menos 56 ativistas da oposição política, 10 jornalistas e um defensor dos direitos humanos”.

Cox ressaltou que aqueles que ordenam detenções arbitrárias e a imposição de tortura ou outros maus-tratos, bem como seus executores “têm responsabilidade criminal individual”.

UN News

Caracas, capital da Venezuela

Detidos enfrentam condições degradantes

No final de dezembro, o Ministério Público relatou que 1.369 das mais de 2,5 mil pessoas detidas durante a repressão pós-eleitoral haviam sido libertadas, depois de uma revisão dos casos.

Mas os números não puderam ser comprovados. A organização não- governamental “Foro Penal” revela que 1.849 pessoas seguem detidas por motivos políticos.

A ONG relata “múltiplas irregularidades e restrições” como o direito dos presos à alimentação, saúde e acesso a garantias legais essenciais em processos judiciais.

A Missão enfatizou a obrigação do Estado de oferecer proteção especial a detidos com problemas de saúde, idosos e crianças. Diariamente, mais pessoas estão sendo presas e centenas permanecem presas em condições degradantes, sujeitas a tortura, bem como a tratamentos cruéis e desumanos

“Ataque sistemático à liberdade”

A perita Patricia Tappatá esclareceu que indivíduos libertados, incluindo crianças, continuam sujeitos a medidas cautelares e acusações por crimes graves, como terrorismo ou traição.

Ela enfatizou que a perseguição a opositores do governo, ou àqueles percebidos como tal, “não apenas continua, mas se tornou um ataque sistemático à liberdade”.

Como parte de seu mandato, a Missão de Apuração de Fatos acompanha com atenção especial aos eventos antes e depois da posse presidencial. A entidade investigará casos de violações graves de direitos humanos e possíveis crimes.

Estabelecida em setembro de 2019 pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, a Missão Internacional Independente de Apuração de Fatos sobre a Venezuela teve seu mandato estendido até outubro de 2026.

MIL OSI